Só governador interino assume candidatura no DF; deputados evitam lançar nomes e apoio para mandato-tampão

Camila Campanerut
Do UOL Notícias

Em Brasília

A menos de um mês para a votação indireta para os cargos de governador e vice do Distrito Federal, os eleitores --os 23 deputados distritais em exercício-- ainda não anunciaram nem indicaram quem serão os candidatos da eleição marcada para 17 de abril. A eleição é para um mandato-tampão de oito meses, após a prisão do governador José Roberto Arruda (sem partido) e do vice dele, Paulo Octávio (também sem partido), que renunciou.

“Meu partido não tem nenhum nome nem candidato. Não posso dizer ainda em quem pretendo votar. Vamos ver quem são os candidatos”, disse a deputada Eliana Pedrosa (DEM), que garantiu que não tem intenção de se candidatar e não recebeu nenhum apoio de sua legenda neste sentido.

As bancadas tucana, democrata e petista estão de acordo em dar suporte a um candidato que não tenha pretensões de disputar as eleições de outubro. “Vou apoiar qualquer um que tenha compromisso em dar continuidade ao prosseguimento do programa de governo, que tem muitas obras serviços importantes, sem ultrapassar a Lei de Responsabilidade Fiscal e não esteja preocupado em fazer campanha”, defende Pedrosa.

“Nós tivemos uma reunião com a bancada, e a posição oficial do PT só vai ser anunciada no dia 5. A gente vai discutir com os demais partidos aliados. O candidato pode ser até de outro partido, desde que garanta o funcionamento do governo e que não seja candidato à reeleição”, afirmou o presidente do PT-DF, Roberto Policarpo.

O deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) afirma que seu partido ainda não indicou candidato. O tucano não pretende ser um deles e concordou com os petistas: “Não acho aconselhável que quem pretenda ser candidato concorra [às eleições]". "O viés eleitoral pode atrapalhar os trabalhos no Palácio [do Buriti]”, completa.

Até sexta-feira (26), nenhum partido realizou inscrições, segundo informações da Câmara Legislativa, que já definiu as regras para interessados a concorrer. As inscrições podem ser feitas até o dia 7 de abril.

Wilson Lima

O governador em exercício do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que pretende se candidatar até o dia 7 de abril – prazo limite estipulado pela Câmara.

“A candidatura de Wilson Lima não é fruto de uma vontade pessoal (...) À frente do GDF [governo do Distrito Federal], como governador em exercício, Wilson Lima tem trabalhado de forma discreta e eficiente para a normalização do processo político. Está garantindo a continuidade das obras, o funcionamento adequado dos órgãos e instituições públicas e tomou a decisão de colocar nos cargos de comando do primeiro escalão técnicos e servidores de carreira, sem indicações políticas e sem partilha de cargos”, disse em nota exclusiva ao UOL Notícias.

Lima alega que “que estava disposto a abdicar do projeto pessoal de reeleição como deputado distrital e que não disputaria qualquer cargo nas eleições de outubro, nem apoiaria qualquer candidato”.

Com esse compromisso, Lima poderá conquistar o voto de antigos colegas de Câmara. O distrital Raimundo Ribeiro (PSDB), por exemplo, não descartou votar em Lima para o pleito. “Eu acho que é um bom nome. Ele mostrou, nos dias em que esteve à frente do Executivo, que suas tomadas de medidas, eu as considero corretas”, destacou.

Algumas consequências da crise

O partido de Eliana Pedrosa, o DEM, foi o que mais se desgastou com a crise política que se instalou no Distrito Federal desde a divulgação da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que levou ao público a denúncia de um esquema de corrupção e pagamento de propina a servidores e prestadores de serviços, conhecida como mensalão do DEM.

Na Câmara Legislativa, dez parlamentares (oito titulares e dois suplentes) são investigados e o ex-presidente da Casa, o distrital Leonardo Prudente, renunciou para não ser cassado e ficou conhecido ao ser flagrado em vídeo, colocando somas de dinheiro nas meias e no paletó.

Além deles, todos os filiados do DEM que trabalhavam no governo do DF foram intimados pela Executiva Nacional do partido a optar entre seus cargos ou pela filiação. O próprio diretório regional do DEM no DF, que era comandado por Paulo Octavio, se “autodissolveu” diante das denúncias e, ainda está processo de ser reestruturado pelo senador Marco Maciel (PE).

De novembro de 2009 até março deste ano, quando a investigação da Polícia Federal foi anunciada, o comando do Executivo do DF teve três governadores: José Roberto Arruda, que se afastou do cargo porque preso no dia 11 de fevereiro e, posteriormente, teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral; o ex-vice, Paulo Octávio, que assumiu como interino e acabou renunciando; e Wilson Lima (PR), que foi eleito presidente da Câmara e subiu ao cargo após a saída de Octávio.

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