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Secretaria confirma morte de estudante de 15 anos por febre maculosa em Salto (SP)

Divulgação/ Facebook
Mãe postou homenagem no dia do aniversário de Laura Bertajoni Vicente, morta por febre maculosa Imagem: Divulgação/ Facebook

José Maria Tomazela

Em Sorocaba (SP)

10/08/2018 17h37

A febre maculosa causou a morte de uma adolescente de 15 anos em Salto, interior de São Paulo. Esse é o 19º óbito em consequência da doença no estado desde abril deste ano. A estudante Laura Bertajoni Vicente morreu no último dia 29, mas o motivo da morte só foi confirmado nesta quinta-feira (9) pela Secretaria de Saúde do município.

A doença é transmitida pelo carrapato-estrela, que se hospeda principalmente no corpo de capivaras. Conforme a família, a adolescente andou de bicicleta na orla de um lago da cidade onde teria sido registrada a presença desses animais.

A estudante morreu nove dias após surgirem os primeiros sintomas. Ela havia reclamado de dores de cabeça, segundo os familiares, e chegou a ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Campinas, mas o quadro se agravou.

No dia 24 de julho, durante a internação, Laura completou 15 anos e sua mãe postou em rede social uma homenagem à filha. A garota já estava em coma induzido. O atestado de óbito aponta choque séptico e faz menção à febre maculosa.

Somente na região de Campinas foram registradas 19 mortes pela febre neste ano, conforme dados das secretarias municipais de saúde.

Americana tem o maior número de casos, com nove mortes confirmadas. A prefeitura interditou 15 áreas consideradas de risco, entre elas pontos turísticos e pesqueiros. Em Pedreira, foram confirmadas duas mortes este mês --um adolescente de 17 anos e uma mulher de 60. Paulínia, Limeira, Santa Bárbara d'Oeste, Cordeirópolis e São Pedro também confirmaram óbitos. Em Valinhos, um adolescente adquiriu a doença, mas se curou. A prefeitura instalou placas em locais de risco.

A morte da estudante em Salto indica que a doença está se espalhando pelo estado. Um idoso de Sorocaba, de 77 anos, morreu no dia 21 de julho com febre maculosa, após pegar o carrapato numa área de pesca.

Conforme o médico infectologista Rodrigo Nogueira, da Vigilância em Saúde de Campinas, a partir da picada do carrapato, a bactéria causadora da doença infecta os vasos sanguíneos e a doença tem evolução muito rápida.

A chance de cura é maior quando a doença é diagnosticada no início, daí a necessidade de atenção quando as pessoas vão para áreas habitadas por capivaras.

O Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde do Estado informou que os números de febre maculosa este ano ainda são menores que em anos anteriores. Em 2016, foram notificados 64 casos e 37 óbitos e, em 2017, foram 39 casos e 32 óbitos.

Conforme o órgão, cabe aos municípios o trabalho de campo para controle da doença, bem como a investigação dos casos.