'Há situações em que modelo animal vai ser mesmo indispensável'

O desenvolvimento de métodos alternativos é bem-vindo pela maioria dos cientistas, mas poucos acreditam que eles poderão substituir por completo os modelos animais. “Não tem como simular toda a complexidade de um organismo numa cultura de células ou num computador”, diz o imunologista Jean Pierre Peron, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo, responsável pelos experimentos com camundongos que ajudaram a comprovar, no início deste ano, uma relação causal entre o vírus da zika e más-formações no cérebro de bebês.

A resposta da ciência à epidemia de zika é um bom exemplo da complementaridade dos testes in vitro (com células) e in vivo (com animais). As primeiras evidências concretas de que o vírus interferia no desenvolvimento do sistema nervoso vieram de estudos in vitro com organoides celulares - conhecidos como “minicérebros” -, mas a prova definitiva só veio mesmo com a reprodução do fenômeno em camundongos.

Peron injetou o vírus em fêmeas prenhas e observou que parte dos seus filhotes nascia com más-formações no cérebro semelhantes às de bebês humanos com microcefalia. “Como é que você vai demonstrar isso sem o modelo animal? Não tem como”, argumenta o cientista.

Situações

Os organoides são um avanço importante, tanto para teste de medicamentos quanto para pesquisa básica de doenças, “mas há situações em que o modelo animal vai ser mesmo indispensável”, avalia o pesquisador Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, que foi o primeiro a mostrar que o vírus da zika era capaz de matar neurônios - usando “minicérebros”.

“Não vejo substituição total, mas o avanço dos métodos alternativos nas próximas décadas será enorme”, diz José Mauro Granjeiro, do Inmetro.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Herton Escobar

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