Uma tendência alarmante

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

O que uma pessoa pode fazer para disparar alarmes no trabalho?

Eu não estou falando figurativamente, mas, sim, literalmente –alarmes de fato disparando no escritório.

Na maioria dos ambientes de trabalho, acender um fogo sob um detector de fumaça, sair por uma porta de emergência ou, talvez, arrombar um cofre dispararia um alarme.

Na sede administrativa das Escolas Públicas de Chicago, entretanto, uma atividade muito diferente disparará os alarmes. Em uma recente visita lá, minha amiga Susanne Neckermann, uma pesquisadora associada do Instituto de Pesquisa Empírica em Economia da Universidade de Zurique, descobriu isso do modo difícil.

Buscando discutir a logística de um experimento de campo que ela estava conduzindo nas escolas, Neckermann descobriu que nenhum dos administradores com os quais esperava falar estava presente. Assim, ela acabou acessando a rede sem fio do departamento para concluir alguns trabalhos, mas logo se cansou dos e-mails. No instante em que Neckermann clicou em um link do Facebook em um e-mail, “um enorme alarme disparou”, ela disse, concluindo que as escolas não “toleram” certos sites. “Em vez de bloquearem esses sites, acessá-los faz com que esse barulho de furar os tímpanos dispare, como um carro do corpo de bombeiros passando diretamente ao seu lado”, ela explicou.

Após deixar rapidamente a página, o ruído parou. Um administrador na sala, que notou a surpresa e embaraço de Neckermann, explicou: “Oh, você tentou acessar o Facebook ou o YouTube? Eles instalaram esse alarme como uma espécie de humilhação pública.”

A ideia da implantação de um alarme é, na verdade, bem interessante do ponto de vista da dissuasão. A forma mais direta de impedir os funcionários de usarem um site em particular no trabalho é apenas torná-lo inacessível pela rede da empresa.

Muitos países islâmicos adotaram essa abordagem: quando estive em Dubai, eu não consegui acessar um site para apostar em corridas de cavalos –uma restrição estranha, já que algumas das maiores corridas de cavalos no mundo acontecem lá.

Apesar de negar o acesso a sites específicos manter os funcionários distantes, substitutos próximos podem estar disponíveis. Por exemplo, se a meta é impedir os funcionários de procurar pornografia, há milhares de sites concorrentes. Pode não ser fácil encontrar uma forma de restringir cada um deles. Na verdade, os funcionários poderiam dedicar mais tempo procurando pelos sites proibidos do que gastariam navegando pelos sites proibidos para começar.

Neste sentido, a abordagem do alarme tem um certo brilhantismo. Ao mesmo tempo que informa os funcionários que certos tipos de site são proibidos e que um alarme será disparado caso acessem um deles, a firma também fornece uma lista incompleta desses sites. Logo, um funcionário não saberia ao certo se dispararia ou não um alarme se acessasse um site que pode ser considerado proibido. Por meio da informação assimétrica que existe entre o funcionário e a firma, esta tem uma ferramenta que trabalha ao seu favor –não contra.

A outra vantagem da instituição de um alarme, diferente do bloqueio puro e simples do site, é no caso de um funcionário realmente precisar acessar um site proibido por uma razão válida e importante. Apesar do alarme tornar a experiência desagradável ao funcionário, pelo menos a opção existe.

Logo, parabéns ao pessoal das Escolas Públicas de Chicago por conceber uma solução inteligente para um problema difícil. Vamos torcer para que ensinem essa inteligência aos seus alunos.

E vamos torcer para que visitar o Freakonomics.com não dispare nenhum alarme.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt são os autores de 'Freakonomics' e 'Superfreakonomics'. O livro mais recente deles é 'When to Rob a Bank... and 131 More Warped Suggestions and Well-Intended Rants'.

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