Chances de vitória de Bernie Sanders diminuíram, mas não seus comícios

Yamiche Alcindor

Em Davis (Califórnia, EUA)

  • Brian Snyder/Reuters

    O pré-candidato democrata à Casa Branca Bernie Sanders faz comício em Vermont

    O pré-candidato democrata à Casa Branca Bernie Sanders faz comício em Vermont

Em um comício realizado em Davis na semana passada, 9.000 pessoas apareceram para ouvir o senador Bernie Sanders falar; algumas delas bem de longe, tentando ver algo do teto de um estacionamento.

Em Palo Alto, na Califórnia, alguns de seus 4.000 fãs ali armaram barracas e abriram guarda-chuvas para se protegeram do sol escaldante. A espera para assistir seu discurso em Irvine, na Califórnia, onde 6.000 pessoas lotaram um anfiteatro, chegava a cinco horas.

Entre os que aguardavam estava Al Pappalardo, 59, um psicólogo escolar, que levara consigo sua filha Alix, 22, para aquilo que ele chamou de "ofensiva final" de Sanders.

"É como uma turnê de despedida", disse Al Pappalardo. "Ela vai olhar para trás e dizer: 'Eu participei de fato. Não fiquei só olhando.'"

As chances de Sanders vencer a nomeação presidencial pelo Partido Democrata vêm diminuindo desde a grande vitória de Hillary Clinton em abril, em Nova York. Com sua vitória no domingo, em Puerto Rico, ela só precisa de 28 delegados para conquistar a candidatura, e ela tem quase certeza de que a garantirá nesta terça-feira (7), quando Nova Jersey, Califórnia e quatro outros Estados realizarão as primárias.

Mas não é o que se poderia deduzir, a julgar pelas empolgadas multidões de apoiadores que ainda correm para ver Sanders defendendo uma transformação da economia dos Estados Unidos e uma revolução política.

Algumas pessoas vão em solidariedade à sua mensagem, e outros porque acreditam em Sanders quando ele diz, contrariando todas as expectativas, que ele ainda consegue conquistar a candidatura na convenção do partido em julho.

Além disso, há muitas outras pessoas que, independentemente de suas previsões para a corrida, vão porque acreditam que será a última vez em que verão de perto esse fenômeno da política.

Hafeez Alam, 26, um engenheiro mecânico de Irvine, disse que sua mãe havia se arrependido de não ter visto Barack Obama pessoalmente em 2008, e que ele não queria ter um arrependimento parecido.

"É meio como quando você ouve sua banda favorita no YouTube e assiste a seus shows e DVDs, mas quando vai a um evento ao vivo, é uma experiência completamente diferente", disse Alam no mês passado, durante o comício de Irvine.

Os comícios de Sanders --ele fez pelo menos um praticamente todos os dias nos últimos dois meses-- não passavam a sensação de uma campanha em declínio. Seus fãs recitam partes famosas do discurso de campanha de Sanders, cantando "Saúde é um direito, não um privilégio", e bradando a quantia média de uma doação para sua campanha: "27 dólares!"

Eles carregam cartazes escritos à mão: "Bernie ou Nada". "Bernie Sensation" [trocadilho com "burning sensation", sensação de ardor]. "Acordem, Estados Unidos. Sintam o Cheiro do Café. It's Berning" [trocadilho com "it's burning", está queimando]. Eles dançam ao som de "Talkin' Bout a Revolution", de Tracy Chapman, e de "Power to the People", de John Lennon.

Ainda há gente vendendo camisetas, bótons e bonés de Sanders. Lauren Steiner, 58, a principal organizadora em Los Angeles para a campanha de Bernie e uma das várias pessoas vendendo camisetas em um comício em Santa Monica, na Califórnia, disse que Sanders tinha só uma "chance mínima" de conquistar a candidatura, mas que valia ter uma camiseta Bernie 2016 de qualquer forma, ao menos por razões sentimentais.

"Tenho uma camiseta que diz 'Impeachment no George Bush' que eu ainda uso", ela disse. "É como um pôster. É como um bóton. Eu guardei pôsteres e bótons de coisas que foram importantes para mim ao longo dos anos".

Sanders, que não quis ser entrevistado, tem de fato insistido na Califórnia, na esperança de que uma vitória no Estado o ajude a persuadir centenas de superdelegados --líderes de partido que podem mudar seus votos a qualquer momento antes da convenção-- a transferirem apoio de Hillary para ele. Aparentemente, há poucas chances de isso acontecer, e os últimos comícios de Sanders tiveram um tom mais agressivo, pontuados por vaias e insultos contra menções sobre Hillary ou Donald Trump, presumidamente o candidato republicano.

Alguns de seus apoiadores, assim como o próprio Sanders, se recusam a admitir uma derrota. "Acho que ele tem boas chances", disse Bianca Villegas, 28, uma auxiliar jurídica de San Diego que foi a um comício no mês passado em National City. "Ele vai ter que brigar muito, mas acho que ele tem votos o suficiente."

Mas muitos percebem que podem estar vendo as últimas aparições de Sanders na campanha. Chuck Hollis, 69, de West Sacramento, que compareceu a três comícios de Sanders nas últimas semanas, disse que alguns amigos zombam dele por estar indo a tantos.

Mas ele disse que fazer parte da multidão "dá muita satisfação" e que ele quer mostrar seu apoio por Sanders "de uma forma muito concreta".

"Ele tem 74 anos e poderia continuar no Senado, mas como está mais velho, não sei se há muito mais que ele possa fazer", disse Hollis. "Mas espero que ele tenha incentivado muitos jovens a continuar e tentar implementar algumas das propostas que ele fez."

Tradutor: UOL

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