Donald Trump dá uma visibilidade presidencial à sua marca

Eric Lipton e Noah Weiland*

Em Washington

  • Al Drago/The New York Times

    Trump National Golf Club em Sterling, no Estado da Virgínia

    Trump National Golf Club em Sterling, no Estado da Virgínia

O fim de semana do presidente Donald Trump começou com uma viagem até o Trump National Golf Club em Sterling, no Estado da Virgínia. Em um dos poucos fins de semana desde a posse que Trump permaneceu em Washington, o presidente jantou no Trump International Hotel, a alguns quarteirões da Casa Branca. Ele foi recepcionado por simpatizantes enquanto entrava e saía da churrascaria do hotel, a BLT Prime por David Burke, junto com sua filha e seu genro.

Na manhã de domingo, Trump estava novamente no campo de golfe da família na Virgínia.

Para Trump, era só mais um fim de semana dando uma visibilidade presidencial aos negócios de sua família, um padrão que começou durante sua transição quando ele atraiu atenção internacional para o Trump National Golf Club em Bedminster, Nova Jersey, ao entrevistar possíveis nomes para seu gabinete ali.

As paradas marcaram o oitavo fim de semana consecutivo —dos 10 finais de semana desde que ele tomou posse— em que Trump visitou uma propriedade com a marca Trump, incluindo seu resort de Mar-a-Lago em Palm Beach. Representantes da Casa Branca disseram que Trump vai a seus clubes e restaurantes porque ele se sente confortável, mas críticos têm argumentado cada vez mais que suas visitas têm sido uma publicidade gratuita e que Trump e sua família estão usando a presidência como uma forma de enriquecer.

"É normal para os presidentes saírem, e isso pode ser um incentivo para pequenos negócios em toda a cidade e em todo o país", disse Robert Weissman, presidente da Public Citizen, uma ONG progressista. "Mas, com o presidente Trump, ele passa seu tempo livre como uma propaganda ambulante de seus negócios. É uma grande mudança em relação à norma histórica e uma degradação do cargo".

Eric Trump, em uma entrevista dada este mês, negou qualquer sugestão de que as visitas de seu pai a propriedades da família representem um conflito de interesses. Mas ele concordou que os bens da Organização Trump —desde Mar-a-Lago, onde o interesse por títulos de sócios aumentou, até seus campos de golfe— estavam indo bem.

"Está tudo dando certo", disse Eric Trump, que, como vice-presidente executivo da Organização Trump supervisiona seus 16 campos de golfe, próprios ou operados por ela, no mundo inteiro. "Acho que nossa marca nunca esteve tão em alta".

Trump fez três visitas ao Trump National Golf Club, uma série de viagens que começou depois que Eric Trump veio a Washington este mês para promover o torneio do PGA Sênior de 2017. Ele será realizado no campo de golfe da Virgínia no final de semana do Memorial Day.

Os ingressos para o evento estão sendo vendidos enquanto Donald Trump empurra o campo de golfe para a frente dos holofotes, seguido por repórteres e fotógrafos no sábado, para uma visita de dia inteiro.

Pouco depois das 11h da manhã do domingo, com repórteres a postos no centro de tênis interno do complexo, Trump fez uma visita rápida ao clube para três reuniões, segundo representantes da Casa Branca. Ao meio-dia Trump já se encaminhava de volta a Washington.

No sábado e no domingo surgiram nas redes sociais fotos de Trump que pareciam mostrá-lo de sapatos de golfe no campo de golfe no sábado, e depois sentado no clube de golfe, durante sua breve visita no domingo, assistindo a uma partida de golfe na televisão.

O "The New York Times" confirmou, através de ferramentas de geolocalização, que os itens foram postados no domingo a partir do Trump National Golf Club. Mas representantes da Casa Branca não responderam a perguntas sobre as fotografias, e não quiseram confirmar se Trump jogou golfe ou não.

A recepção calorosa que Trump recebeu no sábado à noite no hotel dos Trump na Pennsylvania Avenue ofereceu uma pista sobre por que Trump pode estar visitando os estabelecimentos de sua família com tanta frequência: ali ele tem quase garantido um tipo de público entusiasmado que ele nunca encontraria em Camp David, o retiro presidencial nas Montanhas Catoctin em Maryland.

"Continue com seu belo trabalho!", um homem gritou depois que Trump terminou seu jantar no hotel, no sábado.

"Obrigado, Donald! Obrigado, Trump!", gritou outro.

Trump chegou pouco depois das 21h —um repórter do "The New York Times" já estava jantando no único restaurante do hotel— e atravessou o amplo átrio do saguão até o restaurante, o BLT Prime.

Clientes espantados olhavam incrédulos uns para os outros. Um homem que gritava o nome de Trump teve de ser contido pela segurança do hotel. Trump, sua filha Ivanka e seu genro Jared Kushner foram conduzidos até o mezanino, ao ar livre, com vista para o amplo saguão. Hóspedes do hotel se inclinavam sobre os gradis dos andares superiores para olhar o presidente jantando com a família.

Duas horas depois, hóspedes do hotel que estavam no bar e esperando no saguão formaram uma longa fila, na esperança de encontrar o presidente na saída. Trump os atendeu com prazer. Por volta das 23h30, ele e Ivanka foram entreter a plateia, que incluía um adolescente usando um boné vermelho escrito "Make America Great Again" e uma menininha dormindo nos ombros de seus pais.

Depois os gritos deram lugar a dezenas de pessoas entoando "USA! USA!" ("Estados Unidos!")

Alguns minutos depois, Trump embarcou em seu comboio para a breve viagem de volta para casa.

*Com reportagem de Maggie Haberman (Nova York).
 

Tradutor: UOL

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos