Cientistas decifram estrutura que envolve material genético do HIV

em Londres

Pesquisadores dos EUA conseguiram decifrar, pela primeira vez, a estrutura química do capsídeo do vírus HIV, o que permitará explorar novos tratamentos para a Aids, informa nesta quarta-feira a revista Nature.

O estudo, feito por especialistas da Universidade de Pittsburgh (EUA), assinala que durante muito tempo os cientistas tiveram problemas para decifrar o capsídeo do HIV, a estrutura proteica que contém o material genético do vírus e que é chave para sua virulência, por isso que estes avanços ajudarão a desenvolver novos fármacos.


"O capsídeo é muito importante" e "conhecer sua estrutura em detalhes pode nos levar a criar novos fármacos que possam tratar e prevenir infecções", afirmou Paijun Zhang, professora associada do Departamento de Biologia Estrutural da Escola de Medicina da Universidade Pittsburgh.

"Nosso enfoque tem a possibilidade de ser uma alternativa poderosa aos nossos atuais tratamentos do HIV, que trabalham atacando certas enzimas, mas a resistência aos fármacos é um enorme desafio devido ao alto nível de mutação do vírus", acrescentou.

Ao descrever o capsídeo, os cientistas indicaram que não é uniforme e assimétrico, por isso que era difícil conhecer o número exato das proteínas que contém.

Para decifrar o capsídeo, os especialistas utilizaram um microscópio com uma resolução de 8 angstrom (alta), e depois analisaram os dados em potentes computadores.

O processo revelou uma complicada grade de três hélices com interações moleculares nas áreas importantes e necessárias para a estabilidade do capsídeo.

Segundo Zhang, o capsídeo é muito sensível à mutação, por isso que tentar alterar seu funcionamento ajudará a desenvolver novos tratamentos contra este mal que afeta milhões de pessoas.

"O capsídeo deve permanecer intacto para proteger o genoma do HIV ao entrar na célula humana, mas uma vez dentro, tem que se desfazer para liberar seu conteúdo para que o vírus possa se reproduzir", acrescentou o especialista.

Zhang explicou que desenvolver fármacos que provoquem uma disfunção do capsídeo pode ajudar a impedir que o vírus possa se reproduzir.

 

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