Atentado em ônibus em Jerusalém reacende ansiedades após meses de violência

Isabel Kershner

Em Jerusalém (Israel)

  • Christophe Simon/AFP

A explosão de uma bomba em um ônibus em Jerusalém, na segunda-feira (18), feriu 21 pessoas e alimentou um senso de vulnerabilidade entre muitos israelenses, após meses de crescente violência.

As cenas e sons eram familiares: imagens na televisão da carroceria incendiada de um ônibus e o barulho das sirenes, fazendo muitos israelenses lembrarem imediatamente do segundo levante palestino, ocorrido em 2000, quando homens-bomba suicidas explodiam ônibus em Jerusalém e em outras cidades israelenses, matando um grande número de pessoas. Ataques a ônibus passaram a ser raros nos últimos anos.

Descrevendo a explosão como um ataque terrorista, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, cuja imagem como czar da segurança de Israel foi arranhada nos últimos meses, prometeu encontrar os responsáveis.

"Nós descobriremos quem preparou esse explosivo, pegaremos aqueles que o enviaram e também pegaremos aqueles que estão por trás deles", ele disse, acrescentando: "Haverá um acerto de contas com esses terroristas."

O atentado a bomba ocorreu em um momento em que muitos israelenses já estão no limite após seis meses de uma onda de esfaqueamentos, tiroteios e ataques contra veículos por palestinos, que mataram cerca de 30 pessoas.

Mais de 200 palestinos foram mortos pelas forças israelenses durante esse período, segundo o Ministério da Saúde palestino. As autoridades israelenses disseram que a maioria dos palestinos foi morta enquanto realizava ou tentava realizar ataques, e que outros foram mortos em choques com as forças de segurança israelenses.

Diferente dos grandes ataques do segundo levante, que eram planejados pelos principais grupos palestinos, a maioria dos ataques recentes parece ser obra quase espontânea de indivíduos.

"Estamos em uma batalha contínua contra o terrorismo", disse Netanyahu, "terrorismo de facas, terrorismo de tiros, de bombas, de foguetes e até mesmo de túneis".

Ele se referia ao túnel que as Forças Armadas israelenses disseram ter descoberto na segunda-feira e "neutralizado". Indo da faixa de Gaza até território israelense, foi o primeiro desses túneis encontrado desde um cessar-fogo ter colocado fim a 50 dias de combates no território costeiro palestino, em meados de 2014.

Netanyahu parabenizou a descoberta, dizendo: "O Estado de Israel obteve um avanço global na capacidade de localizar túneis". Ele descreveu o avanço como "singular", mas não forneceu quaisquer detalhes sobre a tecnologia envolvida.

Os militares disseram que o túnel foi construído a entre 30 e 40 metros abaixo da superfície pelo Hamas, o grupo militante islâmico que controla Gaza; que ele poderia ser usado para ataques terroristas contra as comunidades na fronteira israelense; e que contava com eletricidade e linhas de comunicação.

As autoridades israelenses disseram nos últimos meses que o Hamas provavelmente reconstruiu grande parte da rede de túneis danificada por Israel durante a guerra de 50 dias. As autoridades também disseram que o Hamas estava tentando restaurar seu estoque de foguetes.

A ameaça dos túneis continua semeando medo nas comunidades israelenses ao longo da fronteira. Alguns moradores relataram ter ouvido barulho de escavação subterrânea.

Alimentando essas ansiedades, o braço militar do Hamas disse em uma declaração que o túnel recém-descoberto "é apenas uma gota no oceano dos preparativos da resistência" visando defender os palestinos.

O Hamas também elogiou o atentado a bomba contra o ônibus em Jerusalém na segunda-feira, mas sem reivindicar responsabilidade por ele. "Nós louvamos a operação em Al-Quds", escreveu a organização em sua conta no Twitter, usando o nome árabe de Jerusalém.

Mais de duas horas depois, Yoram Halevy, o chefe de polícia do distrito de Jerusalém, disse em uma declaração pela televisão que uma bomba causou a explosão, mas a polícia estava cautelosa em afirmar se tratava-se de um caso de terrorismo ou crime.

Avraham Rivkind, chefe da unidade de trauma do Centro Médico Hadassah, em Ein Kerem, na divisa sudoeste de Jerusalém, disse que o hospital recebeu vários dos feridos, que sofreram queimaduras, assim como ferimentos provocadas por pregos e parafusos, ferimentos que, segundo ele, "são familiares de ocorrências do passado em nossa cidade".

Também na segunda-feira, os promotores militares israelenses indiciaram por homicídio um soldado que matou no mês passado com um tiro um agressor palestino, na cidade de Hebron, na Cisjordânia, enquanto este estava deitado no chão, ferido e subjugado.

O tribunal militar suspendeu a ordem que impedia a publicação do nome do soldado, o sargento Elor Azaria, de Ramle, na região central de Israel, e disse que seu julgamento, em um tribunal militar, começará em 9 de maio.

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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