Casal gay russo casa no exterior, volta para casa, mas é perseguido e forçado a deixar o país

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

    Yevgeny Voitsekhovsky (e) e Pavel Stotsko (d) pediram asilo na Holanda e vivem em Amsterdã

    Yevgeny Voitsekhovsky (e) e Pavel Stotsko (d) pediram asilo na Holanda e vivem em Amsterdã

Um casal homossexual russo que se casou na Dinamarca teve seus documentos confiscados pelo governo e precisou fugir de Moscou, onde estava sendo perseguido. Pavel Stotsko e Yevgeny Voitsekhovsky, ambos de 28 anos, fugiram para a Holanda, onde requisitaram asilo político. As informações são do jornal inglês The Guardian.

Como o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo é proibido na Rússia, Stotsko e Voitsekhovsky decidiram se casar na Dinamarca. Após estudarem o código civil russo, eles descobriram uma brecha na lei: as autoridades russas são obrigadas a reconhecer qualquer casamento registrado no exterior, mesmo entre casais homossexuais.

Quando voltaram à Rússia, em janeiro, o casal enviou seu passaporte interno --um documento que todos os russos acima de 14 anos possuem com o endereço da residência e o estado civil-- para um escritório do governo e, sem nenhum tipo de problema, receberam o carimbo que confirmava o casamento.

"Ficamos muito felizes quando recebemos os carimbos em nossos passaportes. Pensávamos que agora poderíamos viver felizes e tranquilos na Rússia e que, apesar de toda a homofobia, a lei estava do nosso lado", disse Stotsko ao "Guardian".

O casal postou fotos do documento nas redes sociais e deu entrevistas a alguns veículos de imprensa da Rússia. No entanto, muita gente ficou revoltada com a notícia. Entre elas, o deputado ultraconservador Vitaly Milonov, que acusou o documento de não ter valor legal e que chamou Stotsko e Voitsekhovsky de "bodes fedidos".

O político ainda disse que o casal deveria passar por exames para não espalhar doenças e que poderia ser expulso do país. Os dois ainda receberam inúmeras ameaças de morte.

Para piorar, a polícia apareceu no apartamento do casal em Lyubertsy, uma pequena cidade nos arredores de Moscou, e confiscou os passaportes internos. Além disso, os agentes cortaram os acessos à internet e a energia elétrica da residência.

"Para os russos, um carimbo de casamento em seu passaporte é um símbolo de que seu casamento é reconhecido pelo Estado. Naturalmente, quando as autoridades perceberam que não havia fundamentos legais para não reconhecer nosso casamento, decidiram se livrar de qualquer evidência de que isso [o reconhecimento do casamento homossexual] tenha acontecido na Rússia", disse Stotsko ao "Guardian".

Assustado, o casal deixou a Rússia na mesma noite, com a ajuda de membros da comunidade LGBT do país, com apenas o equivalente a R$ 220 nos bolsos, em uma noite gelada do rigoroso inverno russo, em janeiro.

O destino foi Amsterdã. Sob a orientação de advogados, o casal só decidiu contar agora a história, depois de tantos meses, porque recebeu a confirmação de que está sob a proteção das autoridades holandesas.

Eles agora querem tentar conseguir a cidadania holandesa e não têm planos de voltar para a Rússia, um país com altos índices de violência contra a comunidade LGBT e que conta com a intolerância do Estado.

"Putin sempre diz que todos vivem na Rússia de acordo com a lei. Mas o que aconteceu conosco prova que ele é um mentiroso. Tentamos viver em russo dentro da estrutura da lei russa, mas em vez disso as autoridades infringiram a lei para apreender nossos passaportes", afirmou Stotsko.

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