Médica que recusou atendimento chora na delegacia, e diz não se arrepender

Carolina Farias

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Fábio Motta/Estadão Conteúdo

    Haydée Marques reafirmou à polícia não ter dado atendimento por não ser pediatra

    Haydée Marques reafirmou à polícia não ter dado atendimento por não ser pediatra

A médica Haydée Marques da Silva, acusada de não prestar atendimento ao menino Breno Rodrigues Duarte da Silva, de 1 ano, na quarta-feira passada (7), prestou depoimento nesta segunda-feira (12) na 16ª Delegacia Policial, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A profissional chegou por volta das 10h30 à unidade, e seu depoimento durou cerca de quatro horas. À polícia, ela disse que não atendeu o menino porque não é pediatra, e chegou a chorar.

"Não estou arrependida porque não fiz nada de errado do ponto de vista do código de ética médico. Estou triste, sentida, muito abalada pela criança ter morrido", disse a médica ao sair da delegacia.

Haydee explicou porque não atendeu a criança.

"Não sou pediatra, é um bebê, uma criança especial, com uma síndrome que eu nem sei do que se trata. Quando há código vermelho (usado para classificar situações de emergência) que há risco de morte, tudo bem, eu atendo, mesmo eu não sendo pediatra. Nesse caso não. Não havia risco de vida, a classificação era 2 Ps (código para situação menos grave), foi pedida outra unidade", explicou.

Breno morreu uma hora e meia após a ambulância de Haydée deixar o condomínio em que a família morava sem prestar socorro ao bebê.

Por volta das 16h30, a médica deixou a delegacia sob gritos de "assassina".

Os pais do menino, Rhuana Lopes Rodrigues e Felipe Duarte, foram chamados pela polícia na tarde desta segunda para prestar novo depoimento. O advogado da família, Gilson Moreira, disse esperar que a médica seja indiciada por homicídio com dolo eventual --quando o crime é praticado sabendo do risco de haver morte.

"Ela disse que não o atendeu porque não é pediatra. Disse que não atende crianças. Mas ela é médica, teria que atender", afirmou Moreira.

Criança tinha doença neurológica

Breno, que sofria de uma doença neurológica chamada síndrome de Ohtahara (uma epilepsia muito severa), morreu uma hora e meia depois, esperando outro atendimento médico.

A ambulância com a médica ficou aproximadamente três minutos no condomínio onde Breno morava, na Barra, zona oeste do Rio.

"A ambulância chegou umas 9h10 e saiu umas 9h13, [ela] nem desceu da ambulância. A questão não é que tinha que esperar a segunda ambulância. Ela tinha que ter atendido naquela ambulância", disse Moreira.

O advogado vai entrar com uma ação civil de reparação por danos morais contra a Cuidar, empresa que presta serviço de ambulâncias para a Unimed, empresa com a qual a família tinha convênio para atender Breno.

"Também vamos pedir celeridade no procedimento administrativo que abriram para investigá-la. Queremos saber por que ela não foi penalizada por outras situações", afirmou Moreira.

Em 2010, a médica foi acusada de agredir uma paciente e foi condenada, por lesão corporal leve, a cumprir pena alternativa, mas não a cumpriu, segundo a delegada Isabelle Conti.

Uma outra família também denunciou Haydée por negligência, após ver o caso de Breno na imprensa.

Há um ano, a médica teria deixado um paciente, portador de uma doença degenerativa grave, sem oxigênio por alguns minutos durante sua transferência para o hospital. Ele sofreu um dano cerebral e morreu na instituição médica um mês depois.

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