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Novo tratamento aumenta sobrevivência em casos de câncer de colo do útero

Em Barcelona

12/03/2014 12h18

Um novo tratamento desenvolvido e testado em um hospital de Barcelona melhora a sobrevivência das pacientes com câncer de colo do útero e reduz 30% a taxa de mortalidade por esse tipo de tumor.

A oncologista ginecológica e coordenadora do estudo, Ana Oaknin, explicou que os cientistas compararam "a eficácia do tratamento convencional baseado em quimioterapia com outro tratamento" ao qual acrescentaram "um novo agente, um anticorpo monoclonal, que inibe a angiogênese", ou seja, a formação de novos vasos sanguíneos e o crescimento dos tumores.

A pesquisa, publicada hoje pela revista The New England Journal of Medicine, marca, segundo a cientista, a primeira vez que um tratamento médico conseguiu prolongar a sobrevivência dessas pacientes em mais de 12 meses.

Segundo Oaknin, o novo tratamento aumenta em quatro meses a sobrevivência global de uma doença que tem uma incidência baixa, mas que afeta mulheres entre 30 e 40 anos.

O estudo foi realizado com uma amostra de 452 pacientes com câncer de colo do útero em 164 hospitais americanos e espanhóis.

Segundo Oaknin, "até 2009, ano em que começou o teste clínico, era muito difícil que essas pacientes vivessem mais de um ano, mas conseguimos prolongar sua sobrevivência em 17 meses".

Uma das pacientes que já provou o novo tratamento é Stania García, que revelou que após receber o anticorpo se sentiu "bem, em geral com muita energia" e que agora pode "sair de casa, correr e passear".

"Me sinto muito melhor, porque com o tratamento anterior estava muito cansada", compara a paciente.

O câncer de colo do útero é diagnosticado a cada ano em cerca de 500 mil mulheres no mundo, das quais a metade morre, 90% delas nos países em desenvolvimento.

Até agora, quando fracassava o tratamento padrão (cirurgia em estágios iniciais e uma combinação de quimioterapia e radioterapia em estágios avançados), as pacientes com câncer de colo do útero tinham como única opção a quimioterapia convencional, mas sua sobrevivência era de aproximadamente um ano.

Embora o câncer de colo de útero seja a principal causa de morte em mulheres jovens, as taxas desse tipo de doença nos países desenvolvidos diminuíram drasticamente graças ao rastreamento que se realiza através de citologia (estudo das células) e dos teste de vírus do papiloma humano (HPV).