Topo

Coluna

Emiliano Agazzoni


Como startups brasileiras podem destravar a mobilidade urbana no país

Divulgação
E-Moving, que aluga bikes elétricas, pode ajudar a combater congestionamentos Imagem: Divulgação
Emiliano Agazzoni

Empresário, mentor e Head of Experience da Distrito no Brasil, Emiliano já operou e abriu 8 espaços de coworking nas cidades de São Paulo e Curitiba como Plug, Cubo e Distrito. A partir de 2013 foi um dos organizadores do Silicon Drinkabout São Paulo e, desde 2017, lidera a expansão da comunidade pelo Brasil e América Latina. Foi gerente de abertura da rede de hotelaria Che Lagarto, abrindo unidades no Brasil, Uruguai e Argentina. Foi professor e consultor de empresas em várias regiões da Argentina. Hoje também é representante no Brasil da TecnoSur, uma organização que fomenta a aproximação dos ecossistemas latino-americanos de startups. Convive semanalmente com mais de 600 empreendedores e 150 startups. Nesta coluna, Emiliano vai contar como as startups podem mudar sua vida e gerar impactos no seus negócios.

2018-07-13T04:00:00

13/07/2018 04h00

Esta nova coluna tem o propósito de apresentar quais são os negócios disruptivos que estão resolvendo grandes problemas no Brasil com o uso da tecnologia. Para este primeiro texto, vasculhei todas as startups ligadas à mobilidade no mercado brasileiro e selecionei três para mostrar como elas estão impactando nosso dia a dia.

Nos últimos tempos, a discussão sobre mobilidade tem se tornado tema central das administrações públicas das cidades no mundo inteiro. Foi agenda dos últimos governos nas principais cidades da América Latina e a ainda é uma questão não resolvida integralmente. Países como Argentina, Chile e Brasil têm investido e colocado seus esforços neste item fundamental para uma vida mais saudável na cidade.

VEJA TAMBÉM

Quando falamos de mobilidade, um dos principais problemas é o sistema de transporte público como ônibus, metrô e trem. Esses três meios se conectam ao longo da cidade para facilitar a opção coletiva de transporte. Deve existir inteligência na conectividade para que o sistema seja efetivo e toda a população da cidade tenha acesso. Corredores exclusivos para ônibus - onde também podem circular os táxis oficiais -, ciclofaixa para ciclistas, regras de velocidade, semáforos sincronizados... tudo isso é parte do algoritmo para que o sistema de transporte coletivo seja mais rápido que a opção de carro individual.

Mas nem sempre o transporte coletivo tradicional nos ajuda a resolver questões de mobilidade quando enfrentamos problemas com a escassez de combustível ou frotas reduzidas, como aconteceu recentemente no Brasil. Caronas e bikes elétricas são ótimas alternativas (também) em momentos assim.

O governo não pode e nem deve ser o único responsável para resolver uma questão que envolve toda a população. As startups estão aí para isso - nos ajudar a criar melhorias e resolver problemas que, usualmente, levariam muito tempo para serem resolvidos. Dentro do tema "mobilidade", as startups estão mudando a forma como nos movemos na cidade. (Dando um passo atrás para quem ainda não está habituado com o termo, as startups são empresas privadas que ainda estão testando o mercado, aperfeiçoando seus produtos e atendem uma demanda específica com foco absoluto em resolver os problemas à que se propõem).

Gustavo Gracitelli, CEO do Bynd, compartilhou com o UOL Tecnologia uma estatística que mostra que, em São Paulo, 64% dos motoristas vão ao trabalho com os automóveis praticamente vazios e apenas um assento ocupado – o próprio. Obviamente isso é parte do problema dos longos congestionamentos, por isso, a startup Bynd criou uma solução que funciona por meio de um aplicativo e tem um algoritmo proprietário e único no mercado que considera possibilidades de carona por proximidade de origem/destino e por rota, além do perfil de interesses dos usuários.

Essa solução também conta com inteligência artificial que aprende conforme as preferências de cada usuário, entregando mais e melhores possibilidades de carona quando comparado com soluções e algoritmos tradicionais. Trata-se da primeira startup que está revolucionando o mercado de caronas no Brasil.

Logo após o primeiro ano de operação, o Bynd já era a maior rede de caronas corporativas do Brasil, com mais de 25 mil usuários. Além disso, o Bynd foi escolhido dentro da COP 21 (Conferência de Clima e Sustentabilidade da ONU em janeiro de 2016) como a segunda melhor solução global para redução de emissões de carbono em grandes cidades, e, em setembro de 2017, foi selecionado pela ONU (WFUNA) e pela Governo de Seul para auxiliar na resolução dos problemas de mobilidade da capital da Coréia do Sul.

