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Depois do Texas, Harvey chega a Louisiana

30/08/2017 21h43

Nova Orleans, Estados Unidos, 31 Ago 2017 (AFP) - Cinco dias após tocar a terra no Texas sob a forma de um furacão, Harvey atingiu a Louisiana nesta quarta-feira (30), como uma tempestade tropical, enquanto as autoridades confirmaram a morte de seis membros de uma mesma família no Texas no fim de semana.

Nesta quarta-feira, as precipitações deram uma folga em Houston - a quarta cidade mais populosa dos Estados Unidos - e foi possível recuperar os corpos de um casal e seus quatro bisnetos em um automóvel arrastado pelas águas durante o final de semana.

Até o momento foi confirmado o falecimento de 10 pessoas, em diversos condados do sudeste do Texas, mas ocorreram outros 23 óbitos "potencialmente vinculados ao Harvey", anunciou Tricia Bentley, porta-voz do gabinete de medicina legal do condado de Harris, onde se encontra a cidade de Houston.

As autoridades temem que o número de mortos cresça à medida em que as águas baixem e se tenha acesso às zonas inundadas.

"Aos americanos que perderam seus entes queridos, os Estados Unidos estão de luto por vocês, e nossos corações estarão sempre unidos aos seus", disse o presidente Donald Trump um dia após visitar zonas afetadas no Texas.

As chuvas provocaram inundações em zonas do sudeste do Texas e sudoeste da Louisiana, declarada em estado de emergência na segunda-feira por Trump.

O oeste da Louisiana era atingido por ventos máximos de 72 km/h, e espera-se entre 125 mm e 250 mm de chuva na região.

Harvey deve perder força gradualmente para depressão tropical até esta quarta à noite.

Nova Orleans, que na terça-feira recordou o 12º aniversário do devastador furacão Katrina, que deixou 1.800 mortos, prepara-se para intensas chuvas e inundações repentinas nos próximos dois dias.

Os efeitos de Harvey já alcançavam partes da famosa cidade do jazz e do carnaval, particularmente vulnerável porque possui zonas construídas abaixo do nível do mar e já sofreu uma grande inundação no início do mês, complicadas por falhas em seu sistema de drenagem.

O escritório em Nova Orleans do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, sigla em inglês) alertou para a ameaça de fortes chuvas no sudeste da Louisiana e sul do Mississippi, que continuarão na quinta-feira.

O prefeito de Nova Orleans, Mitch Landrieu, pediu aos moradores que "fiquem vigilantes e sejam cautelosos".

Debra Wernes, de 65 anos, que sofreu com o Katrina, viajou a Nova Orleans para ajudar como voluntária. "É de partir o coração", declarou em lágrimas.

- Esforços de resgate -Harvey volta a atingir o sul dos Estados Unidos após provocar precipitações recordes no Texas, onde as equipes de emergência ainda lutavam para resgatar centenas de pessoas ainda presas nas inundações.

Na catástrofe, seis membros de uma mesma família morreram quando a van em que estavam foi arrastada pelas águas.

"Temos um total confirmado de seis mortos [...] dentro desta van", disse o chefe de Polícia do condado de Harris, Ed González, em coletiva após a queda no nível da água permitir localizar o veículo.

Manuel e Belia Saldivar, junto com quatro de seus bisnetos de entre seis e 16 anos, desapareceram no domingo enquanto tentavam fugir das inundações.

Em Houston, com 2,3 milhões de habitantes em sua região metropolitana, a tempestade transformou ruas em rios, e bairros em lagos, forçando mais de 8 mil pessoas a deixarem suas casas.

Na cidade, "é provável que as inundações continuem dias depois do fim da chuva", advertiu a secretária de Segurança Interna, Elaine Duke.

As autoridades esperam um total de cerca de 30 mil desabrigados e estimam que cerca de 450 mil pessoas vão procurar ajuda do governo federal.

As autoridades desconhecem o paradeiro de centenas de pessoas, embora estimem que possa ser em razão das dificuldades na comunicação com familiares.

Na terça-feira, o prefeito de Houston, Sylvester Turner, decretou toque de recolher para ajudar nas buscas e evitar potenciais saques.

Pelo menos uma ponte desmoronou, e um dique se rompeu. Além disso, duas barragens que foram drenadas para evitar uma catástrofe nos arredores de Houston estão em risco, enquanto os moradores próximos a uma usina química foram evacuados como precaução.

Capital da indústria petrolífera americana, a suspensão da atividade de suas refinarias perturba o setor, embora haja reservas suficientes de petróleo.

O presidente Donald Trump, que enfrenta a primeira catástrofe natural de seu governo, elogiou o trabalho dos funcionários locais e federais.

"Depois de ter presenciado em primeira mão o horror e a devastação causados pelo furacão Harvey, meu coração está ainda mais com o grande povo do Texas", tuitou o presidente.

Em seu regresso a Washington no Air Force One, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, declarou que o presidente voltará ao Texas no sábado e talvez visite Louisiana, dependendo das condições meteorológicas.

Trump e a primeira-dama, Melania, evitaram visitar Houston para não atrapalhar os trabalhos de resgate.

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