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Nunes chama de 'idiota' promotor que investiga compra de água superfaturada

Do UOL, em São Paulo

24/03/2025 16h20

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), chamou de "idiota" um promotor do Ministério Público que investiga a compra supostamente superfaturada de garrafas de água pela prefeitura.

O que aconteceu

Nunes disse que o promotor Ricardo Manuel Castro "fica 24 horas gastando energia para as coisas não avançarem". A declaração do prefeito ocorreu durante um almoço do grupo Lide, que reúne lideranças empresariais.

Inicialmente, o emedebista confundiu o nome de Castro, mas depois, à imprensa, corrigiu e disse que se tratava do promotor. "Ele é aliado ao PSOL e fica infernizando. Infernizou a vida do Bruno Covas, infernizou a vida do João Doria, inferniza a minha vida. E ele acha que está tendo alguma vantagem. Não, ele está atrapalhando a cidade", afirmou.

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O prefeito havia sido questionado sobre como não perder "tanta energia com a insegurança jurídica" causada por ações de partidos. Nunes disse que a crítica dele não é à instituição, mas a pessoas que integram o MP ou o Tribunal de Justiça.

Procurado, o MP disse lamentar "toda e qualquer declaração nesses termos". "As divergências relativas à discussão processual não devem e não podem ensejar que as partes envolvidas extrapolem suas críticas para o plano pessoal", afirmou o Ministério Público em nota enviada ao UOL.

Castro assina a denúncia do MP sobre o caso das garrafas d'água, feita no início de março. O MP aponta superfaturamento na compra de garrafas distribuídas para funcionários contratados para trabalhar nas ruas no carnaval de 2024. Cada unidade custou R$ 5,52, muito acima da média do mercado, que gira em torno de R$ 0,65 e R$ 0,90, segundo o MP. O prejuízo aos cofres municipais teria sido de R$ 1.227.240.

A prefeitura diz que já apresentou documentos que confirmam a regularidade da licitação. Na época em que a investigação foi aberta, a administração municipal afirmou que o valor pago por cada garrafa engloba também os gastos com logística e refrigeração.

O ex-governador de São Paulo João Doria (sem partido), um dos fundadores do grupo Lide, estava presente no evento. Em 2018, ele renunciou ao cargo de prefeito para se candidatar ao governo. Também participaram do almoço o presidente do TCM (Tribunal de Contas do Município), Domingos Dissei, os secretários municipais Edson Aparecido (Governo), Orlando Morando (Segurança Urbana) e Angela Gandra (Relações Internacionais) e vereadores.

O que disse Nunes

Não é a instituição, são as pessoas, e, no caso específico, por exemplo, esse José Ricardo [o nome correto é Ricardo Manuel Castro], que é o idiota do Ministério Público, que o tempo inteiro fica perturbando as pessoas e criando situações para poder defender a sua questão ideológico-partidária, e não a defesa do intelectual.

A nossa Defensoria, a instituição Defensoria, é super importante. Nós tivemos três defensoras que fizeram uma ação que destoou daquilo que a Defensoria normalmente faz, que é a defesa do interesse público. São três defensoras que, ideologicamente, fizeram um pedido contrário a tudo aquilo que deseja [sobre proibir o Smart Sampa no Carnaval].

Segurança em foco

O tema do almoço eram estratégias de desenvolvimento econômico, mas Nunes citou programas de segurança urbana. O prefeito falou do Smart Sampa e da mudança do nome da Guarda Civil Metropolitana para Polícia Municipal. Nunes tem explorado o tema em diferentes eventos.

Ele também exaltou parceria do setor público com a iniciativa privada. Em seu discurso, citou nomes de empresários e afirmou que ambos os lados precisam caminhar em sintonia para melhoria da cidade.

Os empresários o receberam com aplausos. Antes de ser chamado para discursar, Nunes foi descrito como "prefeito batalhador". Doria disse que o emedebista é um "grande ser humano". "Não só salvou São Paulo, mas salvou o Brasil com sua vitória", afirmou o ex-governador.


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