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1 mês

Zelensky pede em Davos fim do comércio com a Rússia e mais armas

23/05/2022 16h40

Davos, Suíça, 23 Mai 2022 (AFP) - O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu nesta segunda-feira (23) em um discurso por videoconferência na abertura do Fórum Econômico de Davos o fim de todo o comércio com a Rússia e a imposição do "máximo" de sanções ao país, além de ter solicitado mais armas.

Três meses depois da invasão russa da Ucrânia, a guerra e suas consequência para a economia mundial concentram nesta segunda as atenções do fórum, que após dois anos de pandemia volta a reunir as elites econômicas e políticas mundiais na cidade suíça.

"Acredito que ainda não existem tais sanções (máximas) contra a Rússia, e deveria haver", disse Zelensky para um salão lotado no fórum.

Os países ocidentais impõem sanções econômicas à Rússia. Mas, enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido renunciaram à importação do petróleo, a União Europeia ainda não conseguiu alcançar um acordo sobre a questão, em razão da dependência de alguns de seus membros do petróleo e gás russos.

"Não deveria haver nenhum tipo de comércio com a Rússia", comentou o presidente, enquanto a ministra ucraniana da Economia, Yulia Svyrydenko, afirmou "entender" que a Europa "está tentando calcular o custo para sua economia, mas do outro lado está a Ucrânia, há uma guerra real".

Uma importante deleção ucraniana, que inclui membros do governo e do Parlamento, está na Suíça para expressar as reivindicações de seu país na guerra desde a invasão russa, em 24 de fevereiro.

"A Ucrânia precisa de todas as armas que pedimos, não apenas das que foram fornecidas", disse, antes de completar que se o país tivesse recebido o equipamento em fevereiro "o resultado teria sido dezenas de milhares de vidas salvas", declarou o presidente Zelensky.

A esse respeito, Anastasia Radina, legisladora ucraniana, disse à AFP que seu país precisa de armas "estilo Otan", como tanques, sistemas de defesa aérea e caças.

"Passamos por três meses de guerra, dezenas de milhares de vidas perdidas e ainda estamos discutindo se precisamos de caças. Francamente, é ultrajante", assegurou.

As sanções ocidentais contra Moscou por causa da guerra levaram o WEF, o órgão que organiza o fórum, a excluir todos os participantes russos, que durante anos foram onipresentes.

Para substituir simbolicamente a Russia House (Casa da Rússia) - um local concorrido que concentrava toda a atividade do país -, vários funcionários ucranianos inauguraram nesta segunda-feira a Russia War Crimes House ("Casa dos Crimes de Guerra da Rússia"). O local reúne uma exposição fotográfica das atrocidades atribuídas às forças russas.

- "Horizonte obscuro" para a economia mundial -A guerra afeta a economia mundial e suas consequências estão sendo sentidas em todo o planeta, principalmente no aumento dos preços da energia e dos alimentos.

Em relatório publicado nesta segunda-feira para coincidir com a abertura do fórum, a ONG Oxfam prevê que 263 milhões de pessoas cairão na pobreza extrema este ano, ou seja, um milhão a cada 33 horas.

A nível mundial, o horizonte econômico "obscureceu", advertiu em Davos a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, apontando "um ano difícil", mas sem recessão, nas economias mais desenvolvidas, ao menos "por enquanto".

Na América Latina, cuja presença no fórum tem ganhado força nos últimos anos, os analistas indicaram nesta segunda-feira os riscos da inflação para a estabilidade política da região.

"A inflação está chegando ao mundo todo e também a uma geração de latino-americanos que não sabem como viver com ela. E as consequências econômicas e sociais podem ser nefastas", disse o venezuelano Moises Naïm, ex-ministro de seu país e analista de política internacional.

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