Furacão Irma deixa ao menos 18 mortos pelo Caribe; EUA evacuam quase 1 milhão

Cabo Haitiano

O poderoso furacão Irma, rebaixado para a categoria 4, prosseguia em sua trajetória mortal pelo Caribe, onde deixou pelo menos 18 mortos, enquanto Cuba e Estados Unidos se preparam para o impacto.

Com ventos de 250 km por hora, o furacão continua "extremamente perigoso", advertiu o Centro Nacional de Furacões (NHC, sigla em inglês) dos Estados Unidos.

As mortes 18 mortes ocorreram em Porto Rico, nas Ilhas Virgens americanas, em Barbuda e nas ilhas de São Martinho e São Bartolomeu.

O olho do furacão passa na nesta sexta-feira pelo mar entre o sudeste de Cuba e as ilhas Turcas e Caicos. Ele se aproxima das Bahamas e da região central de Cuba - onde as autoridades decretaram alerta máximo em sete de suas 15 províncias e obrigaram a retirada de 10 mil turistas estrangeiros.

O Irma deve chegar aos Estados Unidos durante o fim de semana.

Quase um milhão de pessoas receberam ordens de deixar áreas costeiras de Flórida e Geórgia, na maior evacuação maciça nos Estados Unidos em 12 anos.

"Será realmente devastador", antecipou na quinta-feira o diretor da Agência Americana de Gestão de Emergências (FEMA), Brock Long. "Todo o sudeste dos Estados Unidos deve se proteger".

Mapas indicam que Irma vai em direção a Miami

São Martinho

Com rajadas de vento que chegaram a 295 km/h, o furacão varreu pequenas ilhas caribenhas como São Martinho, onde 60% das casas ficaram inabitáveis.

"Parece como se uma podadora gigante tivesse descido do céu e passado pela ilha", explicou Marilou Rohan, moradora afetada, à emissora NOS.

"As casas foram esmagadas. As pessoas não têm esperança, vemos em seus olhos", acrescentou Rohan nesta ilha conhecida pelas praias paradisíacas e cujo território França e Holanda compartilham.

As autoridades francesas confirmaram nove mortos em São Bartolomeu e São Martinho. Do lado holandês da ilha de São Martinho, houve pelo menos um morto.

Além do cenário de horror, a ilha sofre com os saques.

Rinsy Xieng/AFP Photo
Região alagada na Ilha de São Martinho após passagem do furacão Irma

"A situação é grave", confirmou o primeiro-ministro holandês Mark Rutte.

Uma testemunha, citada pelo jornal holandês Algemeen Dagblad (AD), afirmou que "pessoas estão armadas nas ruas com revólveres e machados".

Nas Ilhas Virgens americanas, ao menos outras quatro pessoas morreram, anunciaram nesta quinta-feira autoridades locais.

Irma deixou também um morto em Barbuda, uma ilha de 1.600 habitantes que, segundo seu primeiro-ministro, Gaston Browne, ficou "totalmente devastada".

"Os que não acreditam em mudanças climáticas, esperamos que mudem de opinião quando virem estes desastres naturais", destacou.

Furacão recorde

Irma, que há algumas horas ainda era um furacão de categoria 5, a máxima, chegou a gerar ventos de 295 km/h durante mais de 33 horas, um recorde desde o início do monitoramento por satélites nos anos 1970.

As fortes rajadas arrancaram tetos, esmagaram contêineres de embarcações e deixaram escombros por todo lado. Aeroportos, portos e linhas telefônicas ficaram fora de serviço.

A tempestade segue para as Bahamas com ventos de 280 km/h, segundo o último boletim do Centro Nacional de Furacões (NHC).

A Cruz Vermelha Internacional informou que Irma afetou 1,2 milhão de pessoas, mas que a cifra poderia chegar a 26 milhões.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, descreveu o desastre como "inimaginável e sem precedentes".

Seu governo enviou mais de 100.000 rações de combate, enquanto a Holanda se apressa a fornecer comida e água para 40.000 pessoas.

A França também tenta estabelecer uma ponte aérea para levar ajuda às ilhas afetadas e evacuar os feridos, explicou a ministra francesa de Ultramar, Annick Girardin, que chegou na quinta-feira juntamente com 150 socorristas a Guadalupe, que serve como base de operações.

O custo dos danos provocados pelo furacão nas Antilhas francesas pode ser muito superior a 200 milhões de euros, afirmou o CCR, o instituto de resseguros públicos da França, especializado em catástrofes naturais.

Enquanto isso, o Reino Unido desbloqueou 35 milhões de euros e enviou dois navios militares para auxiliar.

Ventos chegaram a 300 km/h e causaram destruição e morte

"Tudo está destruído"

Quase 1,5 milhão de pessoas ficaram sem luz em Porto Rico, enquanto rios transbordaram no centro e no norte da ilha. O governador Ricardo Rossello ativou a Guarda Nacional e abriu albergues para 62.000 pessoas.

O arquipélago britânico Turcas e Caicos também estão na rota de Irma, o que obrigou a evacuação de algumas de suas ilhas.

"Um número importante de pessoas que vive em áreas muito baixas fica muito vulnerável", explicou à BBC o governador do arquipélago, John Freeman, confirmando o desalojamento de turistas estrangeiros.

República Dominicana e Haiti sentiram igualmente a força de Irma nesta quinta-feira. A Defesa Civil cubana decretou o máximo nível de alerta em sete de suas 15 províncias, das quais também foram evacuados 10.000 turistas.

Na iminência da chegada do furacão ao litoral de Flórida e Geórgia nas próximas horas, o presidente americano, Donald Trump, expressou sua "grande preocupação".

Espera-se que a Flórida enfrente os fortes ventos de Irma a partir da noite de sexta-feira, com ondas que pode chegar a oito metros, segundo meteorologistas.

Miami ficou mergulhada no caos devido às filas intermináveis em postos de gasolina e aos engarrafamentos nas principais estradas. Os moradores também acabaram com tudo o que havia em supermercados para se abastecer de provisões e água.

As autoridades determinaram a evacuação dos 'keys' (ilhas) da Flórida, um arquipélago situado no extremo sul do estado e onde turistas faziam malas para partir.

Depois do Irma, o Caribe enfrentará a fúria de outros dois furacões: José e Katia.

José, que segue a trajetória de Irma, ganhou força na quinta-feira e subiu para categoria 3, com ventos de até 195 km/h, segundo o NHC. Katia, de categoria 1, deve chegar à costa do estado mexicano de Veracruz também na sexta-feira.

Brasileiros

O governo brasileiro expressou solidariedade aos países atingidos pelo furacão Irma e afirmou que embaixadas e consulados brasileiros estão em estado de alerta para atuar em eventuais emergências envolvendo brasileiros. Os canais de atendimento do Núcleo de Assistência a Brasileiros do Itamaraty são o e-mail dac@itamaraty.gov.br e os telefones +55 61 2030 8803/8804 (das 8h às 20h) e + 55 61-98197-2284 (das 20h às 8h).

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