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Policial baleado pelo filho de 13 anos por causa de game está paraplégico

20.mar.2022 - Delegacia da Polícia Civil em Patos (PB), em foto de arquivo - Divulgação/Polícia Civil da Paraíba
20.mar.2022 - Delegacia da Polícia Civil em Patos (PB), em foto de arquivo Imagem: Divulgação/Polícia Civil da Paraíba

Colaboração para o UOL, em João Pessoa

21/03/2022 15h29

O policial militar reformado que foi baleado pelo filho adolescente de 13 anos, no sábado (19), em Patos (PB), está paraplégico, segundo o médico-cirurgião Caio Guimarães, que cuida do caso. Além de ferir o pai, o adolescente matou a mãe e o irmão de 7 anos.

A proibição de jogos online e a cobrança por boas notas na escola teriam motivado o ataque, segundo a polícia.

O cirurgião disse que o policial de 56 anos ainda não passou por cirurgia e está consciente. A condição de saúde do policial é estável até o momento.

"Ele está sem entubação, consciente e orientado. Está paraplégico, sem sentir as pernas, mas está estável. Ele vai ser avaliado dia a dia para dizer alguma coisa a mais", afirmou Guimarães.

'Em nenhum momento chorou'

O delegado Renato Leite, responsável pelas investigações, disse em entrevista ao UOL que o adolescente foi encaminhado para o Centro Socioeducativo de Sousa, no interior da Paraíba, onde deve ficar inicialmente por 45 dias. O adolescente admitiu, em depoimento ao delegado, que foi o autor dos disparos que matou a mãe, o irmão e deixou ferido o próprio pai.

"Em seu depoimento, em nenhum momento ele chorou ou demonstrou emoções. Chegou a mostrar surpresa, e uma aparente frustração ao saber que o pai tinha sobrevivido", declarou Leite, diante do que considerou uma lamentável tragédia familiar em razão da valorização excessiva das relações virtuais.

Ainda sobre o comportamento do adolescente, o delegado classificou como "um momento terrível o depoimento", mas que é preciso acolher o garoto. "Não tenho qualificação para traçar o perfil dele, mas ele precisa de acolhimento. Os pais tentavam educá-lo, como acontece nas famílias, mas ele viu isso como uma tentativa de impedimento de ficar no celular e nos jogos online, então decidiu acabar com o que achava que era o problema, no caso, a família", afirmou ele. "É um caso chocante, algo terrível."

Leite disse que o inquérito está quase concluído e que está apenas aguardando alguns laudos para encaminhar para o Ministério Público. Sobre o depoimento do pai do garoto, Leite explicou que é algo importante, mas que, diante das circunstâncias, ele pode ser ouvido diretamente pelo Ministério Público.

Enterro

Sob forte comoção, os corpos da mãe e do irmão do adolescente foram enterrados ontem. Uma multidão acompanhou o cortejo e o enterro das vítimas, em Patos, cidade onde moravam. Vizinhos da família fizeram uma corrente de oração na frente das casas pedindo paz.

Em vídeo publicado nas redes sociais, uma das vizinhas, identificada como Fabrícia, disse que ainda está sem entender o que aconteceu já que a família "era muito querida, perfeita".