Para debate de hoje, Hillary treinou linguagem corporal; Trump diz não precisar de ensaio

Amy Chozick e Patrick Healy

  • John Lochter/AP

    Funcionário prepara cenário do segundo debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, na Washington University, em St Louis

    Funcionário prepara cenário do segundo debate entre Hillary Clinton e Donald Trump, na Washington University, em St Louis

Nos preparativos para o debate desta noite, ao estilo reunião comunitária, Hillary Clinton não está contando com planos de cinco pontos ou linhas de ataque.

Em vez disso, ela está entocada com assessores para praticar linguagem corporal, expressões faciais, cadência de voz e respostas mais informais sobre crédito estudantil, epidemia de heroína e outros assuntos levantados em seus eventos de campanha, que a permitem mostrar maior empatia e emoção juntamente com conhecimento sobre as políticas.

Donald Trump zomba de tudo isso.

"Não preciso ensaiar ser humano", ele disse em uma entrevista na semana passada.

Ele e seus conselheiros dizem que o formato do debate, com seu palco aberto e perguntas de eleitores reais, mostrará como ele fica à vontade na televisão e seu estilo direto, que consideram atraente para os eleitores que não gostam da cordialidade forçada dela.

"Após décadas na vida pública, Hillary Clinton ainda está 'procurando sua voz'", disse Kellyanne Conway, a diretora de campanha de Trump. "Para ela, é arriscado sair da zona de conforto atrás do atril."

Ambas as campanhas dizem que as perguntas e respostas com os eleitores revelarão, para melhor ou pior, a "verdadeira" Hillary e o "verdadeiro" Trump. Mas é Trump aquele que enfrenta as consequências políticas mais graves caso não mostre o melhor de si mesmo, segundo vários aliados e conselheiros. Seu desempenho no primeiro debate foi criticado após sua aparente dificuldade em se manter focado e se ater aos pontos de debate e às táticas que seus conselheiros lhe deram.

Eles agora o estão preparando de novo, de uma forma um tanto diferente de antes, mas com a mesma incerteza sobre se seguirá as orientações.

Alguns de seus conselheiros temem que o estilo inflamado de Trump possa criar momentos desconfortáveis com os eleitores indecisos, no salão de debate da Universidade de Washington, em Saint Louis. Os dois candidatos responderão uma mistura de perguntas dos eleitores e dos moderadores, Martha Raddatz, da rede de TV ABC, e Anderson Cooper, da rede de TV CNN.

O desempenho polido e disciplinado de Hillary no primeiro debate a impulsionou em algumas pesquisas nacionais e em Estados indefinidos. A tendência fez os conselheiros de Trump reconhecerem de forma privada que seu candidato tem de vencer o debate de hoje. Apenas um forte desempenho oferecerá a Trump uma esperança de reverter sua queda e dar início a um último esforço para persuadir os eleitores indecisos de que está qualificado para ser presidente.

"Ele entende que esse debate é muito importante", disse Rudolph W. Giuliani, o ex-prefeito de Nova York que é um alto conselheiro de Trump e que está ajudando a prepará-lo.

Todd Heisler/The New York Times
Hillary Clinton dá entrevista após comício em Harrisburg (Pensilvânia)


Para Hillary, o evento proporciona seu maior espaço para tentar projetar um lado mais suave e parecer mais simpática para os eleitores. A maioria dos eleitores diz nas pesquisas que não confiam ou não gostam de Hillary, uma realidade que pode prejudicar o comparecimento dos eleitores às urnas e, caso ela vença em novembro, atrapalhar sua Presidência.

Apesar de todos os elogios ao desempenho de Hillary no primeiro debate, sua vitória cirúrgica sobre Trump contribuiu pouco para mudar as percepções dos eleitores sobre ela.

Mas, diferente de Trump, que prefere grandes comícios, Hillary interagiu regularmente com os eleitores durante sua campanha, e alguns de seus momentos mais poderosos ocorreram nesses ambientes.

Em um evento ao estilo reunião comunitária em Iowa, Hillary ficou com os olhos marejados e abraçou uma menina de 10 anos que disse sofrer bullying na escola. E pouco antes da eleição primária de New Hampshire, em resposta a uma pergunta de um rabino, Hillary falou de forma prolongada e improvisada sobre sua própria jornada espiritual.

"Ela gosta de responder perguntas de cidadãos individuais e escuta e se relaciona com as pessoas", disse John D. Podesta, o diretor de campanha de Hillary. "Esse é um formato ao qual Donald Trump não está acostumado."

