Esgrima compete em São Paulo em busca de classificação para Jogos Paralímpicos

Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

 

Esgrimistas brasileiros participam, desde ontem (26), da competição do Regional das Américas da modalidade, em São Paulo e, já no primeiro dia, além das dez medalhas conquistadas, três atletas conquistaram vagas diretas para os Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Com um atleta já garantido para o evento, Jovane Guissone, a equipe brasileira pode chegar a até seis representantes nos Jogos Paralímpicos. Os outros, até agora, serão Mônica Santos, no florete A; Fábio Damasceno, na espada A; e Rodrigo Massarutt, na espada B. Na categoria A, participam atletas com mobilidade total ou quase total da cintura para cima e na B aqueles com lesões mais altas.

Segundo o diretor técnico do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e chefe da missão brasileira nos jogos do Rio de Janeiro, Edilson Alves da Rocha, a equipe está praticamente pronta, faltando apenas três modalidades para fechar o número de vagas: esgrima, triatlon e tênis em cadeira de rodas: "Nossa previsão é de chegar a 260 atletas no Brasil. Vai ser a maior missão em Jogos paralímpicos de todos os tempos e com certeza a mais preparada".

Para Edilson, o fato de os jogos serem em casa fará diferença para os atletas, com a torcida fazendo pressão contrária aos adversários, o que traz segurança para os competidores: "Nossa meta de quinto lugar em medalhas é possível levando em conta o crescimento que tivemos nos últimos quatro anos. O Brasil cresceu muito no esporte paralímpico nesses últimos três ciclos, sobretudo nesse período entre os jogos de Londres e do Rio".

O diretor ressaltou que a intenção é de que os adversários sintam respeito pelos atletas brasileiros e que a população tenha uma mudança com relação à percepção sobre a deficiência e o esporte para pessoa com deficiência. "Uma arma muito forte do esporte paralímpico é fazer com que as pessoas mudem suas perspectivas a partir do que ela vê nesses atletas e na sua eficiência. A vida de atleta não é fácil, o esporte de alto rendimento não é saudável como todo mundo pensa, porque o atleta está o tempo todo em carga máxima", disse ele.

Mônica Santos, do florete A, ficou paraplégica ao ter um angioma medular durante sua gestação e optou levar a gestação adiante, mesmo não podendo mais andar. Como sempre gostou de esporte, ela resolveu procurar uma modalidade adaptada para ter uma atividade física que lhe servisse como válvula de escape: "Experimentei várias, até descobrir a esgrima e, com vinte dias de prática, consegui uma medalha. Há quatro anos e meio estou na seleção brasileira e agora estou com a vaga na mão. Minha expectativa é a melhor possível para todos os atletas brasileiros, porque estamos em um ciclo de treino muito intenso e focado".

O esgrimista Rodrigo Massarutt contou que já está treinando bastante há muito tempo e está esperançoso de que conseguirá uma medalha na competição: "Vou treinar bastante agora, porque quero medalhar. Não sei qual medalha, mas quero medalhar. Eu quero estar ali entre eles, porque a sensação de representar o país e deixar o meu nome da história é muito boa. Eu treino a semana toda com foco no trabalho muscular para poder aguentar a carga do treinamento técnico".

Aos 34 anos de idade, Rodrigo está na esgrima desde 2007, quando conheceu um grupo que treinava. Ao experimentar o esporte se apaixonou e hoje as espadas são a sua razão para viver. Na categoria espada masculina A, Fábio Damasceno disse que a caminhada até a classificação começou em 2007 e foi difícil: "Foi duro. Desde 2007 venho batalhando e, finalmente, chegou minha hora. Esta será minha primeira paralimpíada e a sensação é maravilhosa, porque todo atleta almeja participar de uma competição dessas. Vou dar o meu melhor". Para ele a equipe brasileira é muito forte e promete medalhas para o país.

 

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