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1 mês

O candidato da extrema direita à presidência francesa promete 'reconquistar' o país

05/12/2021 20h37

Paris, 5 dez 2021 (AFP) - Em seu primeiro comício como candidato à presidência francesa neste domingo (5), o político de extrema direita Éric Zemmour exortou seus seguidores a "mudar o curso da história" e prometeu "a reconquista" da França, o nome oficial de seu movimento.

"Hoje são 15.000! 15.000 franceses que desafiaram o politicamente correto, as ameaças da extrema esquerda e o ódio da mídia", disse o candidato de 63 anos a seus apoiadores, que agitaram bandeiras francesas e gritaram "Zemmour presidente!".

"O desafio é imenso, se eu vencer, será o início da reconquista do país mais bonito do mundo", prometeu o candidato, que passou meses construindo seu discurso sobre o repúdio à imigração e ao islã, que segundo ele ameaça " o povo francês que está aqui há mil anos e que quer continuar sendo dono de sua casa".

O candidato, que chegou com mais de uma hora de atraso, fez sua entrada triunfal no evento, sob uma envolvente trilha sonora.

"Ouviram dizer que sou um fascista, um racista, um misógino", disse Zemmour, duas vezes condenado por incitação ao ódio racial e que agora se apresenta como uma pessoa perseguida por um "bando de políticos, jornalistas e jihadistas".

"Há imigração por toda a parte e somos obrigados a conviver com ela", lamenta Véronique, 49 anos, desempregada e mãe de três filhos. Ela garante que espera por moradia social há 20 anos "mas são os imigrantes que vêm primeiro".

No sábado, a equipe de Zemmour revelou seu slogan oficial de campanha: "Impossível não é francês", uma citação atribuída a Napoleão. Seu partido foi apresentado oficialmente neste domingo com o nome de "Reconquista!".

- Violência -Quando o candidato chegou, houve incidentes violentos no imenso salão do Centro de Exposições de Villepinte, ao norte de Paris.

Um grupo de ativistas do SOS Racismo, que realizou uma ação "não violenta", foi agredido pelos participantes do comício, confirmaram jornalistas da AFP. Pelo menos dois deles estavam sangrando.

Em um vídeo divulgado pela associação, é possível ver os membros sendo alvo de golpes e cadeiras lançadas por outras pessoas. Cinco pessoas ficaram feridas e duas delas foram atendidas pelos bombeiros, segundo a associação.

Os membros da SOS Racismo "não deveriam estar lá, não deveriam vir nos provocar em nosso salão", reagiu Antoine Diers, membro da equipe de campanha de Zemmour.

A equipe de Zemmour afirmou que o candidato ficou ferido no punho depois de ser agarrado por alguém quando saia do palco. A equipe estuda fazer um boletim de ocorrência.

Um grande dispositivo de segurança cercou o local do comício e mais de uma centena de manifestantes contrário a Zemmour que protestavam contra o "racismo, negação e homofobia" do candidato foram dispersos pela polícia.

Quarenta e seis pessoas, que estavam na área reservada para a manifestação, foram detidas, anunciou a prefeitura.

Horas antes, também houve uma manifestação em Paris contra o candidato presidencial. Segundo a polícia, o protesto reuniu 2.200 pessoas. Mas os organizadores (sindicatos, partidos e associações) afirmam que houve 10.000 participantes.

O comício é realizado apenas cinco dias depois que este escritor de 63 anos de idade confirmou sua candidatura para as eleições presidenciais de 2022 com um vídeo de campanha repleto de retórica anti-imigração e terríveis alertas sobre o futuro do país.

Durante seu discurso de uma hora e meia, Zemmour prometeu acabar com a imigração, expulsar todos os imigrantes ilegais e suprimir as ajudas sociais a estrangeiros não europeus, promessas que atraem muitos apoiadores.

Maria, uma aposentada que estava presente no comício, explicou à AFP que apoia o candidato par alutar contra a "Grande substituição", uma teoria segundo a qual as populações africanas e muçulmanas substituem os povos europeus.

"Na minha rua, só tem árabes. É preciso preservar nossas tradições, não estar submergido pela cultura muçulmana", declarou esta mulher polonesa que chegou à França há 20 anos.

- Apoio -Zemmour,que busca ofuscar a líder histórica da extrema direita Marine Le Pen, tem como objetivo mostrar que é um sério candidato a destronar o presidente centrista e liberal Emmanuel Macron.

Ele também quer angariar apoio entre os eleitores mais conservadores do tradicional partido de direita francês, Os Republicanos, que no sábado escolheu a moderada Valerie Pecresse para a disputa presidencial.

Zemmour esperou vários meses antes de declarar oficialmente sua candidatura, enquanto realizada uma espécie de campanha virtual promovendo seu último livro por todo o país.

Em setembro e outubro, ele aparecia bem posicionado nas pesquisas, mas perdeu força desde então. O vídeo do lançamento de sua campanha, nesta semana, foi criticado por todas as esferas da política francesa.

Atualmente, Zemmour aparece com 13% das intenções de voto nas pesquisa.

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