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Como tablet achado no rio Tâmisa ajudou a desvendar plano de assassinato

O iPad Mini foi enterrado às margens do rio e recuperado por peritos forenses Imagem: Divulgação/Polícia de Londres

Do UOL, em São Paulo

01/04/2025 05h30

Uma rede de crime organizado internacional foi desmontada após um tablet ser encontrado enterrado próximo ao rio Tâmisa, na Inglaterra. Nele havia provas que ajudaram a desvendar crimes e até um plano de assassinato, segundo informações da BBC.

O que aconteceu

iPad estava a 2,5 centímetros da areia quando foi encontrado por um policial com um detector de metais, em novembro de 2024. O aparelho estava na margem do rio Tâmisa, que banha Oxford e a capital Londres.

Perícia conseguiu limpar e recuperar o chip. No dispositivo ainda tinha um cartão SIM da operadora Vodafone que continha os dados das chamadas telefônicas.

Pelo menos três crimes foram identificados a partir das provas. Um vaso da dinastia Ming roubado de um museu na Suíça um tiroteio na casa de um comediante em Woodford, no leste de Londres; e o assalto a um apartamento de luxo em Kent, no sudeste da Inglaterra. Todos ocorreram em 2019.

Louis Ahearne, Stewart Ahearne e Daniel Kelly foram presos graças às provas encontradas. "Eu questionei muito isso", disse Matthew Webb, detetive que liderou a investigação, à BBC. "Será que foram erros ou eles estavam tão certos de que não seriam pegos?", completou.

Tentativa de homicídio

No tiroteio em Woodford, o ex-criminoso e comediante Paul Allen ficou gravemente ferido, perdendo os movimentos do tórax para baixo. Foram pelo menos seis disparos contra o jardim de sua casa —um dos projéteis ficou alojado na coluna. Os irmãos Ahearne e Kelly foram considerados autores da tentativa de homicídio pelas provas contidas no tablet.

Allen foi um dos líderes do maior assalto à mão armada do Reino Unido, em 2006. Na ocasião, fazia parte de uma gangue que roubou 53 milhões de libras (o equivalente a R$ 393 milhões na cotação atual) em dinheiro vivo do Bank of England, o banco central britânico —deixando para trás 154 milhões de libras (R$ 1,1 bilhão) que não couberam no veículo de fuga. Ele acabou preso e libertado em 2016.

Planejamento do crime que quase o matou envolveu aluguel de carro, vigilância e telefones pré-pagos não registrados. "Esta foi uma tentativa de assassinato meticulosamente pesquisada e planejada por uma equipe de homens bem versados no nível de criminalidade necessária para executá-la", afirmou o promotor Michael Shaw, segundo a BBC.

Roubo em Genebra, na Suíça, também tem provas da participação dos criminosos. As peças roubadas equivalem a 2,8 milhões de libras (R$ 20,7 milhões) e foram tiradas do lado de fora do Museu de Arte do Extremo Oriente.

Um apartamento no condado de Kent, na Inglaterra, também foi roubado pelo trio de criminosos. Fingindo serem policiais, com uma luz azul piscando no teto de um carro alugado, eles e mais um comparsa forçaram a entrada na propriedade e roubaram itens de design. Por este crime foram condenados na Corte da Coroa (tribunal superior de primeira instância para casos criminais) de Maidstone por roubo e tentativa de roubo de outro apartamento.

A verdade no rio Tâmisa

Declaração de Louis, um dos criminosos, culminou no encontro do iPad no rio Tâmisa. Nas imagens de segurança recuperadas na noite do crime em Kent, ele disse que era possível vê-lo "tomando um pouco de ar".

Quando os policiais resgataram as imagens para comprovar a alegação, descobriram algo intrigante: Kelly desaparecia em direção às margens do rio. "Imediatamente, pensamos que se alguém quisesse descartar algo crucial, provavelmente seria uma arma de fogo", disse o detetive Webb.

"As pessoas ficaram pasmas e boquiabertas", relembrou Webb, à BBC. "O detetive Matthew Freeman me ligou e disse: Fomos ao Tâmisa e encontramos um iPad", completou.

Não consigo repetir as palavras que usei, mas meu queixo caiu. Que bela peça do quebra-cabeça para montar.
Matthew Webb, detetive, à BBC

Dados contidos no tablet dividiam informações com um smartphone. As chamadas do iPad e também de um iPhone 6 —que pertencia a Kelly— estavam contidas ali naquele cartão SIM encontrado no aparelho.

Dispositivos de rastreamento encontrados no carro utilizado por Louis e Kelly também estavam ligados ao iPad. Além disso, contas de e-mail e 59 compras —que incluíam celulares pré-pagos utilizados para o planejamento do assassinato de Allen— foram analisadas pela polícia.

E mais uma grande prova: o chip estava em uso até desaparecer da rede pouco antes de Allen ser baleado. Essa informação amarrou todas as suspeitas.

Cada um deles foi considerado culpado de conspiração para assassinato na semana passada. As sentenças serão anunciadas em 25 de abril.

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