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Erdogan pede que Putin contenha o regime sírio em Idlib

21/02/2020 18h57

Ancara, 21 Fev 2020 (AFP) - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, exortou nesta sexta-feira (21) seu colega russo Vladimir Putin a "coibir" o regime sírio na província rebelde síria de Idlib, no coração de intensa atividade diplomática, com o objetivo de encerrar os combates e uma situação humanitária desastrosa.

A ofensiva conduzida pelo regime do presidente Bashar Al-Assad com o apoio de Moscou para recuperar Idlib, a última fortaleza rebelde no noroeste do país, minou seriamente o entendimento entre Erdogan e Putin, que cooperam estreitamente para acabar com o conflito na Síria, onde, no entanto, apoiam lados opostos.

Em uma conversa por telefone com Putin, Erdogan "enfatizou que o regime deve ser parado em Idlib e que a crise humanitária deve terminar", segundo informou a presidência turca em comunicado.

Erdogan também enfatizou que uma solução para a situação explosiva em Idlib passa "pela plena aplicação do acordo de Sochi", patrocinado em 2018 pelos dois líderes para silenciar as armas na província.

A presidência turca acrescentou que "os dois líderes afirmaram seu compromisso com o respeito de todos os acordos".

Por sua parte, Putin garantiu a seu colega turco que "está seriamente preocupado" com as "ações agressivas" dos jihadistas em Idlib.

Os dois concordaram "intensificar as consultas bilaterais sobre Idlib para reduzir as tensões, garantir um cessar-fogo e neutralizar a ameaça terrorista", afirmou o Kremlin em comunicado.

Antes desta reunião, Erdogan falou por telefone sobre a situação em Idlib com o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, a quem pediu que "adotassem medidas concretas para evitar uma catástrofe humanitária", segundo a presidência turca.

- Determinante -Na quinta-feira (20), a Chancelaria alemã informou que Merkel e Macron manifestaram sua "preocupação" com a "situação humanitária catastrófica" na província de Idlib, durante um telefonema com o presidente russo, Vladimir Putin.

Os russos são o principal apoio do governo de Bashar al-Assad.

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse hoje à imprensa que "se está discutindo a possibilidade de que se faça uma cúpula".

"Ainda não há qualquer decisão clara sobre isso. Se os quatro dirigentes julgam necessário, não descartamos organizar um encontro desse tipo", completou Peskov.

Na noite de sexta-feira, Macron solicitou que a cúpula fosse realizada "o mais rápido possível" com a Alemanha, Rússia e Turquia para interromper os combates.

Há "risco de uma catástrofe humanitária, uma escalada do conflito e uma crise migratória", alertou o dirigente francês.

Em declarações aos jornalistas em Istambul, Erdogan disse que conversará com Putin ainda nesta sexta sobre a explosiva situação em Idlib.

Por conta de um acordo firmado com a Rússia, a Turquia, que apoia grupos rebeldes, tem doze postos de observação militar em Idlib, vários dos quais estão em áreas recentemente reconquistadas pelo regime sírio, graças à ofensiva lançada em dezembro com o suporte da força aérea russa.

Na quinta-feira, a Turquia anunciou que dois de seus soldados foram mortos em um bombardeio aéreo atribuído ao regime sírio, elevando para 16 o número de baixas turcas no noroeste da Síria neste mês.

Desde então, Turquia e Rússia não pararam de elevar o tom, e agora teme-se que ambos os países acabem entrando em conflito no país, apesar de sua estreita colaboração no caso da Síria desde 2016.

Desde dezembro, cerca de 900 mil pessoas tiveram de deixar suas casas na região de Idlib e seus arredores, segundo balanço da ONU.

- Enorme sofrimento -Agora, Ancara teme que a situação nessa região, fronteiriça com a Turquia, degenere em uma nova onda de refugiados. O país já acolhe mais de 3,6 milhões de sírios.

Os líderes da União Europeia exigiram nesta sexta-feira em Bruxelas o fim da ofensiva militar em Idlib, uma intervenção "inaceitável" que causou "enorme sofrimento humano".

Na quinta-feira, o exército russo disse que realizou bombardeios para repelir um ataque de facções armadas apoiadas por Ancara contra posições do regime sírio e instou a Turquia a "parar de apoiar as ações de grupos terroristas e de lhes dar armas".

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), grupos apoiados pela Turquia lançaram uma ofensiva na região de Al-Nayrab, ao sul de Idlib, que deixou 25 combatentes mortos de ambos os lados.

A artilharia turca bombardeou posições do regime para apoiar o ataque, disseram o OSDH e a Rússia. Erdogan pediu às forças de Al-Assad várias vezes que se retirassem de alguns setores de Idlib antes de fevereiro, sob pena de recorrer à força.

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