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Governador de SC diz que usou 'até remedinhos para piolho' contra covid-19

Carlos Moisés afirmou que usou alguns medicamentos, entre eles a hidroxicloroquina e a ivermectina - Mauricio Vieira / Secom
Carlos Moisés afirmou que usou alguns medicamentos, entre eles a hidroxicloroquina e a ivermectina Imagem: Mauricio Vieira / Secom

Do UOL, em São Paulo

16/07/2020 09h24

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL-SC), afirmou que usou vários medicamentos sem eficácia comprovada na sua recuperação da doença causada pela contaminação com o coronavírus, confirmada por ele mesmo no início de julho. Segundo Moisés, porém, mais de duas semanas após o diagnóstico da covid-19, ele ainda não se sente 100% recuperado.

"Sim, utilizei até os remedinhos para piolho, como diz um amigo (risos)", disse o governador em entrevista ao colunista Upiara Boschi, do portal NSC Total, quando perguntado se usou a hidroxicloroquina, recomendada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no tratamento da doença. Moisés fazia referência à ivermectina, que tem entre os seus usos o combate a piolhos.

"A ivermectina, que já usei muito em animais, tanto na forma injetável quanto comprimidos. É usada para pessoas também. É um vermífugo, mas teria (diz com ênfase) um efeito antiviral. Da mesma forma a hidroxicloroquina, que usei por quatro dias, teria (com ênfase) um efeito antiviral em relação ao coronavírus. Assim como sulfato de zinco, que também teria (com ênfase) um efeito antiviral. Esses três, combinados com a azimotricina", afirmou Moisés.

O governador ressaltou que esses medicamentos não formam um "pacote" contra a covid-19 e que já estão disponíveis na rede pública de saúde. Moisés argumentou que o uso deles tem que ser combinado entre médico e paciente.

"Em comum acordo com seu profissional, que pergunte se você quer usar ou o paciente demonstre interesse no uso, é importante que o médico dialogue, porque alguns pacientes não podem usar todos esses medicamentos", explicou o governador catarinense.

Sobre sua recuperação, Moisés se disse "frustrado" porque o diagnóstico da covid-19 veio justamente no momento que um ciclone extratropical, que ficou conhecido como "ciclone bomba", se aproximava do estado. Segundo a Defesa Civil catarinense, o fenômeno natural causou 11 mortes e R$ 427 milhões em prejuízos.

"Diagnostiquei positivo exatamente quando aconteceu o evento. Fiquei tentando manejar alguma ajuda aos municípios à distância, fiquei um pouco frustrado. Mas era um período que eu precisava, tanto que ainda hoje não estou 100%", contou o governador.

"Linha muito tênue"

Moisés também comentou sobre a recente polêmica criada por cidades catarinenses, que decidiram distribuir o medicamento ivermectina aos moradores até como forma de prevenção contra o coronavírus. Para o governador, há uma "linha tênue" entre o uso por recomendação médica e a adoção dos remédios como política pública.

"No nosso entendimento, o estado disponibiliza para a rede própria. Eles estão na lista do SUS. Para quem vai ser utilizado, é um ajuste entre médico e paciente. Há uma linha muito tênue entre recomendar, prescrever e adotar como política pública e a outra é o diálogo entre médico e o paciente", argumentou o governador.

"Os medicamentos já existem e estão aprovados para uso da população, não para a finalidade que se apregoa (covid-19). Mas não significa dizer que o estado não permite o uso e nem disponibiliza. É permitido o uso, desde que haja diálogo com seu médico. Eu não posso impor essa prescrição, é entre paciente e médico", concluiu Moisés.

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