Freakonomics.com: hábitos mais saudáveis

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Terceirizando o câncer de pulmão?
O "Wall Street Journal" divulgou recentemente um estudo da Organização Mundial de Saúde sobre o fumo de cigarros em todo o mundo. A matéria do jornal inclui dados da Euromonitor International, uma firma de inteligência empresarial com escritórios em todo o globo.

O relatório da OMS cobre o número de cigarros vendidos no mundo por diversos fabricantes. Estes são os números (em bilhões) vendidos em 2006 pela Philip Morris:

EUA/Canadá: 184

Ásia-Pacífico: 197

Europa Oriental: 229

Europa Ocidental: 242

Uma tabela relacionada, do Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, mostra um acentuado declínio nos índices de consumo de cigarros nos EUA nos últimos 40 anos. Essa queda é notável tanto em termos das porcentagens totais (42,4% dos americanos fumavam em 1965, contra 20,8% em 2006) quanto do número de cigarros consumidos por dia por fumante (de 19,8 por dia em 1974 para 13,9 em 2006).

Você acha que os preços -especialmente os impostos- tiveram alguma coisa a ver com isso? O que as razões por trás da queda poderiam significar para outras regiões do mundo?

Com a contínua e forte demanda global por cigarros, especialmente nos países pobres, a OMS, juntamente com a fundação pessoal do prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, está propondo um enorme projeto global antifumo.

O relatório da OMS pede o "aumento dos impostos dos cigarros, a proibição de fumar em locais públicos, a aplicação de leis contra dar ou anunciar cigarros para crianças, monitorar o uso de tabaco, advertir as pessoas sobre os perigos e oferecer ajuda grátis ou barata para os fumantes que tentam deixar".

A fundação de Bloomberg contribuiu com US$ 2 milhões para o relatório. Enquanto muito se falou sobre Mitt Romney e Hillary Clinton gastarem seu próprio dinheiro em campanhas políticas, parecem ter dado muito pouca atenção ao fato de Bloomberg usar seu dinheiro pessoal para essas causas.

É difícil discutir contra medidas antifumo -a menos, é claro, que você seja Philip Morris.

Stephen J. Dubner

Um ponto para a dieta de Xangrilá
Está em todos os noticiários que pesquisadores médicos da Universidade Purdue em Indiana descobriram que ratos ganhavam mais ou menos a mesma quantidade de peso quando comiam iogurte adoçado com sacarina (80 g em média) ou iogurte adoçado com glicose (72 g). Em ambos os casos os ratos comiam o iogurte antes de seu alimento habitual.

Se é que entendi as conclusões do estudo, os pesquisadores interpretaram seus resultados como evidências de que os adoçantes artificiais enfraqueciam a capacidade dos ratos de fazer a ligação entre o sabor doce e as calorias. No entanto, não vejo realmente como essa análise funciona.

Duvido que o alimento habitual dos ratos fosse doce, para começar. Então por que eles comeriam mais comida não adoçada por causa de uma ligação destruída entre doçura e calorias? Não devo estar entendendo a questão. Parece-me que há outra explicação que se encaixa perfeitamente com as descobertas desse estudo e com a teoria sobre a dieta de Xangrilá de Seth Roberts.

Roberts, um professor emérito de psicologia na Universidade da Califórnia em Berkeley, baseia sua dieta na idéia de que quando você obtém calorias de alimentos carregados de açúcar eles fornecem um sinal para seu corpo comer mais, porque a presença de açúcar significa que deve ser uma época de abundância. Por outro lado, quando suas calorias vêm de fontes alimentares relativamente insossas, elas dizem ao seu corpo para não trabalhar demais para obter comida, porque sua energia será melhor gasta esperando até que a próxima coisa saborosa esteja disponível.

Nesse novo experimento, acrescentar o iogurte saboroso à dieta dos ratos pode ter dito às duas categorias de ratos para comer tudo o que pudessem. Eu também imaginaria que o iogurte adoçado artificialmente era ainda mais doce do que o iogurte com glicose, e nesse caso o sinal para comer mais era mais forte para os ratos que receberam sacarina.

Uma coisa que eu acho peculiar nesse estudo é que alguns dos ratos se recusaram a comer o iogurte, e conseqüentemente foram excluídos do teste.

As conclusões do estudo listam todos os detalhes -a temperatura da sala, os horários em que as luzes eram ligadas e desligadas e assim por diante. Mas, estranhamente, não encontrei qualquer menção sobre exatamente quantos ratos se recusaram a comer o iogurte.

Já que a qualidade aleatória do teste foi baseada em que ratos receberiam os tipos diferentes de iogurte, eu pensaria que os pesquisadores deveriam relatar resultados sobre todos os ratos aos quais se ofereceu iogurte, e não simplesmente os que o comeram.

E desde quando ratos recusam algum tipo de alimento humano? Eu sempre pensei que os ratos comessem de tudo.

Steven D. Levitt Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

UOL Cursos Online

Todos os cursos