Estudo liga obesidade a memória ruim

James Gallagher

Editor de Saúde da BBC News

  • BBC

    Memória menos intensa de refeições recentes pode levar a pessoa a comer em excesso

    Memória menos intensa de refeições recentes pode levar a pessoa a comer em excesso

Um pequeno estudo realizado na Grã-Bretanha sugeriu que pessoas obesas podem ter memória pior do que as magras.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge realizaram testes em 50 pessoas e identificaram relação entre sobrepeso e pior "memória episódica", a habilidade de lembrar experiências passadas.

O estudo foi publicado na revista especializada Quartely Journal of Experimental Psychology. O trabalho afirma que uma memória menos intensa de refeições recentes pode levar a pessoa a comer em excesso.

No entanto, outros aspectos da memória, como conhecimento geral, não foram afetados.

Experiências anteriores em ratos já mostraram que excesso de peso afeta o desempenho em testes de memória, mas estudos em humanos eram inconclusivos até o momento.

As experiências em Cambridge analisaram a memória episódica, a que leva a pessoa a lembrar o cheiro de uma xícara de café ou o tato no momento em que segura a mão de outra pessoa.

Metodologia

Para a experiência, os cientistas recrutaram 50 pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) variando de 18 (considerado saudável) a 51 (muito obeso).

Nos testes, participantes ficavam em frente à tela de um computador e tinham que "esconder" objetos em momentos diferentes e em cenas diferentes que apareciam na tela.

Depois eles tinham que lembrar o que haviam escondido, quando e onde.

Os acertos entre pessoas obesas foram 15% mais baixos do que entre as magras.

"O que estamos sugerindo é que um IMC mais alto reduz de alguma forma a vivacidade da memória, mas eles (os obesos) não estão tendo brancos ou amnésia", disse à BBC Lucy Cheke, da Universidade de Cambridge.

"Mas se eles têm uma memória mais fraca de uma refeição recente, com um impacto menor em suas mentes, então eles podem ter uma habilidade menor de regular o quanto vão comer depois."

Fome e memória

Os hormônios ligados à fome têm um papel muito importante na quantidade de comida que consumimos, mas cientistas já reconhecem que a memória também tem sua importância no processo.

Pesquisas já indicaram, por exemplo, que pessoas que assistem televisão enquanto se alimentam comem mais ou sentem fome mais rápido depois de comer.

E que pessoas que sofrem de amnésia acabam fazendo várias refeições em um período curto de tempo.

"Ainda é muito cedo para falar em conselhos (para a população), mas certamente estamos começando a observar os mecanismos que a obesidade usa para se perpetuar", disse Cheke.

"Concentrar-se no que você está comendo já é uma mensagem (para as pessoas) há muito tempo, mas pode ser um pouco mais difícil se você está acima do peso. Esperamos que, sabendo o que está acontecendo, possamos desenvolver formas de ajudar as pessoas", concluiu a pesquisadora.

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