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Governo nega plano de privatização do aquífero Guarani

23/03/2018 20h44

Brasília, 23 Mar 2018 (AFP) - O governo federal afirmou nesta sexta-feira (23) que o aquífero Guarani é um "bem público" que não pode ser privatizado, depois que manifestantes ocuparam nesta semana propriedades da Coca-cola e Nestlé ante rumores de que estas empresas pretendem comprar o gigantesco reservatório de água doce.

"A legislação determina que a água é de domínio público e por isso não pode ser explorada pela iniciativa privada", afirmou o governo em um comunicado durante o último dia do 8º Fórum Mundial da Água em Brasília.

O evento reuniu governantes, pesquisadores e empresários do mundo todo para discutir soluções para um planeta em que bilhões de pessoas não têm acesso garantido à água potável.

Durante o Fórum, militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) protestaram ocupando por algumas horas instalações de fábricas da Coca-Cola em Brasília e da Nestlé em Minas Gerais, alegando que o encontro internacional estava sendo utilizado pela Organização das Nações Unidas para "vender as águas para as multinacionais".

Estes rumores de que o governo de Michel Temer pretende privatizar o segundo maior aquífero do Brasil circulam na internet pelo menos desde 2016, mas ganharam força em janeiro deste ano.

No comunicado desta sexta-feira, o governo nega essa possibilidade e afirma, além disso, que o aquífero está protegido por acordos internacionais.

"Os quatro países que são abastecidos pelo Guarani - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - assinaram documento" que estabelece "normas de conservação e uso sustentável" do mesmo.

A Nestlé também desmentiu os rumores nesta semana.

A empresa "não extrai água de qualquer parte do aquífero Guarani na América do Sul, inclusive no Brasil".

"Não temos planos para extração no aquífero e nem discutimos este assunto com as autoridades brasileiras", aponta o comunicado.

O Brasil é o país com maior oferta hídrica do mundo, ao possuir 12% das águas doces do planeta, e quando se inclui as águas que nascem em países fronteiriços e passam por seu território, esta porcentagem se eleva a 18%, segundo dados oficiais.

O aquífero Guarani, com uma extensão de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, é o segundo maior manancial subterrâneo do Brasil, depois do sistema Grande Amazônia.

Segundo pesquisas citadas pelo governo, tem a capacidade de abastecer a população brasileira durante os próximos 2.500 anos.