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Um mês após escândalo no Canadá, outro diretor da Huawei é preso na Polônia

Bruna Souza Cruz/UOL
Diretor foi preso por suspeita de espionagem Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo*

2019-01-11T12:32:04

11/01/2019 12h32

O departamento de segurança nacional da Polônia prendeu nesta sexta-feira (11), em Varsóvia, o chinês Weijing W., diretor da Huawei, sob suspeita de espionagem. Além dele, um polonês identificado como Piotr Sr., da empresa de telecomunicações Orange, também foi detido pelos mesmos motivos.

A dupla recebeu prisão preventiva e que deverá enfrentar uma acusação passível de uma condenação de até dez anos de prisão.

O governo da China se mostrou "muito preocupado" com a detenção de Weijing. Uma fonte do ministério das Relações Exteriores chinês disse à Agência Efe que Pequim solicitou um "tratamento justo de acordo com a lei e a proteção efetiva das partes", assim como dos legítimos "interesses".

Os escritórios da Huawei e da Orange em Varsóvia foram revistados por membros da agência de contrainteligência e segurança nacional no marco da investigação, segundo as autoridades polonesas.

A Huawei afirmou que a empresa cumpre com todas as leis e regulações da Polônia e que exige que seus empregados façam o mesmo.

A detenção acontece pouco mais de um mês depois da diretora-executiva da Huawei, Meng Wanzhou, ser detida no Canadá a pedido dos Estados Unidos. Ela teria violado as sanções impostas por Washington contra o Irã.

Meng ganhou liberdade mediante o pagamento de fiança e espera que as autoridades americanas apresentem no Canadá o pedido formal de extradição e, caso não façam, ficará em liberdade de forma automática.

A detenção iniciou um conflito diplomático entre China, Canadá e EUA, que se agravou com as detenções em território chinês de dois cidadãos canadenses, Michael Kovrig e Michael Spavor, pela suposto envolvimento em atividades que, segundo Pequim, põem em perigo a segurança nacional do país asiático.

Vários países mostraram suas reservas com relação à expansão da Huawei e sua participação na criação das redes mundiais de 5G, suspeitas que Pequim considera infundadas.

Em setembro deste ano, o governo australiano vetou a Huawei e a ZTE (outra grande empresa de telecomunicações chinesa) a participar da rede nacional de quinta geração australiana, justificando "razões de segurança" e a "dependência" de ambas as empresas do executivo pequinês.

Por sua vez, em janeiro do ano passado, um grupo de legisladores republicanos americanos propuseram um plano para proibir o governo de Washington a firmar contratos com a Huawei e a ZTE, alegando a possibilidade de espionagem pela China.

A Huawei, fundada em 1987, se transformou no maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações e é um dos maiores fabricantes de telefones celulares.

*Com informações das agências EFE, ANSA e Reuters