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Biden aumenta vantagem com vitória crucial nas primárias e estende a mão a Sanders

11/03/2020 06h04

Detroit, Estados Unidos, 11 Mar 2020 (AFP) - Joe Biden avançou na terça-feira na campanha para garantir a indicação do Partido Democrata à candidatura presidencial com uma vitória crucial em Michigan, depois da qual estendeu a mão a seu rival, o senador de esquerda Bernie Sanders, afirmando que juntos vão derrotar Donald Trump em novembro.

Em uma noite na qual seis estados votaram, o ex-vice-presidente triunfou em Mississippi, Missouri, em Idaho e no bastião chave de Michigan, ampliando a vantagem sobre o adversário, a quem fez um gesto incomum de aproximação em uma disputa interna acirrada.

"Quero agradecer Bernie Sanders e seus partidários por sua energia infatigável e sua paixão. Temos o mesmo objetivo e juntos vamos vencer Donald Trump", disse Biden na Filadélfia.

Caso as projeções sejam confirmadas, o ex-vice-presidente de Barack Obama, um político moderado de 77 anos, somaria a maioria dos 125 delegados de Michigan, em um duro golpe a Sanders em um dos estados cruciais para a definição do candidato dos democratas em julho.

A contagem dos votos era muito disputada em Washington, outro estado com uma grande quantidade de delegados, assim como na Dakota do Norte.

"Embora ainda falte um caminho, parece que vamos ter outra boa noite", celebrou Biden, que prometeu liderar uma recuperação "da alma da nação".

Michigan é considerado um "swing state" (estado pendular, ou independente, aquele sem um perfil eleitoral definido), que votou em Trump em 2016 e onde Sanders superou Hillary Clinton nas primárias democratas daquele ano.

O estado tinha mais de um terço dos 352 delegados em disputa na terça-feira.

Segundo as projeções, Biden também somará a maioria dos 68 delegados de Missouri, um estado rural do centro do país, e uma parte importante dos 36 votos em Mississippi (sul).

A contundente vitória em Mississippi, onde recebeu quase 80% dos votos, reflete sua popularidade em um segmento chave: os eleitores negros. No Missouri, Biden derrotou Sander por quase 25 pontos.

Joe Biden busca obter uma vantagem decisiva sobre Bernie Sanders que o aproxime da quantidade mínima de 1.991 delegados necessários para conquistar a indicação democrata em julho, depois dos grandes resultados conquistados nas votações da "Superterça" na semana passada.

Nas primárias de 3 de março, Biden venceu em 10 dos 14 estados, consolidando a posição de favorito que o impulsionou nos estados em disputa nesta terça-feira.

Nos últimos 10 dias, as primárias registraram uma mudança impressionante, desde que a vitória expressiva de Biden na Carolina do Sul reverteu a série de vitórias de Sanders, que ficou em segundo lugar em Iowa e triunfou em New Hampshire e Nevada, os primeiros estados a organizar a disputa interna.

A campanha de Trump desconsiderou os resultados de terça-feira e afirmou que "nunca importou quem será o candidato democrata".

"São duas faces da mesma moeda", afirmou o diretor de campanha do presidente republicano, Brad Parscale, antes de declarar que os dois buscam impor no governo uma "agenda socialista".

- "Uma noite dura" - Sanders não discursou na terça-feira. Sua campanha afirmou que ele não pretende desistir e vai comparecer ao debate com Biden no próximo domingo.

A congressista Alexandria Ocasio-Cortez, um dos principais apoios de Sanders, afirmou que a terça-feira foi "uma noite dura para o movimento".

As primárias de terça-feira foram ofuscadas pela propagação do novo coronavírus - que já infectou 1.000 pessoas e provocou 28 mortes nos Estados Unidos. Biden e Sanders cancelaram seus comícios previstos para Cleveland, Ohio, seguindo a orientação das autoridades.

O estado, que organizará primárias na próxima semana, está em emergência desde segunda-feira, quando três casos da doença foram confirmados.

Os democratas anunciaram que o debate previsto para o domingo acontecerá sem a presença do público.

Trump, que organiza grandes comícios, não anunciou mudanças em sua agenda.

- "Uma coalizão tradicional democrata" -"Biden está articulando uma coalizão tradicional democrata e isto ainda é algo muito potente", explicou Julian Zelizer, professor de História Política na Universidade de Princeton.

Se conseguir confirmar a candidatura, no entanto, Biden enfrentará um ambiente cada vez mais polarizado, como ilustrou um incidente muito compartilhado nas redes sociais pelos partidários de Trump enquanto os eleitores votavam na terça-feira.

Biden estava em uma fábrica da Fiat Chrysler em Michigan, onde foi bem recebido, mas foi confrontado por um dos funcionários. Ele o acusou de tentar restringir o direito constitucional para o porte de armas de fogo.

É um mentiroso de merda", respondeu o candidato. "Apoio a Segunda Emenda", disse, antes de responder, visivelmente irritado e com uma voz forte: "Não vou tirar a sua arma".

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