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Conheça os mitos e verdades sobre a alimentação na gravidez

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Imagem: Thinkstock

Cintia Baio

Colaboração para o UOL

17/11/2015 06h05

Durante a gestação, amigos, familiares e até desconhecidos costumam encher a futura mamãe com sugestões e palpites. Todo mundo tem uma dica infalível para o fim do enjoo, para descobrir o sexo do bebê ou para garantir o crescimento saudável da criança. Mas um dos principais debates envolve o que é ou não permitido comer ao longo dos nove meses.

Aquela velha história de que grávida não deve se preocupar com a balança, uma vez que está comendo por dois, é a primeira na lista de mitos. "O ideal é a gestante ganhar de 9 a 13 quilos. Pacientes com baixo peso podem engordar até 15 quilos. Já obesas ou com sobrepeso devem fazer um controle rigoroso do peso, para ganhar o mínimo possível sem prejudicar o desenvolvimento fetal", explica o ginecologista Ricardo Luba. Para saber o que é verdade entre tantos conselhos, quatro especialistas responderam às principais dúvidas sobre a alimentação nesta fase:

Carne crua ou mal passada
Ao consumir carnes cruas ou mal passadas existe o risco de transmissão de toxoplasmose, uma doença causada por um parasita que pode causar aborto ou má formação do feto. O quadro é grave quando a gestante não apresenta imunidade ao parasita, ou seja, nunca entrou em contato com ele no passado. Os sintomas são parecidos com o da gripe e apenas exames de sangue conseguem indicar a doença. Portanto, as gestantes precisam ficar longe de pratos como carpaccio e quibe cru.

Comida japonesa
O peixe cru não é recomendado durante a gravidez. "Prefira outros pratos da culinária japonesa que sejam preparados com carnes cozidas", diz Luciana da Costa, gerente de nutrição do Hospital e Maternidade Santa Joana. No entanto, ingerir o alimento não causa aborto ou má formação do feto, como dizem. O ideal é não optar pelo peixe cru para evitar possíveis intoxicações alimentares.

Café preto e ingredientes com cafeína
Os estudos sobre os impactos da cafeína na gestação ainda são conflitantes. Mas o consumo de até 200 mg por dia, o equivalente a 300 ml de café, não demonstrou risco. "Quantidades maiores podem estar associadas a baixo peso ao nascer e maior risco de aborto espontâneo, bem como insônia, irritabilidade, dores de cabeça e desidratação da mãe", explica Luciana.

Uma taça de vinho
Não existem estudos definitivos que indiquem qual é a quantidade segura para consumo de álcool tanto na gestação quanto durante a amamentação. No entanto, algumas pesquisas indicam que o consumo em grande quantidade de bebidas alcoólicas pela gestante pode provocar atraso mental, hiperatividade, dificuldade de aprendizagem, entre outros problemas para a criança.

Comer chocolate antes de fazer um exame de ultrassom
Por ser um alimento de alta carga glicêmica (muita quantidade de açúcar por porção), o consumo pode estimular a movimentação do bebê em gestantes que estiverem de jejum prolongado. Seguindo esse raciocínio, qualquer alimento com alta quantidade de açúcar poderia promover essa alteração em gestantes em jejum", diz a nutricionista Dafne Oliveira. Vale lembrar que o chocolate pode ser um aliado na gestação, desde que consumido em pequenas quantidades. "Comer até 30 gramas de chocolate amargo por dia é benéfico para a gestante pelo teor antioxidante do cacau", explica a nutricionista Hannah Médici.

Chás
Embora alguns chás tragam a sensação de relaxamento, eles não são, geralmente, indicados para gestantes. Alguns, como o de canela e cravo da índia, podem ser abortivos por causar constrição sanguínea e dos músculos do útero. Outros, como o chá preto, podem acelerar o metabolismo e causar palpitações cardíacas. É claro que os efeitos só serão sentidos quando as bebidas forem ingeridas constantemente e em grandes quantidades. Por isso, vale conversar com o obstetra para saber o que você pode ou não beber.

Águas aromatizadas e sucos
Recomenda-se o consumo de 1,5 a 2 litros de água por dia. Com isso, a gestante garante uma melhor circulação sanguínea e a irrigação do útero e da placenta. Além disso, a água ajuda a estabilizar a pressão arterial, eliminar toxinas e manter o líquido amniótico em níveis satisfatórios. Sucos e águas aromatizadas também entram na conta.

Refrigerante
Assim como o consumo exagerado de café não é permitido, outras bebidas cafeinadas e industrializadas, como chá verde, energéticos e refrigerantes à base de cola, devem ser evitadas pela gestante. Segundo o ginecologista Ricardo Luba, a atenção deve ser redobrada no primeiro trimestre. "Após os três primeiros meses, o consumo deve ser moderado".

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