Uso da tecnologia aumenta a atratividade do ensino

José Renato Nalini

José Renato Nalini

Especial para o UOL

Uma professora de Harvard, Katherine Merseth, acredita que ensinar pode ser missão atribuída a todas as pessoas que realmente se interessam pela missão de transformar o mundo. Ela é diretora do programa de formação de professores e se tornou famosa porque faz todas as pessoas quererem dar aulas. Ela recruta profissionais de todas as áreas, da engenharia às ciências biológicas, e se dedica a ensiná-los a ensinar.

Ela acredita que o contingente profissional vindo de áreas variadas eleva o nível nas escolas e promove um salto qualitativo. Seu propósito é tornar a sala de aula um lugar menos maçante e mais eficiente. "Qualquer país deve dispor de suas melhores cabeças para formar gerações capazes de refletir, produzir e inovar", diz.

O incentivo aos que querem se devotar ao ensino é oferecer bolsa, mestrado e prestígio por terem dedicado tempo a uma atividade de alto valor para a sociedade. "Ainda que ambicione a advocacia ou a medicina, o jovem recém-formado também entende que ensinar em uma escola pode ser decisivo para lapidar capacidades hoje tão exigidas no mundo do trabalho, como liderança, resiliência e colaboração", afirma a professora.

Ela reconhece que salário é uma questão nevrálgica. Mas "não se trata exclusivamente de mais dinheiro, mas de poder abrir novas trilhas na profissão e encarar desafios intelectuais cada vez mais complexos e estimulantes".

O magistério é a mais relevante das funções em nossos dias. É que não se pode ignorar "que o ensino não se restringe mais única e exclusivamente a uma sala de aula, mas ocorre em um ecossistema maior, amplificado pelo universo online e pelo computador, que está na vida de todos. Professor e aluno são agora parte de uma rede que os conecta a informações, especialistas e pessoas em geral –que se situam muito além das quatro paredes convencionais". Isso obriga a todos a otimizar o aprendizado. Por isso é que, para ela, o celular é instrumento poderoso de aprendizado.

Katherine Merseth é adepta do uso da tecnologia em sala de aula. Mas há de saber separar o modismo e as soluções inócuas daquilo que realmente funciona. Há indícios do que dá certo. "Uma experiência aparentemente simples, como a antiga folha de exercícios passada do papel ao formato digital, pode abrir várias frentes para a absorção do saber. O computador é capaz de dar um retorno sobre a performance do aluno em tempo real, armazenar essas informações para avaliar o seu progresso, ajustar o nível de dificuldade das perguntas de acordo com o desempenho de cada estudante e ainda, ao menor sinal de tropeço, indicar caminhos na rede para que ele obtenha ajuda rumo à solução que busca. Esse é um exemplo de como a tecnologia pode ceder espaço a um ensino mais individualizado e, quem sabe, mais atraente".

O mais importante é o professor aceitar o desafio e assimilar a possibilidade de obter melhores resultados com o uso de tecnologia disponível e acessível a praticamente todos. Os alunos têm celular, estão continuamente com eles e talvez, com esse novo companheiro, possam aprender mais, com interesse maior e de forma a despertar sua criatividade e a curiosidade intelectual sem a qual ninguém atinge os níveis que a nação espera e dos quais necessita para retomar o seu lugar no concerto dos países desenvolvidos.

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José Renato Nalini

é secretário da Educação do Estado de São Paulo

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