Barack Obama: As armas são nossa responsabilidade comum

Barack Obama

  • Martin Bureau/AFP

A epidemia de violência armada em nosso país é uma crise. As mortes e os ferimentos por armas de fogo constituem uma das maiores ameaças à saúde pública e à segurança da população americana. Todos os anos, mais de 300 mil americanos têm suas vidas ceifadas por armas. Suicídios. Violência doméstica. Tiroteios entre gangues. Acidentes. Centenas de milhares de americanos perderam irmãos e irmãs, ou enterraram seus próprios filhos. Somos o único país avançado na terra que assiste a esse tipo de violência em massa com tal frequência.

Uma crise nacional como esta exige uma resposta nacional. Reduzir a violência armada será difícil. Está claro que uma reforma das armas, com bom senso, não acontecerá durante esta legislatura. Não acontecerá durante minha Presidência. Entretanto, há medidas que podemos tomar agora para salvar vidas. E todos nós --em todos os níveis do governo, no setor privado e como cidadãos-- temos de fazer nossa parte.

Todos temos responsabilidade.

Na terça-feira, anunciei novas medidas que tomei com minha autoridade legal para proteger a população americana e manter as armas longe de criminosos e pessoas perigosas. Entre as medidas, exigir que qualquer pessoa envolvida na venda de armas de fogo verifique a ficha criminal, expandir o acesso a tratamentos de saúde mental e melhorar a tecnologia de segurança das armas. Essas ações não impedirão todos os atos de violência, ou salvarão todas as vidas, mas mesmo que uma só vida seja poupada o esforço terá sido válido.

Enquanto eu continuar tomando todas as medidas possíveis como presidente, também tomarei todas as medidas que puder como cidadão. Não farei campanha para, e nem votarei ou apoiarei qualquer candidato, mesmo de meu próprio partido, que não apoie a reforma das armas com bom senso. E se 90% dos americanos que apoiam as reformas das armas se unirem a mim elegeremos a liderança que merecemos.

Todos nós temos um papel a desempenhar, incluindo os donos de armas. Precisamos que a vasta maioria dos donos de armas responsáveis que lamentam conosco depois de cada chacina, que apoiam a segurança das armas com bom senso e que sentem que suas opiniões não estão sendo representadas adequadamente se levantem conosco e exijam que os líderes ouçam as vozes das pessoas que eles devem representar.

A indústria de armas também precisa fazer sua parte, e isso começa pelos fabricantes.

Como americanos, exigimos altos padrões dos produtos de consumo para manter nossas famílias e comunidades em segurança. Os carros têm de cumprir exigências de segurança e de emissões. O alimento tem de ser limpo e seguro. Não encerraremos o ciclo da violência armada enquanto não exigirmos que a indústria de armas também tome medidas simples para tornar seus produtos mais seguros. Se uma criança não consegue abrir um recipiente de aspirina, também devemos garantir que ela não consiga puxar o gatilho de uma arma.

Mas hoje a indústria de armas é quase totalmente irresponsabilizável. Graças a décadas de esforços do lobby das armas, o Congresso impediu que nossos peritos em segurança de produtos de consumo pudessem exigir que as armas de fogo tenham as mais básicas medidas de segurança. Eles dificultaram para os peritos em saúde pública do governo a realização de pesquisas sobre violência armada. Eles garantiram que os fabricantes desfrutem de uma virtual imunidade em processos legais, o que significa que eles podem vender produtos letais e raramente enfrentem as consequências. Como pais, não aceitaríamos isso se se tratasse de bancos de carros defeituosos. Por que devemos tolerar produtos --armas-- que matam tantas crianças por ano?

Em uma época em que os fabricantes usufruem lucros cada vez maiores, eles deveriam investir em pesquisa para tornar as armas mais seguras, como desenvolver microsselos para a munição, que podem ajudar a equiparar balas encontradas em cenas de crime com armas específicas. E, como em todas as indústrias, os fabricantes de armas devem a seus clientes ser melhores cidadãos corporativos ao vender armas só para pessoas responsáveis.

Afinal, isto tem a ver com todos nós. Não somos solicitados a desempenhar o heroísmo de Zaevion Dobson, de 15 anos, do Tennessee, que foi morto antes do Natal enquanto protegia seus amigos do tiroteio. Não somos solicitados a demonstrar a bondade das inúmeras famílias de vítimas que se dedicaram a pôr fim a essa violência insensata. Mas devemos encontrar a coragem e a vontade para nos mobilizarmos, organizarmos e fazermos o que um país forte e sensato faz em resposta a uma crise como esta.

Todos nós precisamos exigir líderes corajosos o suficiente para enfrentar as mentiras do lobby das armas. Todos precisamos nos levantar e proteger nossos concidadãos. Todos devemos exigir que os governadores, prefeitos e representantes no Congresso façam sua parte.

A mudança será difícil. Não acontecerá de um dia para outro. Mas conseguir o direito ao voto para as mulheres não aconteceu de um dia para outro. O avanço nos direitos das lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros americanos demorou décadas de trabalho firme.

Esses momentos representam a democracia americana, e a população americana, em nosso melhor espírito. Enfrentar esta crise de violência armada exigirá o mesmo foco incansável, durante muitos anos, em todos os níveis. Se pudermos enfrentar este momento com essa mesma audácia, alcançaremos a mudança que buscamos. E deixaremos um país mais forte e seguro para nossos filhos.

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos