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Vazamento de petróleo em reserva amazônica do Equador totalizou 6.300 barris

02/02/2022 16h39

Quito, 2 Fev 2022 (AFP) - Um vazamento recente de petróleo causou o derramamento de 6.300 barris na Amazônia equatoriana, afetando uma reserva natural e um rio, segundo as informações fornecidas nesta quarta-feira (2) pela empresa que opera o oleoduto avariado.

A empresa Oleoduto de Petróleo Pesado (OCP) disse no comunicado que já "recolheu e reinjetou no sistema 5.300 barris de petróleo", destacando que essa quantidade representa 84,13% do total derramado.

A emergência ocorreu na última sexta-feira (28) quando um desprendimento de rochas perfurou um oleoduto na cordilheira Piedra Fina, cerca de 80 quilômetros a leste de Quito e nos limites entre as províncias amazônicas de Napo e Sucumbios.

Após a ruptura, a empresa ativou um dispositivo de emergência para mitigar os danos por meio da abertura de depósitos ou piscinas, onde coletou grande parte do petróleo derramado.

"A ação oportuna da equipe conseguiu coletar 84,13% do petróleo", disse o presidente da OCP Equador, Jorge Vugdelija, no mesmo comunicado.

O dia anterior ao incidente foi marcado pela chuva. O rio Quijos, na parte baixa de Piedra Fina, estava cheio e, no alto da cordilheira, houve um grande desprendimento de rochas, e uma delas caiu de "ponta" e perfurou o tubo, contou à AFP César Benalcázar, um operário petroleiro de 24 anos que estava no local.

"No momento em que explodiu o tubo, o petróleo saiu com muita força, como uma bomba de pressão", acrescentou.

- Uma cachoeira de petróleo -O Ministério do Meio Ambiente informou na segunda-feira que o vazamento ocorreu dentro do Parque Nacional Cayambe-Coca, que abriga uma grande variedade de fauna e uma importante reserva hídrica.

O petróleo avançou até o rio Coca, que abastece comunidades indígenas, e contaminou dois dos 403.000 hectares do parque localizado no nordeste do Equador e que se estende pelas províncias andinas de Pichincha (cuja capital é Quito) e Imbabura, além de Sucumbios e Napo.

"Tentamos evitar que o óleo chegasse ao rio, mas ele desceu como se fosse uma cachoeira", acrescentou Benalcázar.

A Fundação Alejandro Labaka, que defende os direitos dos povos originários, estima que cerca de 27.000 indígenas de comunidades kichwas podem sofrer algum tipo de problema com os derramamentos de petróleo na Amazônia.

A Confederação de Nacionalidades Indígenas exigiu à empresa que abastecesse com água e suprimentos as populações prejudicadas. "É evidente que a água do rio não pode ser usada nem ingerida", garantiu a organização nas redes sociais.

No comunicado desta quarta, a OCP assegurou que os trabalhos de limpeza continuam em Piedra Fina. "Na região temos máquinas e pessoal coletando os vestígios de petróleo identificados no rio", disse Vugdelija.

- Água e alimentos -A empresa de petróleo garantiu que está entregando água e alimentos a comunidades amazônicas como Toyuca, Sardinas e Guayusa (em Napo).

"Estamos cientes dos efeitos do evento de força maior e agimos com responsabilidade em sua gestão, portanto não pouparemos recursos para cumprir com a limpeza, remediação e compensação", declarou Vugdelija.

Benjamín Landázuri, outro petroleiro de 57 anos, é proprietário de um terreno em uma localidade próxima de Piedra Fina, que se viu afetada pelo vazamento.

"Perto da minha casa passa um pequeno riacho e há uma vertente de onde coletamos água para consumo. Já tivemos a morte de algumas galinhas que bebem do pequeno riacho", disse à AFP.

O OCP transporta 160.000 barris por dia (bd) por oleoduto, com capacidade para 450.000 bd. Junto à estatal Sistema de Oleoduto Transequatoriano (SOTE), serve para levar o petróleo dos campos na floresta amazônica para os portos no Pacífico do noroeste do país.

Em dezembro, o OCP e o SOTE realizaram obras no setor de Piedra Fina para amenizar a erosão permanente do solo causada por um rio.

Em maio de 2020, nessa mesma área houve um colapso que destruiu trechos do SOTE, do OCP e de um duto para combustíveis também estatal.

Na época, o incidente gerou o vazamento de cerca de 15.000 barris e as autoridades não detalharam quantos foram recuperados. O óleo alcançou três rios amazônicos e afetou populações ribeirinhas.

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