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Atletas paralímpicos também lutam para se adaptar ao adiamento de Tóquio-2020

28/03/2020 20h28

Paris, 28 Mar 2020 (AFP) - Os Jogos são o grande evento para os atletas paralímpicos e, acima de tudo, a única pequena janela aberta aos olhos do público em geral.

Esse atletas também terão que se adaptar ao adiamento dos Jogos de Tóquio devido à pandemia da Covid-19, em meio a dúvidas e dificuldades.

"Ei, acorde! Faltam os Jogos Paraolímpicos! Treinamos igualmente, fazemos os mesmos sacrifícios, também teremos que esperar um ano", afirma o jovem nadador francês Théo Curin.

Medalhista de bronze no Mundial de 2019 nos 200 metros nado livre, este jovem que amputou seus quatro membros está confinado na casa de seus pais, no nordeste do país.

"Nos fazemos muitas perguntas. Na minha cabeça, eu já havia planejado meu ano pós-Paraolímpico, tinha ideias, isso adia tudo", diz ele.

Do outro lado do Atlântico, em Montreal, Aurélie Rivard, tricampeã de natação na Rio-2016, também está preocupada.

"Geralmente, nos interessamos pelas Olimpíadas uma vez a cada quatro anos; é ainda pior para os atletas paraolímpicos. Pessoalmente, é meu pouco tempo para obter algum reconhecimento, visibilidade e conhecer outros fãs, aqueles que vão ficar comigo pelo resto da minha carreira. É realmente a única ocasião para mim", diz o atleta, que por um momento temeu o cancelamento dos Jogos, o que "teria sido realmente dramático".

- Frustrante -A campeã canadense de 23 anos continua treinando como pode, com meios limitados, tentando não ser tomada por dúvidas.

"Não sabemos quanto tempo ficaremos confinados, isso complica tudo, não sabemos absolutamente nada. Agora está piorando aqui nos Estados Unidos, estamos em incerteza", diz ele sobre a propagação da pandemia no norte do continente.

Cerca de 8.000 km ao sul da cidade canadense, o brasileiro Daniel Dias, o 'Michael Phelps Paralímpico', com suas 81 medalhas no total, 24 delas paraolímpicas, tenta manter a forma, em quarentena, com sua esposa e filhos perto de São Paulo. Ele quer se manter otimista.

"Não estou incomodado com esse adiamento. Vou revisar o planejamento da minha preparação técnica com minha equipe e estarei pronto para Tóquio", diz o nadador, profissional desde 2006.

Campeão mundial em 2019 de para-triatlo, Alexis Hanquinquant estava pronto para este próximo verão (do hemisfério norte). "Eu tive um inverno muito difícil no nível de preparação, no momento estou em uma forma bastante excepcional; é frustrante, faz quatro anos que essa data estava marcada, física e moralmente", lamenta o atleta francês.

- Imprevistos da vida -O campeão, que geralmente treina entre 25 e 30 horas por semana, mantém dois treinos diários neste período de confinamento, entre o terraço e o porão. Após o adiamento, ele estenderá esse treinamento por mais um ano.

Mas um ano extra pode ser difícil e complicado.

Aos 43 anos, David Calmon esperava experimentar sua apoteose esportiva em 2020. Demitido de seu emprego em 2016, este engenheiro conseguiu sonhar com os Jogos quando se juntou à equipe de paraciclismo de Cofidis, há dois anos. O adiamento o obriga a repensar as coisas.

"Eu me reuni com a família e tive que me fazer as perguntas certas, para saber se, de fato, eu poderia de mais um ano para tentar viver esse sonho", lembra ele.

"Eu estava no sprint final da minha carreira e, de repente, preciso começar mais um ano, pensando se o corpo vai aceitar", explica este atleta, que sofreu um grave acidente de trânsito em 2009, pelo qual teve que passar pela sala de operações 15 vezes.

Apesar de estar chateado com o adiamento, ele não quer falar de "golpe duro".

"Um golpe duro é algo que danifica o corpo, que é repentino e exige muito para que seja superado, como acidentes. Esse é um imprevisto da vida, certamente muito importante, mas ainda é um imprevisto", diz o francês, que decidiu continuar por um ano.

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