O que a investigação dos atentados de Paris descobriu

Em Paris

Um ano após os atentados de Paris, que deixaram 130 mortos, a rede por trás destes ataques reivindicados pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) foi em grande parte desmantelada e um dos coordenadores do massacre na Síria foi identificado.

Nove criminosos, todos mortos

Os ataques em terraços de cafés parisienses, na sala de espetáculos Bataclan e no Stade de France foram lançados por nove homens divididos em três comandos procedentes da Bélgica. A eles se soma Salah Abdeslam, cujo papel na noite de 13 de novembro continua sendo um mistério.

O comando dos cafés (39 mortos) era composto por três homens. Dois deles, incluindo o belga Abdelhamid Abaaoud, de 28 anos, considerado o coordenador do ataque, morreram cindo dias depois em uma troca de tiros com a polícia nos arredores de Paris. O terceiro, o francês Brahim Abdeslam, irmão de Salah, detonou seus explosivos em um restaurante.

O comando do Stade de France (1 morto) era formado por um francês que vivia na Bélgica e dois iraquianos que chegaram da Síria, camuflados na onda de refugiados que fogem do conflito sírio. Todos morreram em ataques suicidas perto do estádio, localizado na região parisiense onde a seleção da França deputava um amistoso contra a Alemanha na presença do presidente François Hollande.

O comando do Bataclan (90 mortos) era integrado por três franceses que estiveram na Síria. Morreram durante o ataque lançado pela polícia após uma sangrenta tomada de reféns de mais de duas horas nesta mítica casa de shows parisiense.

Oito suspeitos detidos na França

Salah Abdeslam, um francês de 27 anos, foi detido em Bruxelas em março. É acusado de ter participado, junto ao seu irmão Brahim, da preparação dos ataques. Levou os suicidas ao Stade de France e afirma que desistiu no último minuto de acionar seu cinturão de explosivos. Transferido à França, nega-se a falar.

Também foram acusados Mohamed Amri e Hamza Attou, dois homens que ajudaram Abdeslam a fugir à Bélgica após os atentados, e um terceiro, Ali Oulkadi, que o ajudou durante sua fuga.

O argelino Adel Haddadi e o paquistanês Mohamad Usman, que deveriam participar do massacre, foram extraditados à França a partir da Áustria no fim de julho. Chegaram à Grécia no início de outubro de 2015, junto aos dois suicidas iraquianos do Stade de France, mas foram detectados.

A eles se somam Jawad Bendaoud e Mohamed Soumah, que forneceram uma casa onde o comando dos ataques contra os cafés se escondeu.

Múltiplas ramificações

Os atentados de Bruxelas de 22 de março (32 mortos) foram um ponto de viragem para a investigação na França. Foi descoberta uma rede com múltiplas ramificações.

Dois irmãos, os belgas Ibrahim e Khalid El Bakraoui, que morreram em ataques suicidas em Bruxelas, participaram dos preparativos dos atentados de Paris.

Acredita-se que o suposto cérebro da rede, o belga Najim Laachraoui, que também morreu, tenha coordenado os ataques parisienses junto a um quarto homem, morto pelas mãos da polícia.

No total, 19 pessoas suspeitas de estar envolvidas em diferentes graus no massacre de Paris foram indiciadas no último ano na Bélgica, viveiro extremista.

Outros quatro suspeitos estão detidos em Itália, Marrocos, Argélia e Turquia.

Mais ataques

Após os atentados da Bélgica, os investigadores encontraram um computador perto de um esconderijo na Bélgica. Dentro, havia um documento chamado "13 de novembro", no qual eram enumerados os objetivos dos ataques de Paris.

Outros dois documentos, "grupo metrô" e "grupo Schiphol", tinham perguntas. Qual era o objetivo do "grupo metrô"? Paris? Bruxelas? O Objetivo do "grupo Schiphol" era o aeroporto de Amsterdã?

"Nenhum elemento confirma até o momento a hipótese de ataques coordenados na Europa", afirma uma fonte da investigação.

Um coordenador identificado

Oussama Atar, um extremista belga-marroquino de 32 anos membro do EI e primo de dois terroristas de Bruxelas, teria desempenhado um papel primordial nestes massacres. Utiliza o pseudônimo de Abu Ahmad.

"É o único coordenador na Síria a ter sido identificado até o momento", segundo uma fonte próxima à investigação. Suspeita-se que tenha enviado a partir da Síria dois dos atacantes do Stade de France e o comando preso na Áustria.

Os investigadores identificaram as vozes dos irmãos Fabien e Jean-Michel Clain, dois extremistas franceses, nas mensagens de reivindicação do EI, mas não seriam eles que teriam dado a ordem.

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