Freakonomics.com: Arthur Frommer, criador dos guias Frommer, responde a todas suas perguntas de viagem

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Recentemente, solicitamos perguntas dos leitores para Arthur Frommer, talvez o principal especialista de viagem dos EUA.

Após 50 anos de escrever sobre viagens, Frommer, 77, reuniu um currículo que inclui 300 guias de viagem, uma revista de viagens em conta com seu nome, uma coluna em jornal, um programa de rádio e um site da Web com seu próprio blog.

Formado pela Escola de Direito de Yale, Frommer começou suas viagens enquanto servia à Inteligência do Exército americano, nos anos 50. Depois de publicar um guia de viagens para soldados, Frommer adaptou-o para o público em geral. Esse livro se tornou o clássico "Europe on $5 a Day" (Europa por US$ 5 por dia). É claro, com a passagem de tempo foi revisado e atualizado para "Frommer's Europe from $85 a Day" (A Europa de Frommer a partir de US$ 85 por dia).

Nós recebemos uma enorme quantidade de perguntas bem pensadas dos leitores para Frommer. E ele deu algumas respostas fantásticas. Agora você vai ver por que seus livros são tão populares: ele tem opiniões fortes, coloridas, informadas e apaixonadas e dezenas de outras coisas.

Pergunta - Enquanto o dólar continua a cair frente ao euro, por que não há mais europeus viajando para os EUA?
Frommer -
Por causa das barreiras psicológicas, burocráticas e políticas que erigimos para impedir suas viagens aqui. Em muitos países que não participam de nosso programa de dispensa de visto, são necessários de três a quatro meses simplesmente para conseguir marcar a entrevista para pedir o visto. Quando os possíveis turistas finalmente conseguem entrar em um de nossos consulados, são questionados sobre características pessoais que não têm nada a ver com segurança ou terrorismo, e sim com a possibilidade de ficarem mais tempo que seus vistos permitem e se tornarem imigrantes ilegais. Um operador de viagens que lida com turistas da Polônia disse recentemente que metade das pessoas que gostaria de viajar aos EUA não conseguem tirar visto porque são jovens, solteiras e sem imóvel próprio etc., e assim têm maior chance de ficar nos EUA ilegalmente.

Quando as pessoas conseguem vir até aqui, são tratadas como criminosas pela imigração ao chegarem, ou, no mínimo, recebidas com descortesia fria. O declínio da indústria de turismo americana cria uma perda de mais de US$ 100 bilhões (em torno de R$ 200 bilhões) por ano, dezenas de bilhões de dólares em impostos e centenas de milhares de empregos. A forma de o governo Bush lidar com o problema é um escândalo. E, ao criar a impressão entre os jovens do mundo que os americanos são arrogantes, frios e pouco amigáveis, nos torna menos seguros.

Pergunta - Como a queda do dólar afetou seu ramo. O senhor tem dicas para lidar com a moeda desvalorizada ao viajar?
Frommer -
É cedo demais para ver o impacto da queda do dólar na publicação de guias de viagem para destinos de euro. Quanto a lidar com a moeda americana desvalorizada ao viajar, precisamos começar a viajar mais modestamente, optando ao menos por uma categoria abaixo em nossa escolha de estadia (como ficar em hotéis de classe turística em vez de hotéis de primeira classe) e por restaurantes modestos.

Pergunta - Quando o senhor viaja atualmente, acha que é melhor mentir e dizer que é canadense?
Frommer -
Não.

Pergunta - Qual lugar o senhor jamais iria, e por quê?
Frommer -
Mianmar. Sua presidente democraticamente eleita, a vencedora do Prêmio Nobel Aung San Suu Kyi, pediu aos turistas para evitarem o país. Não vou financiar os ditadores militares brutais da nação com meus gastos de turista. De maneira similar, recusei-me a visitar a União da África do Sul (ou mesmo mencioná-la em meus livros) durante a época em que o apartheid reinava e Nelson Mandela estava preso.

Pergunta - Qual é o maior erro que as pessoas fazem ao viajar?
Frommer -
Elas não se preparam, não mergulham profundamente na história e cultura do destino antes de chegar. Elas passeiam como novatas totais, incapazes de compreender as instituições e pontos turísticos que visitam. E todos os comentários de seu guia turístico simplesmente acrescentam à confusão. A leitura prévia -algumas noites na biblioteca- é chave para uma viagem bem sucedida.

