A lista de agências que protegem os poderosos

Nicholas Fandos

Em Washington (EUA)

  • Eric Thayer/The New York Times

    Policial em Capitol Hill, em Washington, EUA

    Policial em Capitol Hill, em Washington, EUA

Em uma cidade obcecada pela pompa do poder, eles são o símbolo supremo de status: as equipes de proteção usando escutas e dirigindo utilitários esportivos pretos que acompanham os altos escalões do governo.

Assim, quando veio à tona na semana passada que o secretário da Justiça, Jeff Sessions, ordenou ao Serviço de Delegados dos Estados Unidos que estendesse um destacamento pleno de proteção à secretária de Educação, Betsy DeVos, ao custo de até US$ 1 milhão por mês, muitas pessoas começaram a se perguntar sobre a hierarquia de proteção na era Trump.

A resposta, dada a natureza do trabalho, é difícil de saber. As forças de segurança odeiam discutir a respeito de quem protegem ou quanto isso custa, segundo elas por temor que sua missão seja comprometida.

Mas quando o bilionário Wilbur L. Ross Jr., o secretário de Comércio, sai para jantar em um elegante restaurante em Georgetown, guarda-costas sentam-se nas proximidades. Quando membros do Congresso treinam ao amanhecer em um parque público de Alexandria, Virgínia, para o jogo de beisebol do Congresso, policiais do Capitólio à paisana ficam sentados ali em um utilitário esportivo preto.

O secretário do Departamento do Interior, que foi de cavalo ao seu primeiro dia de trabalho, recorre à Polícia de Parques dos Estados Unidos, mais conhecida por patrulhar os parques nacionais do país, com frequência a cavalo. A proteção de altas autoridades do governo, do presidente ao chefe da Agência de Proteção Ambiental, envolve uma colcha de retalhos de mais de uma dúzia de agências e escritórios federais.

Doug Mills/The New York Times
Agente secreto do serviço americano próximo à residência do presidente Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida


Pode ser mais fácil perguntar quem em Washington não conta com um destacamento de proteção. Mas é possível, com base em documentos públicos, no noticiário e entrevistas com agentes de segurança, fazer um esboço das linhas gerais.

Aqui está o que encontramos.

O modelo para todos

Apesar dos destacamentos de segurança não serem iguais, a maioria busca imitar o Serviço Secreto. Criado nos anos 1860 para combater a falsificação desenfreada de moeda, a agência evoluiu na força de proteção mais conhecida do governo, encarregada de proteger a Casa Branca e muitos de seus ocupantes. Os agentes especiais do Serviço Secreto são tão famosos que a maioria das demais forças federais de proteção costuma ser confundida com ele.

Mas na verdade, a agência protege apenas um pequeno percentual das mais altas autoridades do governo. Além do presidente, vice-presidente e suas famílias, a agência é responsável pelo chefe de Gabinete da Casa Branca, o conselheiro de segurança nacional do presidente, os secretários de Segurança Interna e do Tesouro, ex-presidentes e, ocasionalmente, outras pessoas designadas pelo presidente.

Nos últimos anos a agência se viu envolvida em vários escândalos e está tendo dificuldades em acompanhar a família do presidente, que é grande e viaja pelo mundo com frequência. Mas com um orçamento multibilionário e milhares de agentes, ela ainda é considerada o modelo.

Pessoas com segredos de segurança nacional

Para a grande parte do restante do governo federal, a proteção geralmente é um assunto interno. Ao longo dos anos, a maioria dos departamentos ou criou escritórios especiais para cuidar da tarefa ou recorre a agências já existentes que contam com responsabilidades de manutenção da lei.

Agentes especialmente treinados do Birô Federal de Investigação (FBI, a polícia federal americana) do Departamento de Justiça fornecem proteção constante para Sessions e James B. Comey, o diretor do FBI. Sessions também costuma voar em um avião privado fornecido pelo governo.

Na Agência Central de Inteligência (CIA), agentes altamente treinados e cuidadosamente selecionados protegem seu diretor com uma presença constante, até mesmo ficando alojados em quartos dentro ou perto da casa do diretor. Assim como o secretário de Justiça, o diretor viaja em um jato fornecido pelo governo.

E no Departamento de Defesa, pessoal do Pentágono é responsável pela segurança do secretário Jim Mattis domesticamente e quando ele viaja pelo mundo visitando bases e instalações.

Assuntos de Estado

Os orçamentos dos serviços de proteção até mesmo dessas agências são minúsculos em comparação aos do Departamento de Estado, que precisa proteger os diplomatas do país.

