Equipe de Hillary prevê novas "teorias de conspiração" da equipe de Trump

Amy Chozick e Matt Flegenheimer

  • Gerry Broome/AP

Levou apenas poucas horas, após Donald Trump anunciar uma grande mudança em sua equipe na semana passada, para a equipe de campanha de Hillary Clinton adotar um novo chavão.

"Ele vende teorias de conspiração", disse o diretor de campanha dela, Robby Mook, sobre Trump ao canal MSNBC. "Nós ouvimos teorias de conspiração requentadas", ele adicionou momentos depois.

"Ele reforçou isso hoje", disse Mook, concluindo, "ao nomear alguém para comandar sua campanha que basicamente transforma essas teorias de conspiração em sua missão profissional".

Por grande parte das últimas duas décadas, a invocação de uma "vasta conspiração de direita" contra o casal Clinton, como Hillary chamou as alegações de conduta sexual imprópria que envolviam o governo de seu marido, provocava viradas de olhos entre alguns dos aliados do casal.

Não valia a pena amplificar esses ataques respondendo a eles, argumentavam com frequência conselheiros. E qualquer discussão de uma trama secreta para minar os Clinton corria o risco de soar como paranoia, rabugice ou apenas uma tentativa de se esquivar da responsabilidade.

Mas com a nomeação por Trump de Stephen K. Bannon, presidente-executivo do site conservador "Breitbart News", como seu novo diretor de campanha, Hillary e sua órbita expandida sentiram uma oportunidade não familiar: a chamada vasta conspiração de direita pode estar na verdade lhes dando uma mão.

Para aliados de longa data de Hillary, a nomeação de Bannon inspirou emoções conflitantes. Há um senso de vindicação, beirando o surreal, um impulso de "eu não disse?" que não pode ser contido, à medida que os fornecedores de teorias de conspiração assumem as rédeas de uma campanha presidencial republicana de fato.

"Ela estava certa, há essas forças sombrias em ação que atuavam contra ela e seu marido", disse Lissa Muscatine, uma amiga de Hillary e antiga redatora chefe de discursos. "A extensão dela realmente não era percebida pelas pessoas na época, mas talvez agora sim."

Mas após mais de duas décadas de ataques por conservadores, alguns se aproveitando dos próprios tropeços de Hillary, disseram ex-assessores dela, mas principalmente de coisas infundadas, outros temem que uma guinada ainda mais sombria é possível, dados os conselheiros que atualmente guiam a campanha de Trump.

Além de Bannon, Trump também está contando com conselhos de Roger Ailes, o fundador e recém demitido presidente da "Fox News", e Roger J. Stone Jr., cujo livro de 2015, "The Clintons' War on Women" (A guerra dos Clinton contra as mulheres, em tradução livre, não lançado no Brasil), acusava Hillary de ser lésbica, de vilificar as acusadoras sexuais de seu marido e ter um papel na morte de Vincent W. Foster Jr., o vice-advogado da Casa Branca que cometeu suicídio em 1993.

"Isso vai além de qualquer coisa pensada por alguém em seu pior pesadelo", disse Mickey Cantor, um antigo amigo da família Clinton que foi o representante de comércio dos Estados Unidos e secretário de Comércio do governo Bill Clinton, sobre a nova roda conservadora em torno de Trump.

David Brock, um ardoroso defensor de Hillary Clinton, disse: "Os conspiradores dos anos 90 eram um bando desorganizado atuando em sigilo e um subgrupo à margem do movimento conservador".

Brock, um membro desse "bando desorganizado" antes de passar por uma conversão política, acrescentou: "O equivalente atual está mais para um conglomerado do que uma conspiração".

De fato, o site de Bannon, que contou com mais de 18.3 visitantes em julho, segundo dados da comScore, apresenta histórias sobre o "código feminista radical" na linguagem de Hillary; sugeriu que Khizr Khan, que criticou Trump na Convenção Nacional Democrata e cujo filho, um capitão do Exército, foi morto no Iraque, deveria culpar Hillary pela morte de seu filho; e disse que a equipe de Hillary está se esforçando para acentuar "quaisquer vestígios de humanidade que consegue encontrar no coração ambicioso e sem alma dela".

E enquanto Trump questiona a saúde de Hillary, dizendo que ela "carece de vigor físico e mental" para combater o terrorismo, o Breitbart amplifica essas alegações. "Comportamento bizarro, alegações de mal-estar, levantam dúvidas sobre a saúde de Hillary Clinton", dizia uma manchete na semana passada. "Hillary colide", dizia outra, com um vídeo de um breve encontrão enquanto estava no palco com o vice-presidente Joe Biden.

No domingo, Rudy Giuliani, o ex-prefeito de Nova York e um proeminente apoiador de Trump, disse à "Fox News" que os eleitores deveriam ir "online e assistir pessoalmente os vídeos da 'doença de Hillary Clinton'".

O tema é familiar para os veteranos da roda de Hillary.

"Eles sempre alegaram esse 'Hillary está morrendo!'" disse James Carville, vice-estrategista de Bill Clinton na eleição de 1992.

Os assessores de Hillary disseram que seu manual pede por uma ação de forma cuidadosa; ignorar ou repudiar os ataques mais absurdos de Trump, além de também encorajar checadores independentes de fatos em importantes veículos de notícias para desacreditar qualquer um que ameace ganhar força.

Assim que as insinuações sobre a saúde de Hillary Clinton começaram a se espalhar por sites conservadores como o "Drudge Report" e nos próprios discursos e mensagens pelo Twitter de Trump, a campanha dela divulgou uma declaração da médica de Hillary, a dra. Lisa R. Bardack, assegurando que a saúde dela "é excelente" e fornecendo um resumo de seu histórico médico.

Teorias a parte, Hillary Clinton devem ter cuidado ao culpar Trump e seus aliados na mídia conservadora por todos os seus problemas políticos. Afinal, as primeiras questões sobre o relacionamento de Bill Clinton com uma estagiária da Casa Branca levaram Hillary, a então primeira-dama, a sugerir a existência de uma "vasta conspiração de direita", em uma entrevista de 1998 ao programa de TV "Today".

Mas a alegação de Hillary não era totalmente infundada: em meio a uma investigação pelo Congresso, ela e seu marido souberam que uma pequena equipe de advogados tinha trabalhado em segredo para reforçar o processo de abuso sexual impetrado por Paula Jones, ajudando a levar o caso ao gabinete do promotor independente, Kenneth W. Starr. Starr posteriormente ampliou sua investigação para incluir o caso Monica Lewinsky.

Os assessores de Hillary veem uma abertura para repudiar Trump, e seus ataques mais extravagantes, como simplesmente parte da "rede bem lubrificada de vendedores de teorias de conspiração", como um comunicado à imprensa colocou na semana passada.

Joel Benenson, o estrategista chefe de Hillary e analista de pesquisas, observou que os ataques políticos mais eficazes sempre estão enraizados na verdade e são feitos por fontes críveis.

"Os ataques dele estão perdendo a credibilidade, particularmente os mais ultrajantes?" perguntou Benenson. "Eles poderão ter alguns problemas, considerando a fonte."

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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