Pergunta - Em teoria, os lugares (restaurantes, boates, pontos turísticos, etc.) recomendados pelos guias de viagem oferecem o melhor que o país e seu povo têm a oferecer, dentro do orçamento do turista. Como esses lugares conseguem equilibrar a autenticidade com o aumento de turistas que o visitam, com base na recomendação dos livros? Com qual freqüência o senhor ou sua equipe deixam de mencionar lugares incríveis, somente porque não querem vê-los 'destruídos' por visitantes?
Frommer -
Se fôssemos limitar nossas recomendações à meia dúzia, ou cometer o erro (como fiz em uma edição de meu primeiro guia) de dizer que um estabelecimento particular era "o melhor valor em toda Veneza", então as conseqüências que você imaginou ocorreriam, e uma enchente de turistas reduziria a autenticidade da escolha. Um bom guia, no entanto, recomenda entre 30 a 40 restaurantes bem espalhados, e o mesmo número de hotéis, e assim espalha seus leitores entre tantos lugares que a autenticidade não é prejudicada. Quanto a "omitir" uma recomendação para nosso próprio uso, brincamos sobre isso, mas não acontece.

Pergunta - O que o motivou a escrever seu primeiro guia? O senhor sempre quis se tornar um escritor de viagem?
Frommer -
Escrevi meu primeiro guia quando servia ao exército americano no exterior e não tinha planos de me tornar autor de viagens. Escrevi por causa da alegria que eu tinha vivenciado com a viagem de baixo custo e minha convicção de que essa era uma forma superior de passar as férias. Quando finalmente voltei para casa do serviço, entrei para a firma de advocacia Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison (sou formado em direito por Yale) e advoguei por seis anos, até que os livros que eu tinha publicado em meu tempo livre exigiram toda minha atenção.

Pergunta - Qual foi sua maior descoberta ao viajar?
Frommer -
Como todas as pessoas são iguais, em todo o mundo. Desde uma mãe masai no Quênia até um jovem casal no Japão e um professor egípcio vivendo em um barco, todos têm as mesmas preocupações básicas e lidam como os mesmos problemas que nós.

Pergunta - Quais são os maiores benefícios de viajar, o senhor diria, além das respostas que estão no livro sobre expansão da mente, de horizontes etc.?
Frommer -
Acho que as descrições de livros de "expansão" são bastante boas. Por qual outro motivo viajar?

Pergunta - O que o senhor pensa do livro de Xavier de Maistre, "Voyage Autour de ma Chambre" (viagem em torno do quarto), no qual o autor francês diz que, antes de sair a ver o mundo, devemos aplicar as mesma curiosidade e atenção ao nosso entorno? O senhor acha que a obsessão com viagens nos cega aos prazeres locais?
Frommer -
Sempre achei que os melhores viajantes são as mesmas pessoas que são intensamente interessadas na história e na cultura de sua própria cidade.

Pergunta - Se o senhor pudesse voltar no tempo e ser um turista em qualquer país que visitou, qual país e qual ano escolheria?
Frommer -
Gostaria de voltar à Veneza que vi pela primeira vez em meados dos anos 50, com a Piazza San Marco vazia, exceto pelos pombos, onde a entrada de todo museu era imediata e sem fila, onde os venezianos sentavam-se na porta de suas casas e desejavam "Buon Giorno" e onde restaurantes freqüentados principalmente por venezianos eram comuns. Aquela cidade foi a mais formosa que conheci.

Pergunta - Como o senhor seleciona seus autores de viagem? Quais são as coisas que fazem uma pessoa ser boa em identificar e descrever boas experiências de viagem? Em seu treinamento, como o senhor equilibra a necessidade de consistência com a criatividade e inovação de seus autores?
Frommer -
Nos últimos anos, fizemos questão de escolher jornalistas treinados em viagens que fossem moradores da cidade, ilha ou nação tema do guia. Sentimos que suas avaliações são superiores às de um autor, independentemente de sua capacidade, que simplesmente cai de pára-quedas em um local com o propósito de preparar um guia. Não tentamos limitar sua criatividade ou inovação, e nos orgulhamos da personalidade individual que anima cada guia.

Pergunta - Minha mulher e eu gostaríamos de fazer uma viagem uma vez por ano para fora dos EUA, mas não temos muito dinheiro. Quais dicas de viagem o senhor tem para ajudar a cortar custos, etc., para que possamos satisfazer essa meta?
Frommer -
Primeiro entenda que, quanto menos gastar, mais vai curtir. Embarque em um esforço consciente de usar quartos de baixo custo com famílias, apartamentos que você pode trocar com um casal estrangeiro, albergues que aceitam pessoas de todas as idades, programas de boas vindas, restaurantes locais, transporte público e você descobrirá, em minha experiência, que suas viagens assumirão uma profundidade e um significado maior e serão muito mais recompensadoras do que a abordagem mais cara tomada por outros.

Pergunta - Alguma das empresas mencionadas em seu blog o paga de alguma forma?
Frommer -
De forma alguma. Nenhuma empresa (ou pessoa) sabe de antemão que será citada em meu blog, nem me comunico com elas depois.