Isso começa em casa, com o secretário de Estado, Rex W. Tillerson, que recebe proteção 24 horas onde quer que esteja pelo Serviço de Segurança Diplomática, segundo Aaron M. Testa, um porta-voz do Departamento de Estado.

Mas o trabalho do grupo vai muito além do secretário. Ele também protege Nikki R. Haley, a embaixadora americana nas Nações Unidas, que tem sede em Nova York. Seus quase 2.000 agentes são membros do Serviço Diplomático dos Estados Unidos, que também fornece proteção para dignitários estrangeiros visitantes. Em 2015, o último ano para o qual há registros plenos, ele formou 195 destacamentos de proteção, disse Testa.

O serviço, que conta com agentes nas embaixadas americanas por todo o mundo, também exerce um papel de apoio significativo na proteção das autoridades americanas quando viajam. Os chamados agentes regionais de segurança ajudam o Serviço Secreto e outras equipes de proteção com trabalho antecipado durante as viagens ao exterior.

Onde os custos estão aumentando

Em fevereiro, em sua primeira aparição pública como secretária da Educação, manifestantes perturbaram DeVos e tentaram impedir a entrada dela em uma escola de ensino médio de Washington. Após esse incidente e a pedido de Sessions, o Serviço de Delegados avaliou que a segurança dela estava em risco, segundo Nikki Credic-Barrett, uma porta-voz.

DeVos passou a receber proteção do serviço, que costuma ser usado pelo Departamento de Justiça, entre várias outras funções, na proteção dos ministros da Suprema Corte quando viajam para fora de Washington.

O Departamento de Educação pagará pelo serviço até US$ 8 milhões até o final de setembro, disse Credic-Barrett. O arranjo foi primeiro noticiado pelo jornal "The Washington Post".

Uma expansão da segurança também está ocorrendo na Agência de Proteção Ambiental, onde os administradores tradicionalmente recebem proteção de porta a porta. Nas últimas semanas, entretanto, a agência requisitou fundos para adicionar 10 membros em tempo integral para formar um destacamento de segurança 24 horas para o atual administrador, Scott Pruitt, como mostram documentos orçamentários.

Tanto DeVos quanto Pruitt foram alvos de grandes e intensos protestos durante o processo de indicação. Eles estão gastando mais em segurança, apesar de seus departamentos serem alvo de alguns dos maiores cortes na primeira proposta orçamentária de Trump.

Se eles são uma exceção, ou parte de uma tendência maior visando mais proteção, é difícil determinar. Os custos de proteção costumam estar enterrados dentro dos pedidos orçamentários dos departamentos, o que dificulta separá-los de outros custos de segurança.

Mas da última vez que a questão foi estudada pelo Escritório de Auditoria do Governo (GAO), em 2000, ele apontou que pessoal de 27 agências diferentes estava protegendo 42 posições diferentes, com frequência com pouca coordenação ou treinamento padronizado.

Até mesmo o Departamento de Agricultura

Muitos departamentos têm escritórios mais estreitamente responsáveis por lidar com a segurança. Elaine L. Chao, a secretária dos Transportes, é protegida por uma divisão especial do Escritório de Inteligência, Segurança e Resposta Emergencial do departamento. (O marido de Chao, o senador Mitch McConnell, republicano do Kentucky, recebe proteção constante da polícia do Capitólio por ser o líder da maioria.)

Um destacamento de proteção para o secretário de Agricultura, que ainda não foi confirmado, fica aos cuidados do Escritório do Secretário do departamento. E Ben Carson, o secretário da Habitação e Desenvolvimento Urbano, conta com um destacamento de funcionários do departamento que o acompanha a eventos e viagens oficiais.

Pessoal de um escritório especial do Departamento de Assuntos de Veteranos protege David J. Shulkin, seu secretário, durante viagens, eventos públicos e visitas, além de também fornecer transporte de casa para o trabalho. O tamanho do destacamento de proteção varia de acordo com a percepção das ameaças, mas geralmente ocupa dois carros.

Outros são mais sigilosos sobre seus arranjos.

"Recursos díspares são usados para proteção contra a disrupção que um ataque ao governo poderia causar", disse John S. Czwartacki, um porta-voz do Escritório de Administração e Orçamento. "Entretanto, não revelarei essas medidas de proteção aqui. Os bandidos também leem o 'Times'."
 

Tradutor: George El Khouri Andolfato

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