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Repórter francês se infiltra na polícia e denuncia racismo e violência

Gendrot disse que uma vez ele foi forçado a forjar evidências contra um adolescente que foi espancado por outro policial - Sameer Al-Doumy
Gendrot disse que uma vez ele foi forçado a forjar evidências contra um adolescente que foi espancado por outro policial Imagem: Sameer Al-Doumy

Do UOL, em São Paulo

03/09/2020 10h16

O jornalista francês Valentin Gendrot se infiltrou na polícia de Paris por seis meses e relatou uma cultura de racismo e violência na instituição.

"Fiquei realmente chocado ao ouvir policiais, que são representantes do estado, chamando pessoas que eram negras, árabes ou migrantes de 'bastardos', mas todo mundo fez isso", contou em uma entrevista ao jornal inglês The Guardian.

Gendrot disse que uma vez ele foi forçado a forjar evidências contra um adolescente que foi espancado por um outro policial.

"Apenas uma minoria de policiais era violenta... Mas eles eram sempre violentos", afirmou.

Essas e outras revelações estão em seu livro "Flic (Cop)" [Policial, em tradução livre do francês], que foi lançado ontem.

Gendrot também disse que a cultura policial prejudica os próprios oficiais já que os recrutas são mal treinados e remunerados. O estresse, a hostilidade e a violência diária levam os policiais à depressão e ao suicídio.

O jornalista, que trabalha em uma rádio na província da Bretanha, afirma que tanto a violência policial quanto o suicídio de oficiais são tabus no país.

O livro foi feito em total sigilo e impresso na Eslovênia. As livrarias compravam a obra sem saber do conteúdo.

Gendrot fez sua inscrição para trabalhar na polícia usando seu nome verdadeiro. Com três meses de treinamento, ele recebeu uma arma e foi fazer policiamento nas ruas da capital francesa.

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