Pergunta - Quais países menos conhecidos são uma "barganha" atualmente para se visitar?
Frommer -
Nada é realmente "menos conhecido", mas gosto de Bali, Croácia, Sicília, Argentina, México (ainda barato para turistas pouco exigentes), Nicarágua, Tailândia, China, Vietnã e Egito.

Pergunta - Como se encontra um guia local culto, honesto e interessante?
Frommer -
Principalmente pelas recomendações de amigos, parentes ou conhecidos que viajaram para o destino e usaram os serviços de um guia capaz. A pessoa que dedica tempo a infernizar amigos e parentes por informações antes de viajar freqüentemente consegue o nome desses contatos. Em recente viagem a Estocolmo, minha mulher e eu contatamos para nossos amigos para ver se alguém conhecia alguém na cidade, e muitos conheciam. Telefonamos para esses contatos suecos, convidamo-nos para jantar conosco, passamos várias noites estimulantes aprendendo com eles sobre o país e a cidade. Um casal sueco, percebendo as perguntas que eu ia fazer, chegou ao restaurante com uma pilha de estatísticas econômicas que tinham imprimido da Internet!

Pergunta - O senhor preferiria ir para grandes eventos como o Carnaval no Rio, e touradas pelas ruas de Pamplona, ou visitar esses países durante épocas "fora de pico"?
Frommer -
A corrida de touros em Pamplona não me interessa (é um ritual meio bárbaro, meio bêbado) e a única razão para visitar Pamplona de qualquer forma é para fazer o caminho de Santiago de Compostela. Mas o Carnaval no Rio é outra coisa, e a própria cidade pode ser visitada com grande prazer a qualquer época do ano.

Pergunta - Pode-se viajar para Samara, Iraque, e encontrar um local decente e seguro para ficar um ou dois meses?
Frommer -
Não.

Pergunta - Qual é uma boa viagem para um homem de 70 anos com artrite reumática que quer ver algo diferente da região do meio Atlântico ou da Nova Inglaterra, e viveu e viajou a vida toda?
Frommer -
Por que não visitar o oposto exato do meio Atlântico e da Nova Inglaterra e fazer uma viagem de inverno em Paris? A Go-Today.com leva você lá durante o inverno por apenas US$ 599 (em torno de R$ 1.200). Paris é uma experiência excitante, na fronteira da arte e cozinha, moda e literatura, teatro e ópera -um tributo infinitamente fascinante às conquistas humanas.

Pergunta - Sou estudante universitário passando um ano em Londres. Qual a melhor forma de evitar essas tarifas internacionais pesadas?
Frommer -
Não há forma legal de evitar tarifas de governo e impostos.

Pergunta - O senhor pode recomendar um site onde eu possa tirar bons conselhos sobre viajar com crianças, assim como recomendações para hotéis e resorts que gostam de receber famílias?

Frommer -
Fiquei bem impressionado com WeJustGotBack.com.

Pergunta - Quais dicas o senhor tem sobre dormir no avião?
Frommer - Tapa-olho, tampões de ouvidos e aqueles travesseiros presos ao pescoço que impedem seu queixo de cair quando você cai no sono.

Pergunta - O que fazer quando chegamos a um lugar que foi recomendado por seu guia que realmente não corresponde às expectativas? Há alguma forma de informar isso aos autores?
Frommer -
Recebemos uma quantidade enorme de correspondência de nossos leitores, e apreciamos e ouvimos seus comentários. Também as passamos aos autores de cada guia.

Pergunta - Neste verão, estarei em Pequim para as Olimpíadas. O senhor tem recomendações sobre administrar as enormes multidões e a gigantesca entrada de estrangeiros?
Frommer -
Realmente não acho que essas multidões prejudicarão suas próprias atividades.

Pergunta - Estou atualmente decidindo para onde ir em minha próxima viagem. Já reduzi minhas opções para quatro destinos (Nova Zelândia, Hong Kong, Espanha ou Argentina) e ia começar a jogar dardos no mapa até que esta oportunidade se apresentou. O senhor tem alguma idéia a respeito?
Frommer -
São bons lugares para se visitar, mas nenhum estaria em minha própria lista de "indispensáveis". O que é "indispensável" exatamente? Cada americano, em algum ponto de sua vida, deve ir para a China, participar de um safári africano e visitar o Egito antigo.

Pergunta - A Frommer's pagou pela apresentação proeminente no filme Euro Trip?
Frommer -
Certamente que não. Recebi uma ligação inicial dos produtores do filme perguntando se tínhamos alguma objeção de nosso nome ser usado, e também me ofereceram a chance de fazer o papel de eu mesmo no filme. Quando soube que isso ia requerer ficar em Roma por até duas semanas para proferir minhas duas frases de diálogo, declinei a oferta, e um famoso ator britânico foi escolhido para fazer meu papel. Ele era muito mais bonito. Perguntas e respostas com o profissional Arthur Frommer Deborah Weinberg

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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