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Marcela Sanchez: Nenhum bom motivo

Marcela Sanchez

É a temporada das tradições natalinas: decorar a casa, entoar cantigas, embrulhar presentes e, é claro, perseguir um peru bêbado no quintal. Bem, eu pessoalmente não participei deste último, mas meus pais sim. Quando crianças, eles eram encarregados de correr atrás dos perus que tinham sido embriagados com algumas doses de poderosa aguardente. Parece bárbaro, eu sei, mas a prática já foi muito comum na Colômbia. O motivo exato não está claro - todo mundo parece ter uma explicação diferente: minha mãe diz que a caçada faz o sangue das aves se acumular em sua cabeça, deixando a carne mais branca; uma amiga afirma que isso dilata os capilares da ave, o que amacia a carne; meu pai simplesmente acredita que a carne de um peru bêbado fica mais saborosa. Em outras palavras, não há um bom motivo. É um pouco como a recente visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, à América do Sul. Ahmadinejad, é claro, não é um peru, muito menos bêbado. Mas as diversas explicações de seus anfitriões e seguidores - Bolívia, Brasil e Venezuela - sobre por que ele foi convidado para participar de negociações de alto nível me fizeram pensar que não havia nenhum bom motivo. As autoridades da Venezuela explicaram a visita em termos de laços comerciais e interesses mútuos. Elas citaram a posição comum do Irã e da Venezuela como grandes produtores de petróleo e um desejo comum de contrabalançar o poderio dos EUA. Isto é mais da loucura habitual de Caracas, especialmente considerando que o Irã nem sequer está entre os 50 principais parceiros comerciais da Venezuela - enquanto os EUA são o número 1. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, cumprimenta o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, durante reunião no Palácio do Itamaraty, em Brasília (DF), em novembro último

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