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Nigéria adia eleição presidencial a cinco horas do início da votação

Funcionários marcam caixas com cédulas de votação antes de a eleição presidencial ser adiada na Nigéria - Nyancho NwaNri/Reuters
Funcionários marcam caixas com cédulas de votação antes de a eleição presidencial ser adiada na Nigéria Imagem: Nyancho NwaNri/Reuters

DO UOL, em São Paulo

16/02/2019 00h43

Prevista para hoje, a eleição presidencial na Nigéria foi adiada em uma semana, devendo ocorrer no próximo sábado (23). A decisão foi da comissão eleitoral, que fez o anúncio apenas cinco horas antes do início das eleições, segundo informa a agência de notícias Associated Press.

A comissão diz que "desafios", porém não especificados, são os motivos para o adiamento, mas há relatos de que materiais de votação não haviam sido entregues a todas as partes do país.

"Esta foi uma decisão difícil de tomar, mas necessária para o sucesso das eleições e a consolidação de nossa democracia", disse o presidente da comissão, Mahmood Yakubu, a repórteres na capital, Abuja. Ele disse que mais detalhes serão divulgados durante uma reunião que será realizada ainda na tarde de hoje.

No total, 73 candidatos concorrem, embora a disputa seja protagonizada por representantes dos dois principais partidos do país, que vêm se alternando no poder desde a redemocratização. Um dos candidatos é o ex-general Muhammadu Buhari, do APC (Congresso de Todos os Progressistas), que concorre à reeleição. O outro é Atiku Abukabar, do PDP (Partido Democrático do Povo), ex-vice-presidente e empresário multimilionário.

Contexto

Principal economia e maior produtora de petróleo da África, a Nigéria se vê em meio a um fraco crescimento econômico, após sair da recessão marcada pela queda dos preços do petróleo.

Os últimos anos para a economia nigeriana, que depende em 90% das exportações de petróleo, foram devastadores pelo barateamento desse produto.

Quando o atual presidente e candidato à reeleição, Muhammadu Buhari, chegou ao poder, em 2015, a economia da Nigéria começava a mostrar sinais de fraqueza, e um ano depois o gigante africano entrou em sua primeira recessão em 25 anos.

Essa crise ocorreu por uma forte queda dos preços do petróleo, que chegaram a ser cotados a US$ 140 por barril em 2014 e despencaram para US$ 40 no ano seguinte.

Após um aumento de US$ 400 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos, segundo o Banco Mundial (BM), em 2015 houve uma curva para baixo que se prolongou nos últimos anos, embora agora a tendência tenha mudado para um moderado crescimento.

O PIB nigeriano - de acordo com o BM - pode crescer neste ano 2,2% se o preço do petróleo se mantiver em US$ 67 o barril.

Para superar a recessão em 2015, o governo apresentou o Plano de Crescimento e Recuperação Econômica (ERGP).

"O plano tem três grandes objetivos: restaurar o crescimento, investir no povo e construir uma economia competitiva em nível global", definiu na ocasião o ministro da Economia, Udo Udoma.

Nesse plano também estava incluso um programa de proteção social para amortecer o efeito que a crise teve sobre o povo, com pequenos empréstimos para a população vulnerável e treinamento de jovens graduados para abrirem novos negócios.

Apesar de sua potência econômica, o país mais povoado do continente africano - com quase 200 milhões de habitantes - tem mais de 70% da população vivendo com menos de US$ 3 por dia, segundo o BM.

Disputa

Estas medidas mais "populares", criticadas pela elite econômica, são as mais alardeadas por Buhari. Seu principal adversário, o empresário e ex-vice-presidente Atiku Abubakar, promete agora impulsionar a capacitação em vez de dar dinheiro aos mais necessitados para tirar da extrema pobreza 50 milhões dos 87 milhões de nigerianos que vivem nesta faixa.

Abubakar prometeu também liberalizar as companhias estatais, impulsionar as pequenas e médias empresas, investir em infraestruturas e reduzir impostos.

Mas o histórico do PDP no poder durante os 16 anos anteriores à chegada de Buhari ao poder e as acusações de corrupção que perseguem Abubakar colocam muitas dúvidas sobre suas intenções neste campo.

No passado, "regular a economia quando tinha problemas significava subir o preço dos produtos petroleiros, enquanto era esperado que os preços (do petróleo) voltassem a subir. Isso criou efeitos em cadeia em várias áreas econômicas", afirmou o analista financeiro Tunde Awosile em entrevista à Efe.

Após anos de penúrias econômicas, a moeda local, a naira, começou a se estabilizar, dando oportunidades de investimento e negócios.

Além disso, a inflação continua em alta no país (em dezembro de 2018 foi de 11,44%), mas o governo prevê uma queda desse indicador neste ano, ao mesmo tempo que acredita em um crescimento econômico de mais de 2%, frente ao de 1,9% no ano anterior.

Outros problemas

Outro desafio é a taxa de desemprego, que dobrou desde 2015, chegando a 23,1% em 2018. Atualmente, quatro em cada dez nigerianos com idade para trabalhar estão desempregados ou subempregados.

Também é desafio acabar com a corrupção, já que a Nigéria ocupa a 144ª posição entre os 180 países na lista de Transparência Internacional (TI) que mede a percepção da corrupção no mundo (quanto mais embaixo no ranking, mais corrupto é um país).

Nenhum dos dois partidos, por outro lado, especificou o que fará quanto ao crescimento da população (espera-se que chegue a 410 milhões de pessoas em 2050, segundo a ONU) no país mais populoso da África.

Tampouco ambos propuseram medidas prioritárias para temas sociais como a violência de gênero, a redução da evasão escolar (calculada em 50% dos jovens), a melhora do sistema de saúde e o avanço na redução das desigualdades em todas as áreas.

Com agência Efe.

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