Mas o público de eleitores indecisos que fará metade das perguntas não será tão amistoso quando os simpatizantes que fizeram perguntas a Hillary nas paradas de campanha. Os esforços dela para parecer sincera e pessoal podem colidir com os esforços de Trump para marcar pontos contra ela, pelo uso de uma conta pessoal de e-mail como secretária de Estado; sua supervisão durante os ataques à missão diplomática americana em Benghazi, Líbia; e seus laços com doadores ricos à fundação de sua família.

"Ajuda se você responde perguntas de pessoas normais durante a campanha, algo que claramente Donald Trump não fez, mas não é o mesmo", disse Mickey Kantor, um conselheiro de longa data do ex-presidente Bill Clinton.

Kantor disse que ter um moderador, um oponente e uma audiência de televisão de potencialmente 80 milhões de espectadores faz com que seja quase impossível se preparar.

"Você simplesmente não pode fugir de uma pergunta e se desviar para os pontos de conversa de seu interesse", disse Kantor.

Mike Segar/Reuters
Donald Trump participa de comício em Reno (Nevada)

Os conselheiros dizem que Trump deve alternar entre agradável e incisivo durante o debate de 90 minutos. Eles querem que ele demonstre interesse, empatia e até mesmo alguma humildade em sua interação com a plateia, e ao mesmo tempo ataque Hillary de uma forma que não seja repulsiva.

"É mais difícil atacar quando eleitores indecisos e agradáveis estão ao seu redor", disse Giuliani. "Isso é mais fácil quando você está sentado em um salão escuro e mal consegue enxergá-los."

Trump treinou um pouco na quinta-feira, em New Hampshire, um debate ao estilo reunião comunitária que até mesmo incluiu um marcador de 2 minutos, o mesmo limite de tempo que ele terá hoje. Trump negou que o evento fosse uma simulação para o debate, dizendo que essa sugestão o fazia parecer uma criança.

Robby Mook, um diretor de campanha de Hillary, disse que os assessores da candidata preveem um Trump mais disciplinado e preparado, que "não se complicará como fez passada uma hora no último debate".

Alguns dos conselheiros de Trump, por sua vez, estão estabelecendo um perfil mais baixo para o desempenho dele. Eles dizem que Trump precisa ser articulado, jogar na ofensiva contra Hillary e não perder o controle como ocorreu no primeiro debate. Mas a capacidade dele conseguir isso permanece em dúvida, dada sua tendência de revidar duramente quando contestado, às vezes a ponto de gaguejar, quando fez quando esteve sob ataque no primeiro debate sobre seus insultos anteriores às mulheres.

Um grupo menor de conselheiros do que no primeiro debate está ajudando Trump a se preparar. O grupo inclui Conway e o governador de Nova Jersey, Chris Christie, assim como Stephen K. Bannon, o presidente-executivo da campanha, e o genro de Trump, Jared Kushner.

Hillary também está praticando. Em uma reunião comunitária em Haverford, Pensilvânia, na terça-feira, ela quase saltou de sua cadeira para responder a uma aluna colegial de 15 anos, que disse estar preocupada com os comentários de Trump sobre as mulheres prejudicarem a imagem própria de meninas de sua idade.

Os preparativos formais dela incluem debates simulados com Podesta e Karen Dunn, uma advogada de Washington; Jake Sullivan, seu conselheiro-chefe de políticas; Ron Klain, um preparador veterano para debates presidenciais; e Jennifer Palmieri, a diretora de comunicações da campanha. A equipe se juntou a Hillary em sua casa em Washington na quarta-feira, comendo morangos frescos enquanto ajudavam a moldar as respostas dela.

Os conselheiros de Trump estão cientes de que até mesmo pequenos gestos podem levar a reveses. Eles estudaram o vídeo das expressões de Trump enquanto Hillary falava e disseram que o formado do debate de domingo será vantajoso para ele em pelo menos um aspecto: a temida tela dividida, que registrou Trump com cara franzida e rosnando para seu microfone durante o primeiro debate, poderá ser usada menos se os candidatos se moverem pelo palco para interagir com os eleitores.

"Uma atmosfera rígida pode colocá-lo em apuros", disse Giuliani sobre Trump. "Ele aprende rápido, mas isso não significa que saiba todos os truques que se aprende ao longo de décadas na vida política."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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