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Freakonomics.com: quem conhece a fórmula da Coca-Cola?

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Quantas pessoas conhecem a "fórmula secreta" da Coca-Cola? Um novo anúncio da Coca-Cola declara que apenas duas pessoas conhecem a famosa fórmula secreta do refrigerante e que, se algo acontecesse a uma delas, a fórmula seria perdida para sempre. Depois, faceiramente, começa a listar todas as coisas terríveis que aconteceriam se a fórmula fosse perdida para toda a eternidade. Talvez eu esteja perdendo meu senso de humor, mas fico irritado toda vez que vejo o anúncio. Primeiro, se duas pessoas conhecem a fórmula e algo acontecesse com apenas uma delas, o segredo não seria perdido. O que o anúncio deve estar sugerindo é que há duas pessoas que conhecem parte da fórmula e que ninguém conhece a fórmula completa. Mais fundamentalmente, é impossível que apenas duas pessoas conheçam a fórmula secreta da Coca-Cola. Se este fosse o caso, os acionistas estariam processando a administração da empresa. As firmas têm permissão de fazer declarações tão absurdas em suas propagandas? Não que importe, mas eu acho estranho que uma firma faça conscientemente tal declaração. Entretanto, a Coca-Cola não é a única empresa a fazer isso. Quando eu estava em um voo outro dia, observei que os headphones que a empresa fornecia traziam uma advertência: "Só funcionam no avião. Por favor, não os removam." Não é difícil entender que tal declaração não é verdadeira. é só olhar para o plugue ou, para uma evidência mais concreta, enfiá-los num iPod e provar que funcionam, como eu fiz. Não são os melhores headphones do mundo, mas ao menos sai som dos dois lados, o que é mais do que eu posso dizer sobre o meu segundo par -até que eu os devolva no meu próximo voo, terão que servir. Steven D. Levitt Ebay e a pilhagem ilegal de antiguidades Os arqueólogos frequentemente se preocupam com saques, e com boa razão. Artefatos roubados de locais históricos alcançam altos preços no mercado negro, o que dá aos saqueadores fortes incentivos para roubarem esses itens. O surgimento do site de leilões da web eBay, portanto, foi um pesadelo para aqueles que se preocupam com a pilhagem. A redução dos custos de transação e o aumento da liquidez do mercado certamente levariam a mais saques, raciocinaram. O impacto do eBay em outros mercados, como cartões de beisebol e bonecas, naturalmente também afetaria as antiguidades... ou será que não? Em um resultado inesperado, aparentemente o eBay teve o efeito oposto na pilhagem. Parece que reduziu a prática, de acordo com artigo fascinante na mais recente edição da revista "Archeology". A razão: independentemente do impacto que o eBay possa ter tido no mercado de antiguidades, este foi minimizado pelo impacto que teve no mercado de falsificações. A avalanche de artefatos falsos afetou o comércio de antiguidades, com os itens de baixa qualidade expulsando os itens de alta qualidade. Além disso, a expansão do mercado deu aos falsificadores maior incentivo para investirem em trabalhos de mais qualidade, aumentando a produção destes ao ponto que os especialistas hoje terem dificuldades em identificar as falsificações. Como escreve o autor no artigo da "Archeology", Charles Stanish: "Em uma loja de antiguidades em La Paz, recentemente vi quatro prateleiras de objetos de cerâmica supostamente de Tiwanaku (entre 1000 a.C. a 400 a.C.). Eu disse à proprietária que a maior parte era falsa, e ela ficou irritada e me chamou de mentiroso. Então, simplesmente apontei para um objeto de cada vez e disse "falso", "verdadeiro de Tiwanaku", "falso", "falso feito por Eugenio de Fuerabamba", e assim por diante. Ela fez uma pausa, pegou um dos que eu tinha chamado de verdadeiro e disse que também era falso. Eu a congratulei pela qualidade das falsificações, e ela simplesmente sorriu. Meu erro foi algo que a arqueóloga Karen Olsen Bruhns, da Universidade Estadual de San Francisco identificou como um verdadeiro problema: os especialistas que devem avaliar os objetos algumas vezes estão sendo treinados com falsificações. Como resultado, eles podem autenticar peças que não são verdadeiras." Mesmo que você não esteja interessado em antiguidades, suspeito que achará essa nota fascinante. Steven D. Levitt Tradução: Deborah Weinberg

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