Itália começa operação para identificar imigrantes mortos no Mediterrâneo

Roma, 30 Jun 2016 (AFP) - A Itália iniciou, nesta quinta-feira (30), uma inédita operação científica para dar identidade genética a centenas de imigrantes mortos em sua travessia pelo mar Mediterrâneo.

Depois de uma complexa operação que durou vários meses, a Marinha italiana conseguiu recuperar hoje a embarcação que naufragou no ano passado perto da Sicília (sul do país) com os corpos de cerca de 700 imigrantes. Essa foi uma das piores tragédias já ocorridas no Mediterrâneo.

Com centenas de cadáveres em decomposição, o barco estava a 370 metros de profundidade e chegou nesta quinta à baía siciliana de Augusta.

Na sexta-feira, esse barco pesqueiro será levado para um hangar refrigerado da base da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em Melilli, perto de Augusta. Lá, peritos vão retirar os corpos para identificar as vítimas e poder, finalmente, enterrá-las.

Uma espécie de "cidadela" foi criada especialmente para a operação, em meio a uma zona industrial abandonada.

Entre barracas de campanha da Cruz Vermelha militar, cerca de 150 pessoas vão trabalhar para identificar os corpos do trágico naufrágio de 18 de abril de 2015. Ainda não se sabe quanto tempo a operação vai durar.

Esse barco de pesca lotado afundou em poucos minutos, depois de colidir com um cargueiro português que tentava resgatá-lo. Apenas 28 pessoas sobreviveram.

O almirante Pietro Covino calcula que, devido ao tamanho da embarcação, seja possível recuperar de 300 a 350 cadáveres.

"Esse navio contém histórias, rostos, pessoas, não apenas um número de corpos", comentou o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, em "post" publicado hoje no Facebook.

No dia seguinte ao naufrágio, Renzi prometeu que a Marinha italiana buscaria os restos mortais desses imigrantes em situação clandestina para que pudessem ser enterrados e para lembrar toda a Europa "dos valores que realmente importam", declarou.

"Graças à Marinha de guerra, eu me sinto orgulhoso de ser italiano", elogiou Renzi.

A operação custa cerca de 9,5 milhões de euros e foi financiada pelo governo e por várias instituições italianas.

Vinte universidades de todo o país participarão desse esforço para identificar os imigrantes e informar os familiares das vítimas sobre seu paradeiro.

"Depois de um ano, os corpos não estão muito reconhecíveis, mas isso não significa que não possam ser identificados. Estão descompostos, mas são identificáveis", explicou em entrevista coletiva a médica forense Cristina Cattaneo.

Depois de registrado, o corpo será enterrado em cemitérios da Sicília, e a embarcação será destruída.

Em paralelo, acontece na Catânia o julgamento do tunisiano Malek Ali Mohamed, acusado de ser o chefe de uma quadrilha de tráfico de pessoas. O Ministério Público pede uma pena de 18 anos de prisão para Mohamed.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), mais de 10.000 imigrantes morreram no Mediterrâneo desde 2014.

Hoje (30), a Guarda Costeira resgatou um bote inflável a 20 milhas náuticas da costa da Líbia. Apesar das ondas de 2 metros de altura e do forte vento, 107 pessoas foram resgatadas, junto com os corpos de dez mulheres.

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