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Revolução de 1932: veja fotos da data histórica em São Paulo

Manifestação de populares pedindo a constituição em evento realizado na Praça da Sé, região central de São Paulo, em 1932 Imagem: Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

09/07/2024 14h11

O estado de São Paulo celebra nesta terça (9) mais um aniversário da Revolução de 1932, um dos maiores confrontos armados do século 20 no Brasil. Nessa data, há 92 anos, as autoridades do estado mais populoso e economicamente importante do país anunciavam que pegariam em armas para depor o presidente Getúlio Vargas (1882-1954).

A perda da hegemonia política de São Paulo firmaram o cenário de aliança de classes médias e altas que defendiam uma nova Constituição e a deposição do então presidente.

Confira fotos históricas do conflito

A Legião Negra, que atuou durante a Revolução Constitucionalista de 1932 Imagem: Ricardo Della Rosa/Acervo pessoal

O ano de 1932 era marcado por marchas antivarguistas em São Paulo.

Em uma delas, em 23 de maio, quatro jovens manifestantes morreram pela repressão: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.

Cartaz com a sigla MMDC, da sociedade secreta (Miragaia, Martins, Drausio e Camargo), seguida da frase: "sustentae o fogo que a victoria é nossa!" Imagem: ARQUIVO/ESTADÃO CONTEÚDO

Suas mortes inspiraram a criação da organização política e militar clandestina MMDC e geraram um clima de revolta que eclodiu na guerra paulista, em 9 de julho.

De um lado das trincheiras, estavam soldados e dezenas de milhares de paulistas que se alistaram como voluntários. Do outro, forças federais comandadas por Vargas e pelos "tenentes" —jovens oficiais do Exército que exerceram papel preponderante na Revolução de 30 —, segundo apuração da Folha de S.Paulo.

Movimentação de soldados em campo durante a batalha. Soldados paulistas combateram, com armamento precário, as poderosas colunas inimigas Imagem: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
Crianças ativistas da Revolução de 32, em São Paulo (SP) Imagem: Reprodução do livro "Lembranças de São Paulo"

Elites paulistas enfatizavam uma nova constituição como bandeira do conflito, mas essa não era a única motivação. Entre os outros motivos, estavam a disputa pelo poder no estado paulista, a perda de lucros com a economia cafeeira pós-Vargas, e um sentimento regionalista exacerbado.

Homem sendo socorrido após incêndio do Comando Geral Imagem: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Apesar de levar pautas paulistas, a guerra acabou envolvendo outros estados. Foram registradas batalhas nos territórios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso —o único estado com efetivos militares que apoiaram os paulistas.

O conflito deixou 1000 mortos entre os combatentes —e acabou com a derrota de São Paulo. O triunfo das tropas federais sobre os insurgentes teve ampla repercussão e interpretações divergentes nos anos seguintes.

Símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932, o Obelisco é o maior monumento da cidade e tem 72 metros de altura. A construção do monumento foi iniciada em 1947 e concluída em 1970. O mausoléu do Obelisco guarda os corpos de M.M.D.C e de outros 713 ex-combatentes. Para homenageá-los e preservar a memória da rebelião, há cenas bíblicas e passagens da história paulista feitas com pastilhas de mosaico veneziano Imagem: MONICA ZARATTINI/Estadão Conteúdo

A guerra iniciada pelos paulistas é controversa até hoje, sendo chamada de "golpe" por alguns. Muitos historiadores nomeiam o levante de Revolução Constitucionalista, mas outras classificam o "Movimento de 32" como uma tentativa de golpe patrocinada pelas elites com adesão de diversos segmentos.

As batalhas duraram 87 dias, até 2 de outubro, quando os insurgentes assinaram a rendição.

Placas com nomes dos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932 dentro do Obelisco, localizado no Parque do Ibirapuera, zona sul da capital paulista Imagem: MONICA ZARATTINI/Estadão Conteúdo

Apesar da derrota, a oposição a Vargas teria alcançado "triunfo" político, com homenagens e monumentos feitos para os "heróis" da revolução. Textos apresentados em espaços oficiais narram uma versão triunfalista dos fatos, na linha de cerimônias formais promovidas por governos paulistas e monumentos como o Obelisco para os Heróis de 32, no Ibirapuera.

O engajamento popular durante o conflito era "unânime", da capital ao interior, segundo publicação no site da Assembleia Legislativa de São Paulo. "Nada menos que 200 mil homens se apresentaram para lutar, mas não havia armas para todos; somente perto de 30 mil puderam efetivamente ser aproveitados."

Mas a vantagem numérica e técnica das tropas federais levou à rendição dos paulistas.

Fachada do Edifício Ouro para o Bem de São Paulo, localizado no Largo da Misericórdia, 23, centro de São Paulo. A obra foi concluída em 1939 e sua fachada lembra a bandeira do Estado. O prédio foi feito com dinheiro arrecadado em uma campanha de doação de joias para obtenção de fundos necessários à manutenção da Revolução Constitucionalista de 1932 Imagem: SERGIO NEVES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Escultura no Obelisco do Ibirapuera; monumento funerário em homenagem aos heróis da Revolução Constitucionalista de 1932. Imagem: MONICA ZARATTINI/Estadão Conteúdo

Alguns dos objetos apresentados na exposição 'Epopeia de 32' no Obelisco do Ibirapuera Imagem: Douglas Nascimento

Objeto de bronze apresentado na exposição 'Epopeia de 32' no Obelisco do Ibirapuera Imagem: Douglas Nascimento

Cartaz de convocação para alistamento de voluntários na Revolução de 32 Imagem: Reprodução

Sepultamento de Dráusio Marcondes de Souza (1917-1932) em São Paulo, em 29 de maio de 1932, no Cemitério da Consolação. Na foto, o senhor Manuel Octaviano Marcondes de Souza, pai do falecido, discursa em frente ao caixão Imagem: Memorial da Democracia

Salão de costura em São Paulo, onde mulheres, que tiveram participação ativa em 1932, confeccionavam fardas militares Imagem: Reprodução/Coleção Paulo Florençano

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