Temer reajusta Bolsa Família em 5,67% a partir de julho

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

O presidente Michel Temer (MDB) confirmou, no pronunciamento oficial do Dia do Trabalhador, celebrado nesta terça-feira (1º), que acabou de autorizar o reajuste do Bolsa Família. Após o vídeo de Temer ir ao ar, o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) anunciou que o reajuste será de 5,67% no benefício médio a partir de julho deste ano.

Inicialmente, o pronunciamento do presidente iria apenas ao ar em cadeia nacional de televisão às 20h30, mas o próprio presidente se antecipou nas redes sociais. O pronunciamento tem 4 minutos e 30 segundos.

Temer afirma ainda que encaminhou ao Congresso o projeto do novo salário mínimo para 2019, que segundo ele será o maior da história do Brasil. No último dia 12, o governo propôs um aumento de R$ 48 no valor, de R$ 954 para R$ 1.002. A proposta foi anunciada durante apresentação do projeto de lei de Diretrizes Orçamentárias do ano que vem. 

No início da fala, Temer se inclui entre os beneficiários do feriado desta terça. "Amanhã será o nosso dia! O Dia do Trabalhador. E é com muito trabalho que o Brasil está mudando para melhor. Você tem feito a sua parte. Você tem acordado cedo, se dedicado, se empenhado, e do lado de cá nós também estamos trabalhando duro", afirma.

"Amanhã, o Dia do trabalho, é um dia de reflexão, não é um dia de festa. Nós temos que comemorar a nossa capacidade de trabalho. De resistência, de superação. Só ela vai nos permitir festejarmos amanhã", declarou o presidente, que citou ainda os desempregados. "E você trabalhador que procura trabalho, não perca a esperança."

De acordo com números do IBGE divulgados no último dia 27, o país tem 13,7 milhões de desempregados, maior taxa desde maio do ano passado.

No pronunciamento, o presidente exalta os trabalhadores brasileiros e faz uma defesa do seu governo. "Enquanto alguns passam o dia criticando, a gente passa o dia trabalhando. E nessa data especial, o país agradece a quem faz, a quem produz e a quem realiza. Trabalhadora e trabalhador brasileiro, meus parabéns! Muito boa noite! Feliz Dia do Trabalho amanhã e todos os dias!", conclui Temer.

Quase 14 milhões recebem Bolsa Família

O último reajuste do Bolsa Família foi em julho de 2016. O alvo do programa são famílias extremamente pobres – renda mensal de até R$ 85 por pessoa – e pobres – renda mensal entre R$ 85,01 e R$ 170 por pessoa. Famílias pertencentes à última categoria só recebem o benefício se contarem com gestantes, crianças e adolescentes entre 0 a 17 anos.

Os valores da bolsa atualmente variam entre R$ 39 e R$ 195. Mais de 13,9 milhões de famílias são atendidas pelo programa. Com o reajuste, as linhas de extrema pobreza e de pobreza também deverão ser alteradas.

Segundo o MDS, o reajuste cobre o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado de julho de 2016 a março de 2018, que foi de 4,01%.

Temer diz que investigação da PF é perseguição criminosa

Governo busca agenda positiva

O anúncio do reajuste ocorre em meio à ofensiva de Temer para impor uma agenda positiva do governo enquanto sua imagem sofre o desgaste de inquérito da Polícia Federal no âmbito do STF (Supremo Tribunal Federal).

Na sexta-feira (30), o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem mostrando que a investigação da PF sugere que Temer "lavou" propina por meio de imóveis da família.

O caso é referente ao inquérito dos portos, em que o presidente é suspeito de ter beneficiado empresas do setor por meio da edição de um decreto em troca de propina.

Temer reagiu horas depois, em pronunciamento no Palácio do Planalto, no qual declarou que a suspeita da PF é um "disparate" e uma "perseguição criminosa disfarçada de investigação".

Depois de bater com o punho cerrado no púlpito em que estava por diversas vezes, ele disse que sugeriria ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que investigasse como se deram os vazamentos das informações.

A cobrança logo deu resultado e o ministro divulgou nota avisando que determinou ao diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, "a imediata apuração" do "possível vazamento". À noite, a corporação então informou que instaurou um inquérito, "cumprindo determinação" de Jungmann.

Mais cedo, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou nota à imprensa afirmando que Temer adiou a viagem de dez dias à Ásia para por conta do calendário eleitoral do país, para não prejudicar votações importante no Congresso.

O comunicado informa que a principal votação que pode ocorrer no período é a que define o remanejamento de verbas orçamentárias e "tem de ser votada até 8 de maio para evitar default (calote) do Brasil por garantias oferecidas a exportações em governos passados". "Isso traria imensos prejuízos a toda a economia brasileira", comentou o Planalto.

Este é o segundo pronunciamento de Temer em cadeia de rádio e tevê em um período de dez dias. No dia 20 de abril, o presidente defendeu seu governo e chegou a se comparar a Tiradentes, que foi "acusado e condenado", mas absolvido pela história.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos