Desvios interrompidos

Extinta aos 50 anos, Dersa virou foco das maiores denúncias de corrupção contra o PSDB. Relembre os casos

Aiuri Rebello Do UOL, em São Paulo
Luis Moura/WPP/Estadão Conteúdo

Extinta na noite da terça-feira (10) com 64 votos a favor e 15 contra, a empresa de economia mista Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) virou o maior foco de denúncias de corrupção contra políticos e integrantes de gestões do PSDB em São Paulo.

Era lá que trabalhou como diretor, entre 2007 e 2011, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e apontado como o operador de propinas para figuras como o senador José Serra e o ex-ministro das Relações Exteriores, Aloísio Nunes Ferreira -- que negam relação com os crimes do ex-subordinado, condenado duas vezes em processos da Operação Lava Jato em São Paulo e preso preventivamente em Curitiba por causa de outro processo.

Paulo Preto foi condenado a 145 anos e a 27 anos de prisão por conta dos desvios nas obras do Rodoanel Mario Covas, na região metropolitana de SP. A força-tarefa da operação bloqueou R$ 113 milhões em uma conta ligada a ele nas Bahamas.

O histórico de escândalos na empresa, fundada em 1969, inclui casos desde a década de 1990. Relembre:

Divulgação/OAS Divulgação/OAS

Cartel de empreiteiras

Paulo Preto foi condenado no início deste ano a 27 anos de prisão por comandar o cartel de empreiteiras que construíram o trecho Sul do Rodoanel, em troca de uma propina de pelo menos R$ 30 milhões para o PSDB, segundo os delatores da Lava Jato. De acordo com executivos das empreiteiras envolvidas, foi ele quem sugeriu e organizou o cartel que venceu a licitação para executar a obra.

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 Eduardo Anizelli/Folhapress Eduardo Anizelli/Folhapress

Milhares de desapropriações irregulares

Em outro desdobramento da Lava Jato este ano, Paulo Preto foi condenado a 145 anos de prisão, também por acusações de corrupção nas obras do Rodoanel. Ele teria organizado e autorizado mais de 1.700 desapropriações irregulares durante as obras e desviado dinheiro das indenizações. Uma babá e outros funcionários domésticos do ex-diretor da Dersa chegaram a ganhar apartamentos populares no meio das desapropriações, sem nunca terem tido a nada a ver com a obra.

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Amanda Perobelli/UOL Amanda Perobelli/UOL

Desapropriações repetidas, indevidas e pelo dobro do preço

Geraldo Magela - 9.mar.2017/Agência Senado Geraldo Magela - 9.mar.2017/Agência Senado

Pagamentos de R$ 740 a quadrilha ligada ao PCC

Por ordem de Paulo Preto, aponta o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), a Dersa pagou cerca de R$ 740 mil a integrantes de uma quadrilha ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital) durante as desapropriações para as obras do Rodoanel. A principal testemunha contra o ex-diretor da estatal firmou delação premiada com o MPF (Ministério Público Federal) e entrou para o programa de proteção a testemunhas.

Keiny Andrade/Folhapress Keiny Andrade/Folhapress

Denúncias também no trecho Norte

Em 2018 a Justiça transformou em réus Laurence Casagrande (foto), ex-secretário de Transportes do ex-governador tucano Geraldo Alckmin, além de executivos da Dersa e outras pessoas pelo superfaturamento de R$ 480 milhões nas obras do Rodoanel Mário Covas, desta vez no trecho Norte.

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Nilton Cardin/ Estadão Conteúdo Nilton Cardin/ Estadão Conteúdo

MDB e PSDB

Em outra obra da Dersa, a Rodovia Carvalho Pinto, o prejuízo com a corrupção teria sido de R$ 463 milhões. Segundo delações na Operação Lava Jato, o PSDB teria cobrado de propina para o caixa 2 de campanhas pelo menos R$ 97 milhões em SP.

As investigações apontam que os desvios nas obras da Carvalho Pinto começaram ainda em 1990 e atravessaram cinco governos: dois do MDB (Orestes Quércia e Antônio Fleury) e três do PSDB (Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra). As obras só foram definitivamente entregues em 2018, após 28 anos de trabalhos e R$ 1,5 bilhão de custo.

Outro lado

Em nota, o PSDB de São Paulo afirmou que "nem o partido nem seus dirigentes são réus nos processos em questão e que o PSDB não possui qualquer tipo de vínculo, passado ou presente, com o senhor Paulo Vieira".

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