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Nova vacina experimental contra Ebola é eficaz em macacos

Eddie Keogh
Pesquisador trabalha na produção de vacina contra o vírus ebola no Instituto The Jenner em Oxford, na Inglaterra. Não há sinais de que o vírus ebola esteja em mutação em uma forma acelerada, tornando-se mais resistente, o que poderia desperdiçar os esforços de cientistas empenhados no desenvolvimento de uma vacina. A imagem é de 16 de janeiro Imagem: Eddie Keogh

2015-03-26T17:09:00

26/03/2015 17h09

Uma vacina experimental contra o Ebola mostrou ser eficaz para proteger macacos contra o vírus mortal, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira.

O novo medicamento, apresentado na revista Science, é o que é conhecido como uma vacina de "vírus inteiro".

Isto significa que a vacina é baseada numa forma não ativa do vírus inteiro, em vez de apenas fragmentos, e é mais suscetível de desencadear uma resposta imune ampla.

"A nova vacina difere de outras vacinas contra o Ebola", afirma, em comunicado, a Universidade de Wisconsin-Madison. "Tal como uma vacina de vírus completo inativo, ela deixa o sistema imune do hospedeiro com o complemento total de proteínas e genes virais do Ebola, conferindo maior potencial de proteção".

O vírus Ebola tem apenas oito genes e, como a maioria dos agentes virais, depende da máquina molecular de outros organismos para se reproduzir e tornar-se infeccioso.

A vacina foi desenvolvida em uma plataforma experimental que permite que os pesquisadores trabalhem com segurança com o vírus, excluindo um gene essencial para que o vírus do Ebola se reproduza. O vírus da febre hemorrágica tem apenas oito genes.

Modificando células de rim de macaco para imitar a proteína VP30, os cientistas podem estudar o vírus em laboratório com segurança.

"Em termos de eficácia, esta vacina proporciona excelente proteção", explicou o autor do estudo, Yoshihiro Kawaoka, especialista em vírus da Universidade de Wisconsin-Madison. "É também uma vacina muito segura".

Os testes bem-sucedidos foram realizados em macacos nos laboratórios Rocky Mountain, do Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês), uma academia de ponta em biossegurança em Montana.

Os macacos são muito sensíveis ao Ebola e são, portanto, o melhor modelo para o estudo, disse o professor Kawaoka.

"Se conseguimos proteger estes primatas, significa que a vacina funciona", acrescenta.

O uso de vírus inteiros é uma prática que tem se mostrado eficaz para vacinas contra doenças infecciosas humanas graves, como a poliomielite, hepatite e vírus do papiloma humano responsáveis pela maioria dos cânceres do colo do útero.

A atual epidemia de Ebola, a maior desde o surgimento do vírus em 1976 no Sudão e no Zaire, deixou mais de 10.000 mortos desde janeiro de 2014 na África Ocidental, segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), especialmente em Serra Leoa, Guiné e Libéria.

Até agora, não há nenhum tratamento ou vacina aprovada contra o Ebola. No entanto, duas vacinas promissoras estão atualmente em fase de testes na África.

Trata-se das vacinas VSV-EBOV, desenvolvida pela Agência de Saúde Pública do Canadá, e outra desenvolvida pela farmacêutica GlaxoSmithKline com o Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID).

 

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