Freakonomics.com: Tempo de perguntar

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Cerveja é ruim para a ciência?
Quanto mais cerveja os cientistas bebem, é menos provável que eles tenham trabalhos publicados ou citados, revelou um novo estudo realizado por Thomas Grim, ornitólogo da Universidade de Palacky, na República Tcheca. Grim pesquisou o comportamento dos cientistas tchecos e descobriu uma correlação entre a quantidade de cerveja consumida e o número de trabalhos publicados.

Mas a República Tcheca pode ser apenas uma estranha exceção, de acordo com um artigo do New York Times de março de 2008 que se referia ao estudo de Grim; afinal, o país detém a maior taxa de consumo de cerveja per capita do mundo, acima da Irlanda. Ou talvez, conforme sugeriu o também ornitólogo Mike Webster, da Universidade do Estado de Washington, no artigo, "os cientistas que têm poucas publicações estão afogando suas mágoas."

Aparentemente, dá na mesma beber a cerveja barata Pabst Blue Ribbon ou a mais cara Vielle Bon Secours - o estudo não mencionou que o preço da cerveja fizesse alguma diferença. Outro estudo, feito na Dinamarca, que está em oitavo lugar na lista dos maiores consumidores de cerveja per capita, mostrou uma correlação entre o consumo de vinho e um QI alto - com o oposto sendo verdadeiro para a cerveja.

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

A Internet é mais essencial que a água?
Não para todos, é claro - o lutador de artes marciais mistas norte-americano Brock Lesnar, por exemplo, não chega nem perto da internet. Mas conforme a navegação por celular rapidamente se torna realidade, adoro ver como as pessoas usam a internet para moldar suas vidas em pequena e grande escala. Eis dois exemplos interessantes, que com certeza estão na categoria de "pequena escala":

1. Um website chamado Better Than The Van [Melhor do que a Van], quer
construir uma comunidade que ofereça hospedagem gratuita para bandas em turnê. A idéia é que os fãs de música ofereçam suas casas como abrigo. Como alguém que costumava viajar pelo país de van, tocando em bares com meus colegas de banda, preocupado se teria dinheiro suficiente para pagar a gasolina para chegar na próxima cidade - mesmo nos dias em que a gasolina era barata -, sempre fiquei muito feliz ao encontrar um lugar para ficar, em vez de ter que pagar um motel barato. (Infelizmente, os lugares gratuitos eram quase sempre piores do que as os motéis.)

2. Outro website, chamado Get Drunk Cheap [Fique Bêbado Gastando
Pouco], fundado por três estudantes de engenharia da Universidade de Michigan, "lista os melhores preços de cerveja na área do campus em Ann Arbor para ajudá-lo a encontrar os melhores negócios da cidade!"
Veja mais algumas linhas escritas por Hani, um dos estudantes:

"Nós normalmente temos uma lista de oito vendedores com seus preços, e teremos quase 20 nas duas semanas antes do início das aulas.
Começamos o site porque percebemos que uma quantidade significativa de alunos da universidade bebe cerveja e também quer economizar dinheiro.
Se tivermos sucesso, nosso objetivo é expandir para outros campi.
Também vamos perguntar aos bares e mercados de cerveja locais se eles gostariam de anunciar em nosso site."

É possível que esses dois sites tenham um número significativo de usuários em comum. Eles também têm algumas outras coisas semelhantes:
ambos encorajam a dirigir mais, numa época em que os preços dos combustíveis contribuíram para uma queda no número geral de quilômetros rodados; e os incentivos que os dois sites oferecem também podem levar ao tipo de resultado que mantém os advogados trabalhando.
Mas um pouco de risco torna o mundo excitante, não é?

Stephen J. Dubner

Qual é o futuro do Segway Pólo?
Quando é que uma nova tecnologia ultrapassa a linha do nicho para atingir um mercado maior? Para os novos modelos de transporte, talvez essa linha passe por um campo de pólo. Desde 2004, os entusiastas do Segway (espécie de patinete motorizado) na Califórnia têm organizado partidas de pólo com o veículo (como se fosse o pólo com cavalos). O grupo cresceu e formou a Associação Internacional de Segway Pólo, que promove um campeonato anual chamado Woz Challenge Cup (nomeado a partir do co-fundador da Apple Steve Wozniack).

Intencionalmente ou não, o jogo lembra as primeiras partidas de auto pólo, que ajudaram a popularizar os automóveis por volta de 1910. Um artigo do New York Times de dezembro de 1912 diz que uma partida, que aconteceu no Madison Square Garden em Nova York, deu "o que pensar aos entusiastas dos motores". E a Livraria do Congresso em Washignton, D.C., tem algumas fotos intrigantes dos jogadores de auto pólo em ação.

O auto pólo desapareceu de cena, mas não antes de demonstrar a agilidade, durabilidade e fator diversão daquela novidade que era o automóvel na época. Será que o Segway pólo fará o mesmo?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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