Em novembro de 2017, o Bynd recebeu o prêmio de melhor startup do ano no prêmio PARAR 2017, destacado-se pela criatividade e inovação de sua proposta. Grande orgulho de uma startup brasileira gerando impacto positivo na mobilidade no nível global.

Bikes também ajudam

Outro exemplo de mobilidade das cidades é a bike. Quando cheguei em São Paulo em 2013 me impressionou como uma cidade tão grande, com tantas vias de conexão de um bairro para o outro, de uma região para a outra, não tinha um sistema de ciclofaixa que permitisse às pessoas circular mais livremente, sem trânsito, com a possibilidade de chegar mais rápido em diferentes lugares.

Em alguns anos, parte de um sistema de ciclofaixa foi construído e, hoje, você consegue se locomover da Barra Funda até a Berrini sem compartilhar a rua com os carros. Este sistema gerou uma explosão de bikes na cidade e milhares de pessoas saíram pedalando pelas ruas. Eu fui (e sou) um desses. Esta tendência frenética das bikes fez com que o mercado de vendas pudesse disponibilizar diferentes opções, cada uma para um determinado gosto e propósito.

Já existem bikes minúsculas flexíveis, bikes tradicionais onde grandes marcas lançaram novos modelos, outras mais esportivas, sem falar nas bikes  vintage que criou um nicho pouco explorado até o momento. Uma das escolhas que mais ganhou força nos últimos dois anos foi a bicicleta elétrica. O valor para aquisição é alto (quatro vezes o valor de uma bike normal), mas existe uma opção de aluguel mensal, onde a bike fica com você e custa menos do que um vale transporte mensal. O segundo exemplo de startups que está mudando a mobilidade nas cidades é a E-Moving.

O paulistano Gabriel Alarcon, fundador da E-Moving, conta que quando trocou o carro pela bicicleta, passou a economizar mais de 14 horas por semana em comparação com o trajeto que fazia com o veículo motorizado e poupou mais de R$ 750 por mês com gasolina e estacionamento. Sua empresa desenvolveu uma bike elétrica para aluguel a partir de R$ 199 mensais (no plano anual) e a bike fica sempre com você.

Não é bacana?! Foi um modelo pensado para escalar e engajar as pessoas com o uso das bikes. Com uma bike elétrica você se locomove sem pedalar a maior parte do tempo, não transpira, não se cansa e chega mais rápido (foi por isso que troquei minha bike tradicional por um elétrica).

E-Moving tem a bicicleta mais leve do mercado, com motor que vai de 250 a 350 watts de potência e autonomia para rodar 25 quilômetros. Para Gabriel, a principal missão da E-Moving é devolver tempo e, consequentemente, qualidade de vida para seus clientes por meio da mobilidade urbana sustentável. “Com a diferença das horas desperdiçadas para se deslocar de carro e de bike, no ano passado, a gente calculou que devolveu 15 dias do ano para o nosso cliente, alguns relatam até 25.”

Fora isso, o empreendedor diz que seu público deixou de emitir 470 toneladas de CO2 na atmosfera, o equivalente, de acordo com o fundador, a sete Maracanãs cheios de árvores. Hoje, são mais de 500 bikes elétricas no modelo de aluguel mensal na cidade. Ainda é pouco, então bora fazer um teste! Eu  super recomendo. Economizo 15 horas da minha semana e é bem mais agradável que o transporte público.

Carros elétricos

Uma outra startup, nesta caso da cidade de Curitiba, que está revolucionando o mercado de carros no Brasil é a HiTech Electric, a primeira montadora brasileira de veículos elétricos que oferece modelos de carros e caminhões acessíveis e focada em inovação para países de economias emergentes.

Rodrigo Contin, CEO da HiTech, conta que a proposta está voltada para o público empresarial, frotistas e compartilhamento. "Também estamos com bastante sinergia com governos. Estes são os chamados early adopters neste mercado, ou seja, o público que está de fato mais preparado para comprar veículos elétricos atualmente no Brasil. O nosso produto é excepcional para este mercado, pois gera uma redução de custo operacional enorme, facilita a operação entregando muito mais tecnologia e automação e, claro, é a solução sustentável e de impacto que as empresas mais responsáveis, atentas e inovadoras estão buscando".

O que mais gostei da proposta da HiTech é que vão lançar um portal para a compra online de veículos e também disponibilizar um serviço chamado ‘Mobilidade como Serviço’ (MaaS – Mobility as a Service) onde usuários poderão pagar pela utilização do veículo, individualmente ou em grupos.

Estas startups que vem impactando a vida das pessoas nas cidades são apenas 3 exemplos dentre um número imenso de startups da área de mobilidade. Easy Taxi, 99, Cabify, Uber, Lady Driver, Movme, Yellow e Bixki, são outros exemplos de serviços que chegaram para revolucionar e melhorar a forma como nos deslocamos na cidade.