PUBLICIDADE
Topo

Conteúdo publicado há
15 dias

Homem morre asfixiado em porta-malas de viatura em Sergipe

26/05/2022 21h08

Rio de Janeiro, 27 Mai 2022 (AFP) - A morte de um homem asfixiado depois de ser colocado no porta-malas de uma viatura policial comoveu o país, depois que um vídeo da cena viralizou nas redes sociais.

Os fatos ocorreram nesta quarta-feira, em uma estrada próxima à cidade de Umbaúba, de 25 mil habitantes no estado de Sergipe.

Mais tarde, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que os agentes envolvidos "foram afastados" de suas atividades e disse estar "comprometida com a investigação inequívoca das circunstâncias" envolvendo os fatos.

As imagens mostram claramente que dois agentes da PRF, com capacete, tentam fechar a porta traseira da viatura sobre um homem, que estava com as pernas para fora.

Do porta-malas sai uma espessa fumaça branca, que parece ter escapado de uma bomba de gás lacrimogêneo. É possível ouvir gritos de dor e uma testemunha que diz: "Vão matar ele!"

O homem mexe as pernas durante aproximadamente um minuto e depois fica imóvel. Em seguida, os policiais dobram suas pernas e fecham a porta.

Segundo a PRF, o homem estava sendo encaminhado à delegacia de Umbaúba, mas "passou mal" no trajeto e foi levado ao hospital, onde "foi atendido e constado o óbito".

A nota não especifica se o homem chegou sem vida ao hospital, mas a Secretaria de Segurança de Sergipe informou que o resultado da autopsia confirmou a morte por "asfixia".

O sobrinho de Genivaldo de Jesus Santos disse ao portal G1 que avisou aos policiais que o tio sofria de "transtorno mental" e que ele estava em uma moto no momento da operação.

"Eu estava próximo e vi tudo. Eles jogaram um tipo de gás dentro da mala, foram para delegacia, mas meu tio estava desacordado. Diante disso, os policiais levaram ele para o hospital, mas já era tarde", afirmou. "Eu não chamo nem de fatalidade. Isso aí foi um crime mesmo, eles agiram com crueldade pra matar mesmo ele", disse a mulher da vítima ao site G1.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch expressou "consternação" e pediu ao Ministério Público que investigue não apenas as circunstâncias envolvendo a morte de Santos, mas também que avalie o treinamento e os protocolos da PRF para pessoas "com deficiências psicossociais".

O órgão de segurança deve atuar exclusivamente em rodovias, mas participou nesta terça-feira da operação policial que deixou ao menos 26 mortos na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro. A PRF informou que foi chamada para ajudar na prisão de suspeitos de roubos de cargas de caminhões.

lg/jm/app/dga/jc/lb