Famílias protestam contra reintegração de posse na zona sul de SP

Cerca de 200 pessoas fazem hoje (23) um protesto na zona sul da capital paulista contra a reintegração de posse do terreno da ocupação Plínio Resiste. O grupo começou a manifestação às 5h no Terminal de Ônibus Varginha e deixou bloqueadas vias como a Avenida Teotônio Vilela até a subprefeitura Capela do Socorro.

O objetivo é conseguir uma reunião com a secretaria municipal de Habitação. "A manifestação é para que a prefeitura se pronuncie para negociar o terreno. Queremos uma proposta de construção de moradia popular para essa área que está destinada por lei para isso. Estamos fazendo essa pressão para abrir o canal de negociação com a prefeitura", disse Bruno Magalhães, um dos coordenadores da ocupação Plínio Resiste.

Segundo ele, o terreno, localizado na rua Luis Rotta, número 86, Jardim Alpino, está numa Zona Especial de Interesse Social (Zeis) e é de utilidade pública. A área é propriedade particular e tem a reintegração de posse marcada num prazo máximo de até 10 de março.

"Teremos uma reunião quinta-feira (25) no 50o Batalhão da Polícia Militar, às 10h, para discutir a reintegração. Nós vamos resistir, mas não vamos para o embate", disse Leanir José da Costa, outro coordenador do movimento.

Necessidades

As cerca de 200 famílias vivem há 7 meses no terreno ocupado. No total, 700 famílias estão cadastradas pelo movimento aguardando oportunidade de se mudar para a ocupação. "Aquele terreno estava abandonado há mais de 40 anos", disse Bruno.

Entre os moradores que participaram do protesto de hoje estava Jaqueline Santos da Silva, 33 anos, ajudante geral. Ela participa do movimento há dois anos. Com três filhos para cuidar sozinha, ela conta que ficou desesperada quando se viu desempregada e sem condições de pagar R$ 780 de aluguel.

"Era difícil. Até necessidade a gente passava. Eu não teria condições de pagar aluguel agora, não seria fácil para mim, nem para os outros moradores, que não têm o que comer. Se formos despejados não teremos para onde ir. A gente está ali porque a gente precisa de moradia", lamentou.

Rosildo de Oliveira Costa, 45 anos, pedreiro, vive situação parecida. Antes de se mudar para a ocupação, ele pagava R$ 500 de aluguel. "Se fosse para sair de onde eu estou agora, para pagar esse valor, eu não ia ter dinheiro nem para o depósito. Então, eu não ia alugar, eu ia morar debaixo da ponte, na rua com meus dois filhos e minha esposa".

Atualmente, Rosildo está sem emprego, numa situação financeira difícil. "Tem a dificuldade de trabalho, está escasso. Se você não tiver conhecimento muito grande você vai padecer na falta de trabalho. Estou desempregado agora, com dois filhos para criar. Pela sociedade, somos humilhados, não temos o direito à moradia. Muitos pais de família aqui também estão numa situação crítica", contou.

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria Municipal de Habitação, que não se pronunciou.

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