Apesar da rixa entre sócios, Obama é convidado para clube de golfe

Mark Landler

Em Washington (EUA)

  • Jamie Rose /The New York Times

    Michelle Wie, à esquerda, atrai fãs enquanto joga em uma rodada de qualificação para o Aberto dos EUA no Woodmont Country Club, em Rockville, Maryland, em 2008. O clube exclusivo, principalmente judaico, convidou o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle para se juntar como "membros especiais" do clube

    Michelle Wie, à esquerda, atrai fãs enquanto joga em uma rodada de qualificação para o Aberto dos EUA no Woodmont Country Club, em Rockville, Maryland, em 2008. O clube exclusivo, principalmente judaico, convidou o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle para se juntar como "membros especiais" do clube

Há algumas semanas os sócios de um exclusivo clube de campo de maioria judaica em Maryland, nos subúrbios de Washington, estão emaranhados em uma dura disputa sobre se devem boicotar o presidente Barack Obama, que jogou golfe lá, por causa de suas políticas em relação a Israel.

Na segunda-feira (23), a direção do clube Woodmont Country Club tentou encerrar a briga, enviando aos sócios uma carta para informar que a instituição convidou Obama e sua mulher, Michelle, a entrar como "sócios especiais". Sob esses termos, o ex-primeiro-casal pagaria mensalidades e outras taxas, mas seria poupado da taxa de admissão de US$ 80 mil (cerca de R$ 254 mil).

"No atual momento político profundamente polarizado", escreveu o presidente do clube, Barry Forman, "é ainda mais importante que Woodmont seja um lugar onde pessoas de diferentes opiniões e crenças possam desfrutar de camaradagem e recriação em um ambiente descontraído".

Como presidente, Obama jogou várias partidas de golfe no clube, que fica próximo a um feio corredor comercial em Rockville, Maryland, mas é conhecido por dois reputados campos de golfe de 18 buracos e uma sede social recém-reformada. Obama, que pretende morar em Washington por mais alguns anos, comentou a amigos que Woodmont seria um bom clube para praticar seu esporte após a Presidência.

Mas ele foi apanhado pela política inflamada do Oriente Médio e a comunidade judia dos EUA.

Enquanto muitos sócios ficaram entusiasmados com a perspectiva de sua entrada, uma minoria protestou com veemência que o clube não deveria admiti-lo porque Obama se chocou com o governo israelense, mais recentemente ao recusar-se a vetar uma resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando Israel por construir assentamentos na Cisjordânia.

Obama "criou uma situação em que a própria existência de Israel é fragilizada e possivelmente ameaçada", disse uma sócia, Faith Goldstein, em um e-mail particular a Forman que foi publicado por "The Washington Post". "Ele não é bem-vindo a Woodmont."

Outros sócios defenderam Obama e advertiram que o clube estava arruinando sua reputação. Jeffrey Slavin, um sócio que é prefeito da cidade próxima de Somerset, saiu do clube em protesto, depois de enviar uma carta aberta a Forman pedindo que Woodmont recebesse Obama. "As pessoas contrárias à afiliação do presidente Obama deveriam ter vergonha de si mesmas", escreveu ele.

"Minha intenção foi que a justiça seja feita, e que o clube reaja de maneira adequada", disse Slavin em uma entrevista.

O clube inicialmente não quis comentar, dizendo que não fala sobre deliberações dos sócios. Mas com a notícia da disputa se espalhando até Israel e o Reino Unido, o conselho de governadores e o comitê executivo se sentiram obrigados a tratar do assunto. Após um longo debate, disse Forman em sua carta, o clube decidiu enviar a Obama um convite formal para associar-se.

Forman invocou o legado do clube como um lugar que recebeu os judeus quando eram excluídos por outros clubes na capital do país, e notou que seu quadro de sócios se diversificou em sua história de 103 anos. Ele admitiu a rixa causada pela perspectiva da afiliação de Obama.

"Diante de nosso legado", disse ele na carta, que teve uma cópia entregue a "The New York Times", "é lamentável que tenhamos sido retratados como intolerantes e não receptivos, porque não é o que somos."

Obama não solicitou a afiliação, segundo o clube, e não há indícios de que pretenda fazê-lo. Aliás, o ex-presidente tem jogado golfe em Rancho Mirage, na Califórnia, desde que entregou a Presidência a Donald Trump, na sexta-feira (20). Um assessor graduado do ex-presidente, Eric Schultz, não respondeu a um telefonema na segunda-feira (23).

Enquanto esteve na Casa Branca, Obama jogou golfe quase sempre na Base Conjunta de Andrews, em Maryland. Às vezes ele tentou outros clubes privados em Washington, alguns dos quais eram historicamente exclusivos. Alguns líderes judeus exultaram com a perspectiva de que ele entre em um clube que foi criado para servir às pessoas rejeitadas por outros baluartes sociais.

Tom Nides, um ex-vice-secretário de Estado que é amigo de Obama, apresentou o presidente a Woodmont, do qual é sócio, quando jogou uma partida em 2015 juntamente com John Shulman, diretor de uma firma de capitais privados, e um assessor pessoal, Joe Paulson.

"Toda essa questão é ridícula", disse Nides. "A única coisa que o cara quer é jogar golfe."

Tradutor: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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